Publicidade
Análise de Mercado

Paraná responde por 85% da produção nacional de seda e investe em tecnologia contra riscos climáticos

Maior produtor de casulos do bicho-da-seda da América Latina, estado instala unidades de referência com irrigação, monitoramento climático e controle de temperatura


Publicado em: 16/09/2026 às 10:20hs

Paraná responde por 85% da produção nacional de seda e investe em tecnologia contra riscos climáticos
Foto: IDR-Paraná

O Paraná concentra aproximadamente 85% da produção brasileira de casulos do bicho-da-seda e mantém a posição de maior produtor da América Latina. Desenvolvida principalmente por agricultores familiares, a sericicultura paranaense combina manejo orgânico, geração de renda no campo e fornecimento de matéria-prima para a indústria têxtil e o mercado internacional de luxo.

A atividade está concentrada sobretudo no norte do estado, região conhecida como Vale da Seda. A cadeia produtiva envolve desde o cultivo das amoreiras e a criação das lagartas até a fabricação industrial do fio, realizada em Londrina.

Apesar da liderança, o setor enfrenta desafios relacionados às oscilações climáticas, ao aumento das temperaturas e ao risco de deriva de agrotóxicos. Para reduzir perdas e aumentar a capacidade de adaptação das propriedades, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) estão implantando unidades de referência tecnológica em diferentes regiões.

Agricultura familiar sustenta produção de seda no Paraná

A sericicultura possui forte presença nas pequenas propriedades rurais paranaenses. O trabalho exige acompanhamento diário das lagartas, produção de folhas de amoreira e controle rigoroso das condições dos barracões.

Durante um ciclo de aproximadamente 28 dias, os bichos-da-seda são alimentados exclusivamente com folhas frescas de amoreira. Ao final dessa fase, cada lagarta produz o casulo que dará origem ao fio utilizado pela indústria têxtil.

Um único casulo pode fornecer até mil metros de fio de seda. A qualidade da matéria-prima depende diretamente da alimentação, do manejo, da sanidade e das condições de temperatura e umidade durante o desenvolvimento das lagartas.

A combinação entre conhecimento técnico e trabalho familiar permitiu que o Paraná construísse uma cadeia reconhecida pela qualidade dos casulos e pela produção baseada em práticas orgânicas.

Vale da Seda concentra principal polo produtivo

Originária da China, a criação do bicho-da-seda encontrou no norte paranaense condições favoráveis para seu desenvolvimento. A região tornou-se o principal polo brasileiro da atividade e passou a ser identificada como Vale da Seda.

Além das propriedades produtoras, a cadeia conta com a Fiação de Seda Bratac, instalada em Londrina. A unidade é apontada como a única fábrica de fios de seda em escala industrial no Ocidente e foi pioneira na obtenção de certificação orgânica para o segmento têxtil.

A presença da indústria próxima às áreas produtoras conecta o trabalho realizado nas propriedades ao mercado internacional. A seda paranaense abastece diferentes segmentos da indústria têxtil, incluindo marcas internacionais de luxo.

Aproveitamento integral reduz desperdícios

O processamento dos casulos segue critérios de classificação relacionados à qualidade e às características do fio. A cadeia também busca aproveitar os materiais que não seguem para a fabricação da seda convencional.

A anafaia, formada pelos primeiros fios produzidos pelo bicho-da-seda ao iniciar o casulo, pode ser destinada à fabricação de tecidos decorativos e outros produtos têxteis.

Os resíduos orgânicos provenientes do processamento também encontram utilização, inclusive como insumo na alimentação animal. Esse aproveitamento amplia a eficiência da cadeia e reduz o descarte de materiais.

Calor e deriva de agrotóxicos ameaçam a sericicultura

O número de famílias envolvidas na produção de seda diminuiu nas últimas décadas. Entre as causas estão as oscilações climáticas, as dificuldades de sucessão nas propriedades e os danos provocados pela deriva de defensivos utilizados em áreas vizinhas.

As lagartas são altamente sensíveis à contaminação. Quando aplicações realizadas em outras lavouras não seguem as condições técnicas adequadas, partículas podem alcançar as amoreiras e comprometer a alimentação dos bichos-da-seda.

O aumento das temperaturas representa outro fator de risco. A possibilidade de um clima mais quente sob influência do El Niño exige maior controle do ambiente de criação, especialmente nos períodos mais sensíveis do ciclo.

Para preservar a saúde das lagartas e a qualidade dos casulos, a temperatura interna dos barracões deve permanecer entre 22°C e 26°C.

Unidades tecnológicas buscam proteger produtores de seda

A Seab e o IDR-Paraná estão implantando unidades de referência tecnológica nas regiões Noroeste, Centro-Sul e Norte Pioneiro.

As propriedades selecionadas receberão sistemas de irrigação para as plantações de amoreira, estações de monitoramento climático e equipamentos destinados à climatização dos barracões.

A irrigação deverá reduzir os efeitos da irregularidade das chuvas sobre a produção de folhas, principal fonte de alimentação das lagartas. Já o acompanhamento meteorológico permitirá orientar com maior precisão as decisões de manejo.

O controle da temperatura nos barracões busca criar condições mais estáveis para o desenvolvimento dos animais, reduzindo os efeitos do calor sobre a sobrevivência das lagartas e a formação dos casulos.

Plano de dez anos projeta futuro da seda paranaense

As ações integram um plano de desenvolvimento da sericicultura para os próximos dez anos. A estratégia reúne órgãos públicos de pesquisa e extensão rural, universidades, indústrias, associações e produtores.

O objetivo é transformar o conhecimento técnico em aumento de produtividade, renda e sustentabilidade para as famílias rurais.

Além da adaptação climática, o fortalecimento da atividade dependerá da renovação da base produtiva, da qualificação dos agricultores, da proteção das áreas de amoreira e da ampliação da eficiência em todas as etapas.

Com investimentos em pesquisa, assistência técnica e infraestrutura, o Paraná busca preservar sua liderança na produção latino-americana de casulos e fortalecer a presença da seda brasileira nos mercados nacional e internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias