Frango e ovos enfrentam pressão nos preços enquanto custos de produção aumentam; exportações de carne de frango crescem 28%
Mercado avícola inicia agosto com recuo nas cotações, avanço expressivo das exportações e perda do poder de compra dos produtores diante da alta do milho e do farelo de soja.
Publicado em: 07/08/2026 às 12:00hs
O mercado avícola brasileiro começou agosto sob um cenário de desafios para os produtores. Enquanto os preços da carne de frango e dos ovos registram queda no mercado interno devido à demanda enfraquecida, os custos de produção seguem em alta, pressionados pela valorização do milho e do farelo de soja. Em contrapartida, as exportações brasileiras de carne de frango continuam em ritmo acelerado, reforçando a competitividade do setor no mercado internacional.
Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que o consumo mais lento entre o fim de julho e o início de agosto reduziu a liquidez das negociações e pressionou as cotações dos produtos avícolas. Apesar disso, agentes do setor acreditam em uma recuperação gradual da demanda nas próximas semanas, impulsionada pelo pagamento dos salários da maior parte da população.
Preços do frango recuam com demanda doméstica enfraquecida
Segundo o Cepea, a menor movimentação do varejo e do atacado no início do mês reduziu o ritmo das negociações de carne de frango no mercado interno, refletindo diretamente na queda das cotações.
A expectativa do setor, porém, é de melhora na liquidez ao longo dos próximos dias, à medida que o consumo tende a aumentar após a entrada de renda na economia. Esse movimento pode favorecer uma recuperação parcial dos preços, principalmente em regiões com maior concentração de consumo.
Exportações de carne de frango avançam 28% em um ano
Enquanto o mercado doméstico enfrenta dificuldades, o comércio exterior segue sustentando o desempenho da avicultura brasileira.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques brasileiros de carne de frango cresceram 6,6% em julho na comparação com junho e registraram um expressivo avanço de 28% em relação a julho de 2025.
De acordo com pesquisadores do Cepea, parte desse crescimento anual decorre da base de comparação mais baixa do ano passado, quando o Brasil enfrentava restrições temporárias às exportações após a confirmação de um foco de Influenza Aviária em uma granja comercial.
Além desse efeito estatístico, a demanda internacional segue aquecida, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de carne de frango.
Alta do milho e do farelo reduz margem da produção de ovos
O segmento de ovos também enfrenta um cenário de rentabilidade mais apertada.
Em julho, a combinação entre a queda nos preços dos ovos e a valorização dos principais insumos da atividade reduziu significativamente o poder de compra do avicultor paulista, atingindo o menor nível desde janeiro, conforme levantamento do Cepea.
Os preços dos ovos brancos e vermelhos recuaram entre junho e julho, enquanto o milho apresentou valorização no mesmo período.
Segundo pesquisadores da equipe de Grãos do Cepea, compradores permaneceram cautelosos durante o avanço da colheita da segunda safra, enquanto os vendedores concentraram esforços nas atividades de campo, limitando os negócios.
Farelo de soja mantém tendência de alta
Outro fator de pressão sobre os custos foi o farelo de soja.
A demanda firme, tanto do mercado interno quanto das exportações, elevou os prêmios de exportação brasileiros e sustentou a valorização das cotações domésticas ao longo do último mês.
Como consequência, as relações de troca entre ovos, milho e farelo de soja pioraram tanto na comparação mensal quanto na anual, reduzindo a capacidade de compra dos produtores e comprimindo as margens da atividade.
Perspectivas para o setor avícola
Apesar das dificuldades observadas no mercado interno, o cenário para a avicultura brasileira permanece sustentado pelo bom desempenho das exportações.
A recuperação do consumo doméstico nas próximas semanas poderá contribuir para estabilizar os preços da carne de frango e dos ovos. No entanto, a continuidade da valorização dos grãos seguirá sendo um dos principais fatores de atenção para produtores, já que milho e farelo de soja representam a maior parcela dos custos de alimentação das aves.
Caso os custos permaneçam elevados e os preços ao produtor não acompanhem esse movimento, a rentabilidade da cadeia avícola poderá continuar pressionada nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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