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Avicultura

Carne de frango, peru e ovos continuam seguros após focos de Newcastle em Santa Catarina

Entidade veterinária esclarece que a doença de Newcastle afeta aves e não representa risco pelo consumo de alimentos inspecionados. Casos no Oeste catarinense mobilizam autoridades sanitárias e reforçam medidas de controle na produção avícola.


Publicado em: 03/11/2026 às 10:40hs

Carne de frango, peru e ovos continuam seguros após focos de Newcastle em Santa Catarina

A confirmação de focos da doença de Newcastle no Oeste de Santa Catarina acendeu o alerta para a defesa sanitária da avicultura, mas não representa risco ao consumo de carne de frango, carne de peru e ovos provenientes de estabelecimentos submetidos à inspeção oficial. O esclarecimento é da presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), Aletéia Balestrin, diante das dúvidas levantadas pela ocorrência da enfermidade no Estado.

Segundo a especialista, a doença é altamente contagiosa entre aves domésticas e silvestres, mas não é transmitida pelo consumo de produtos avícolas. Dessa forma, os alimentos que passam pelos controles oficiais de inspeção sanitária permanecem seguros para a população.

O primeiro foco foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 18 de outubro, em uma criação comercial de perus de corte localizada em Nova Itaberaba. Posteriormente, outros dois focos foram identificados nos municípios de Coronel Freitas e Nova Erechim, ambos dentro da área de restrição estabelecida pelas autoridades sanitárias.

Doença de Newcastle exige atenção sanitária, mas não compromete alimentos inspecionados

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres e pode provocar manifestações respiratórias, neurológicas e digestivas, além de elevados índices de mortalidade nos plantéis.

Por apresentar elevada capacidade de disseminação entre as aves, sua ocorrência exige medidas rigorosas de vigilância epidemiológica, controle do trânsito de animais, investigação de possíveis contatos e eliminação sanitária dos plantéis infectados, conforme os protocolos oficiais.

Para os consumidores, entretanto, a orientação é manter o consumo habitual de produtos avícolas provenientes de estabelecimentos inspecionados.

“A doença de Newcastle é uma questão de saúde e sanidade das aves, não um problema relacionado ao consumo dos alimentos. Carne de frango, carne de peru e ovos provenientes de estabelecimentos inspecionados continuam seguros. O consumidor pode manter esses alimentos normalmente em sua dieta”, afirma Aletéia Balestrin.

O entendimento está alinhado às orientações do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), que esclarecem não haver transmissão da enfermidade pelo consumo de alimentos.

Em seres humanos, o risco é considerado baixo e está associado principalmente ao contato direto com aves infectadas, podendo provocar conjuntivite em situações específicas.

Inspeção sanitária protege a cadeia de produção e o consumidor

A presidente do Nucleovet destaca que é importante diferenciar os impactos sanitários e econômicos provocados pela doença nas propriedades avícolas da segurança dos alimentos comercializados.

Os protocolos de defesa sanitária estabelecem procedimentos para impedir que aves provenientes de estabelecimentos afetados ingressem na cadeia de abastecimento sem o devido controle.

“É natural que uma notícia dessa natureza cause preocupação, mas o consumidor precisa receber informação técnica e correta. Os protocolos sanitários existem justamente para impedir que animais de propriedades afetadas entrem na cadeia de consumo. O alimento inspecionado mantém todas as condições de segurança”, explica a médica-veterinária.

A especialista também ressalta que a avicultura brasileira conta com uma estrutura tecnificada de produção e fiscalização, com procedimentos de controle sanitário nas diferentes etapas da cadeia.

Quando ocorre uma enfermidade de notificação obrigatória, os órgãos responsáveis adotam medidas específicas para identificar os focos, controlar a disseminação e proteger os demais estabelecimentos de produção.

Santa Catarina intensifica medidas contra a doença de Newcastle

Após a confirmação do primeiro caso em Nova Itaberaba, o Ministério da Agricultura declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A medida permite ampliar as ações de vigilância, investigação epidemiológica e contenção da enfermidade na região.

Em Nova Itaberaba, os procedimentos sanitários na propriedade onde ocorreu o primeiro foco foram concluídos, e o estabelecimento entrou em período de vazio sanitário.

Em Coronel Freitas, o despovoamento das aves também foi finalizado, seguido pelas etapas de limpeza e desinfecção das instalações.

Já o terceiro foco, identificado em Nova Erechim, foi detectado durante as atividades de vigilância realizadas dentro da própria área de emergência sanitária.

As ações fazem parte da estratégia de defesa agropecuária para evitar a propagação do vírus e preservar a sanidade dos demais plantéis comerciais.

Avicultura brasileira mantém protocolos de biosseguridade

Para Aletéia Balestrin, a comunicação transparente é fundamental durante ocorrências sanitárias, especialmente para evitar que casos restritos aos plantéis provoquem insegurança injustificada entre os consumidores.

A presidente do Nucleovet reforça que a cadeia avícola brasileira possui controles específicos para enfrentar enfermidades de notificação obrigatória, com atuação dos órgãos de defesa e adoção de medidas de contenção sempre que necessário.

O objetivo é proteger os estabelecimentos de produção, reduzir os riscos de disseminação e assegurar que os produtos disponibilizados no mercado atendam às exigências sanitárias.

Como escolher carne de frango e peru com segurança

Além de esclarecer que não há motivo para interromper o consumo de produtos avícolas inspecionados, a presidente do Nucleovet recomenda que os consumidores observem a procedência dos alimentos e verifiquem a presença dos selos oficiais de inspeção sanitária.

Os produtos devem apresentar identificação de inspeção municipal, estadual ou federal, conforme o serviço responsável pela fiscalização do estabelecimento.

As carnes de frango e peru também são fontes de proteínas, vitaminas e minerais, contribuindo para uma alimentação equilibrada.

“Frango e peru continuam sendo alimentos seguros e saudáveis. Neste momento, informação baseada em evidências é essencial para que uma ocorrência sanitária restrita às aves não seja confundida com risco alimentar. Podem ficar tranquilos, não há motivo técnico para retirar esses produtos da mesa das famílias”, conclui Aletéia.

A orientação das entidades veterinárias é que a população acompanhe as informações divulgadas pelos órgãos oficiais e mantenha a confiança nos mecanismos de inspeção e controle sanitário dos produtos de origem avícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

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