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Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo tem poucos negócios no Sul e RS pode importar 70 mil toneladas

Chuvas comprometem a qualidade da safra, ampliam diferenças entre compradores e vendedores e mantêm atenção sobre o abastecimento dos moinhos


Publicado em: 16/09/2026 às 11:30hs

Mercado de trigo tem poucos negócios no Sul e RS pode importar 70 mil toneladas
Foto: Brandt

O mercado de trigo permanece com baixa liquidez no Sul do Brasil, diante da diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores oferecidos pelos compradores. A preocupação com a qualidade dos grãos também limita as negociações, especialmente nas regiões afetadas pelo excesso de chuva.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a previsão de tempo mais firme para os próximos dias pode favorecer as lavouras e o avanço da colheita. Os impactos das precipitações, porém, continuam presentes, com relatos de giberela, brusone e problemas nos principais parâmetros de qualidade industrial do cereal.

No Rio Grande do Sul, além da condição das lavouras, o mercado acompanha a disponibilidade de trigo até a entrada da próxima safra. As estimativas indicam que o estado poderá precisar importar cerca de 70 mil toneladas para completar a moagem.

Moinhos gaúchos oferecem R$ 1.400 por tonelada

No Rio Grande do Sul, os moinhos que ainda precisam adquirir trigo procuram fechar negócios ao redor de R$ 1.400 por tonelada FOB. Os vendedores, por outro lado, pedem aproximadamente R$ 1.500.

Na região de Vacaria, as ofertas de venda chegam a R$ 1.600 por tonelada. Algumas negociações pontuais foram registradas a R$ 1.450, evidenciando a distância entre as posições do comprador e do produtor.

A baixa disponibilidade de trigo de boa qualidade contribui para sustentar os valores pedidos. Ao mesmo tempo, os moinhos mantêm cautela nas aquisições e avaliam os estoques já contratados antes de ampliar as compras.

Em Panambi, o preço recebido pelo produtor subiu para R$ 71 por saca.

Colheita do trigo deve avançar ainda em setembro

Parte das lavouras gaúchas deverá ser colhida ainda em setembro. A avaliação das áreas indica que 15% estão em condição excelente, enquanto 82% apresentam estado entre bom e mediano.

Outros 3% das lavouras são classificados como ruins ou já apresentam perdas consideradas irreversíveis.

O tempo firme poderá favorecer o término do ciclo e a entrada das máquinas no campo. No entanto, as áreas atingidas por doenças durante as fases mais sensíveis podem registrar redução de produtividade e perda de qualidade.

Giberela aumenta risco de DON nos grãos

A ocorrência de giberela aparece entre as principais preocupações da safra de trigo no Rio Grande do Sul. A doença pode reduzir o rendimento das lavouras e elevar os níveis de desoxinivalenol, micotoxina conhecida como DON.

A presença de DON acima dos limites aceitos restringe a utilização do trigo na alimentação humana e pode resultar em descontos ou rejeição dos lotes pela indústria.

Por isso, a classificação do cereal após a colheita será decisiva para o mercado. Mesmo que o volume produzido seja elevado, uma parcela dos grãos poderá não atender às exigências dos moinhos.

Esse cenário tende a ampliar a diferença de preços entre o trigo de qualidade superior e os lotes destinados à alimentação animal ou a outras finalidades.

Rio Grande do Sul pode precisar importar trigo

O abastecimento da indústria gaúcha também permanece no radar. Considerando aproximadamente 70 mil toneladas ainda disponíveis no mercado, além dos estoques mantidos pelos moinhos, o Rio Grande do Sul poderá precisar importar outras 70 mil toneladas para sustentar a moagem até o início da próxima safra.

Caso as empresas decidam formar uma reserva técnica, a necessidade poderá alcançar o equivalente a três cargas de navios do tipo handy size.

A demanda efetiva por importações dependerá do volume e, principalmente, da qualidade do trigo que chegará ao mercado durante a colheita.

Se uma parcela relevante da produção apresentar problemas de peso hectolítrico, força de glúten, falling number ou contaminação por micotoxinas, a indústria poderá precisar buscar trigo de melhor padrão em outros países.

Exportação ainda oferece pouca atratividade

As indicações para exportação estão próximas de R$ 1.270 por tonelada para entrega em dezembro, com o produto colocado no porto. O patamar permanece abaixo das expectativas dos vendedores e ainda não estimula uma oferta mais expressiva.

A cobertura baseada nas cotações de Chicago chegou a R$ 1.370,57 por tonelada no melhor momento do mercado futuro, mas também ficou distante dos valores pedidos por produtores e empresas.

Com o mercado interno oferecendo referências superiores, a tendência é de que os vendedores priorizem as negociações domésticas, principalmente para lotes de boa qualidade industrial.

Santa Catarina registra negócios pontuais

Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos e demonstram pouca necessidade de ampliar as compras no curto prazo.

Foram relatadas negociações pontuais a R$ 1.520 por tonelada FOB. A menor presença dos compradores impede uma movimentação mais intensa dos preços e mantém o mercado com baixa liquidez.

O comportamento das negociações catarinenses também dependerá da qualidade da safra regional e da disponibilidade de trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná.

Chuvas comprometem qualidade do trigo no Paraná

No Paraná, o excesso de umidade vem provocando problemas de qualidade em diferentes regiões produtoras. Há registros de redução do peso hectolítrico, alteração no falling number e incidência de brusone e giberela.

Os compradores oferecem entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada, conforme o prazo e as condições de entrega. Vendedores com trigo tipo 1 pedem de R$ 1.550 a R$ 1.600 por tonelada FOB.

A diferença entre as ofertas mostra que o mercado atribui um prêmio crescente ao cereal de melhor qualidade. Lotes capazes de atender às especificações da indústria moageira encontram maior sustentação, enquanto o trigo fora do padrão enfrenta descontos.

Qualidade deve definir preços do trigo no Sul

O mercado de trigo deverá continuar com poucos negócios enquanto compradores e vendedores mantiverem posições distantes. O avanço da colheita poderá aumentar a oferta, mas o impacto sobre os preços dependerá da qualidade dos grãos.

O tempo mais firme traz alívio às lavouras e favorece os trabalhos de campo. Ainda assim, os danos provocados pelas chuvas e pelas doenças não poderão ser revertidos nas áreas mais afetadas.

Nas próximas semanas, os resultados de produtividade, os níveis de DON e os parâmetros industriais deverão orientar as cotações no Sul. A necessidade de importação pelos moinhos e a disponibilidade de trigo tipo 1 também serão determinantes para a formação dos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

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