Carne de frango tem pressão no mercado interno, mas exportações mantêm setor aquecido em julho
Oferta acima da demanda derruba preços do frango no mercado doméstico, enquanto embarques brasileiros avançam e reforçam expectativa de novo recorde em 2026
Publicado em: 31/07/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de carne de frango enfrentou pressão sobre os preços em julho, com uma oferta considerada desalinhada em relação ao consumo interno. Apesar do cenário negativo no atacado e em algumas praças de comercialização do frango vivo, as exportações seguiram em ritmo forte e continuam como principal fator de sustentação da avicultura nacional.
Segundo análise da Safras & Mercado, a demanda doméstica perdeu intensidade na segunda metade do mês após o impacto positivo da entrada dos salários na economia, reduzindo a capacidade de absorção da oferta disponível.
Para o analista Fernando Henrique Iglesias, o mercado externo segue sendo o principal suporte para o setor, com o Brasil mantendo perspectivas favoráveis de alcançar um novo recorde de embarques de carne de frango em 2026.
Mercado interno sente pressão da oferta elevada
No atacado paulista, os preços dos principais cortes congelados permaneceram praticamente estáveis durante julho, mas em níveis pressionados pela relação entre oferta e demanda.
O quilo do peito congelado manteve cotação de R$ 8,50, enquanto a coxa permaneceu em R$ 6,90 e a asa em R$ 11,00. Na distribuição, os valores também não apresentaram alterações significativas, com o peito negociado a R$ 8,70/kg, a coxa a R$ 7,10/kg e a asa a R$ 11,25/kg.
Nos cortes resfriados, o cenário foi semelhante. No atacado, o peito seguiu cotado em R$ 8,60/kg, a coxa em R$ 7,00/kg e a asa em R$ 11,10/kg. Já na distribuição, os preços ficaram em R$ 8,80/kg para o peito, R$ 7,20/kg para a coxa e R$ 11,35/kg para a asa.
Frango vivo registra quedas em importantes regiões produtoras
O levantamento da Safras & Mercado apontou recuos nas cotações do frango vivo em diversas regiões brasileiras.
Em São Paulo, o preço do quilo vivo caiu de R$ 5,20 para R$ 5,10. No Mato Grosso do Sul, a redução foi mais expressiva, passando de R$ 5,30 para R$ 4,55/kg. Em Goiás, a cotação recuou de R$ 5,40 para R$ 4,55/kg.
Minas Gerais também registrou queda, com o valor passando de R$ 5,40 para R$ 4,60/kg, enquanto no Distrito Federal a cotação caiu de R$ 5,30 para R$ 4,60/kg.
Nas regiões integradas, o Rio Grande do Sul manteve o preço em R$ 4,75/kg, assim como Santa Catarina. No oeste do Paraná, houve leve valorização, com a cotação subindo de R$ 4,60 para R$ 4,65/kg.
Já em mercados do Nordeste e Norte, os preços permaneceram mais firmes. No Ceará, o frango vivo ficou em R$ 6,80/kg; em Pernambuco, em R$ 7,00/kg; e no Pará, em R$ 7,20/kg.
Exportações de carne de frango avançam e sustentam setor
Enquanto o mercado interno enfrenta ajustes, o comércio internacional segue favorecendo a avicultura brasileira.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas somaram US$ 765,282 milhões em julho, considerando 18 dias úteis.
A média diária exportada alcançou US$ 42,515 milhões, com volume total de 413,393 mil toneladas e média diária de 22,966 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.851,20.
Na comparação com julho de 2025, os embarques apresentam avanço expressivo. A média diária exportada cresceu 43,4% em valor, enquanto o volume médio diário aumentou 40,7%. O preço médio também apresentou valorização de 3%.
Ajuste da produção será fundamental para equilíbrio do mercado
Além do bom desempenho externo, a ausência de influenza aviária em plantéis comerciais brasileiros fortalece a competitividade do país no mercado internacional.
Segundo Iglesias, o próximo passo para o setor será ajustar os alojamentos de aves, buscando equilibrar a oferta doméstica com o ritmo da demanda.
Com exportações aquecidas e consumo interno mais lento, a avicultura brasileira entra em uma fase de atenção, na qual o controle da produção será decisivo para recuperar margens e sustentar a rentabilidade dos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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