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Brasil

Superávit comercial cresce 193,8% e chega a US$ 3,36 bilhões em setembro

Exportações brasileiras somaram US$ 14,25 bilhões até a segunda semana do mês, com avanço de 16,5% no setor agropecuário e altas nos embarques de café, soja e farelo de soja


Publicado em: 16/09/2026 às 11:25hs

Superávit comercial cresce 193,8% e chega a US$ 3,36 bilhões em setembro

A balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 3,36 bilhões até a segunda semana de setembro de 2026, crescimento de 193,8% em comparação com o desempenho registrado no mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

As exportações alcançaram US$ 14,25 bilhões no período, com aumento de 28,5%. As importações avançaram 9,5% e totalizaram US$ 10,89 bilhões.

Com o aumento das vendas e das compras externas, a corrente de comércio chegou a US$ 25,14 bilhões, alta de 19,5% na comparação anual.

Exportações agropecuárias crescem 16,5%

O setor agropecuário exportou US$ 2,83 bilhões até a segunda semana de setembro, resultado 16,5% superior ao observado no período comparável do ano passado.

Entre os produtos que contribuíram para o crescimento estão o café não torrado, com avanço de 35%, e a soja, cujas vendas externas aumentaram 19,2%.

O grupo formado por centeio, aveia e outros cereais não moídos apresentou elevação de 39.529,5%. A variação expressiva, contudo, deve ser analisada considerando a baixa base de comparação desses produtos na pauta exportadora.

Na indústria de transformação, os embarques de farelo de soja e outros alimentos para animais cresceram 90,7%. As exportações de celulose avançaram 49,6%, enquanto as vendas de ouro não monetário aumentaram 80%.

Milho e carne bovina registram queda nas exportações

Apesar do crescimento geral das vendas externas brasileiras, alguns produtos relevantes para o agronegócio apresentaram retração.

As exportações de milho não moído, exceto milho-doce, recuaram 3,7%. As vendas de especiarias caíram 21,9%, enquanto os embarques de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras diminuíram 71%.

A carne bovina fresca, refrigerada ou congelada também registrou desempenho negativo, com queda de 23% em relação ao período comparável de setembro de 2025.

Os resultados mostram movimentos diferentes entre as cadeias do agronegócio. Enquanto café, soja e farelo ampliaram receitas no mercado internacional, milho, carne bovina e outras oleaginosas perderam ritmo.

Indústria extrativa lidera crescimento das vendas externas

Entre os grandes setores da economia, a indústria extrativa apresentou a maior expansão das exportações. As vendas somaram US$ 4,19 bilhões, aumento de 70,5%.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelos embarques de óleos brutos de petróleo, que avançaram 126,2%. As exportações de outros minérios e concentrados de metais de base aumentaram 172,2%, enquanto as vendas de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 39,5%.

Em sentido contrário, os embarques de minério de ferro recuaram 4,4%. As exportações de minérios de níquel caíram 100%, e as de linhita e turfa diminuíram 67,8%.

A indústria de transformação exportou US$ 7,14 bilhões, alta de 17%. Além dos produtos ligados ao agronegócio, houve retração de 37,2% nas vendas de produtos semimanufaturados e formas primárias de ferro ou aço e queda de 29,1% nos embarques de automóveis de passageiros.

Importações de fertilizantes químicos recuam 16,9%

As importações brasileiras somaram US$ 10,89 bilhões até a segunda semana de setembro, com crescimento nos três setores analisados pelo Mdic.

As compras externas da agropecuária alcançaram US$ 200 milhões, alta de 13,7%. Entre os destaques estão a soja, com aumento de 50,9%, o pescado inteiro, vivo, morto ou refrigerado, com avanço de 41%, e as frutas e nozes não oleaginosas, com elevação de 29,1%.

Por outro lado, as importações de trigo e centeio não moídos diminuíram 10,9%. As compras de cevada caíram 36,4%, enquanto as entradas de centeio, aveia e outros cereais não moídos recuaram 54,3%.

Outro dado relevante para o setor produtivo foi a redução das compras externas de insumos. As importações de adubos ou fertilizantes químicos, excluídos os fertilizantes brutos, caíram 16,9%. No segmento extrativo, as entradas de fertilizantes brutos recuaram 22,7%.

Importações da indústria de transformação chegam a US$ 10,17 bilhões

A indústria de transformação respondeu pela maior parcela das importações, com US$ 10,17 bilhões e crescimento de 9,2%.

As compras de óleos combustíveis derivados de petróleo aumentaram 81,2%. As importações de componentes eletrônicos, como válvulas, tubos, diodos e transistores, avançaram 92%, enquanto as entradas de automóveis de passageiros cresceram 146%.

Na indústria extrativa, as importações chegaram a US$ 470 milhões, alta de 13,5%. Houve crescimento nas compras de petróleo bruto e de outros minérios, mas retração de 59,9% nas importações de gás natural.

Saldo comercial acumula US$ 58,67 bilhões em 2026

De janeiro até a segunda semana de setembro, o Brasil exportou US$ 265,10 bilhões, crescimento de 11,1% em relação ao período correspondente de 2025.

As importações atingiram US$ 206,43 bilhões, avanço de 5,4%. Com isso, o superávit comercial acumulado chegou a US$ 58,67 bilhões, resultado 36,9% superior ao registrado no ano anterior.

A corrente de comércio alcançou US$ 471,53 bilhões no acumulado de 2026, aumento de 8,5%.

Os dados parciais de setembro indicam que o ritmo mais forte das exportações, especialmente da indústria extrativa e de produtos como café, soja e farelo, ampliou o saldo positivo do comércio exterior brasileiro. Ao mesmo tempo, as quedas nos embarques de carne bovina e milho e a redução das importações de fertilizantes permanecem entre os movimentos que exigem acompanhamento do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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