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Avicultura

Carne de frango perde força no mercado interno com maior oferta, mas exportações sustentam setor em 2026

Aumento da disponibilidade de produto pressiona preços no mercado brasileiro, enquanto vendas externas seguem aquecidas e podem levar o país a novo recorde de embarques de carne de frango.


Publicado em: 17/07/2026 às 18:20hs

Carne de frango perde força no mercado interno com maior oferta, mas exportações sustentam setor em 2026

O mercado brasileiro de carne de frango segue pressionado pela maior disponibilidade de oferta, mantendo os preços estáveis no atacado e limitando avanços nas cotações do frango vivo. Segundo análise da Safras & Mercado, o cenário permanece fragilizado, com produtores e frigoríficos atentos ao equilíbrio entre produção e demanda.

Apesar da pressão interna, o setor encontra sustentação no desempenho das exportações, que continuam em ritmo elevado e reforçam a expectativa de que o Brasil alcance um novo recorde de embarques em 2026.

De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o controle dos alojamentos será um fator determinante para evitar um excesso de oferta ao longo dos próximos meses.

“O acompanhamento dos alojamentos permanece fundamental para impedir desequilíbrios entre oferta e demanda”, destacou o especialista.

Oferta elevada limita recuperação dos preços da carne de frango

O mercado doméstico enfrenta dificuldades para absorver o volume disponível, reduzindo o espaço para reajustes positivos nos preços dos cortes.

Segundo Iglesias, a expectativa é de que as cotações possam apresentar novas quedas principalmente durante a segunda metade do mês, período tradicionalmente marcado por menor ritmo de consumo.

A competitividade da proteína avícola continua favorecida pelos preços elevados da carne bovina, que estimulam consumidores a migrarem para alternativas mais acessíveis, como o frango.

Mesmo com esse fator positivo, a oferta abundante impede uma recuperação mais consistente das margens da cadeia produtiva.

Custos de produção seguem sob monitoramento

Outro ponto de atenção para o setor é o comportamento dos custos de produção, especialmente relacionados à alimentação animal.

Embora a nutrição continue representando uma parcela significativa das despesas, a boa disponibilidade de milho e farelo de soja na atual temporada ajuda a manter os custos em níveis mais controlados.

O cenário de abastecimento desses principais insumos reduz a pressão sobre produtores, mas não elimina os desafios relacionados ao excesso de oferta.

Exportações de frango seguem como principal suporte do mercado

Enquanto o mercado interno apresenta dificuldades, o comércio internacional mantém desempenho positivo.

O Brasil caminha para superar a marca de 5,6 milhões de toneladas exportadas de carne de frango em 2026, consolidando sua posição como um dos principais fornecedores globais da proteína.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, alcançaram US$ 383,53 milhões em julho, considerando oito dias úteis.

O volume embarcado chegou a 190,55 mil toneladas, com média diária de 23,81 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.012,80 por tonelada.

Na comparação com julho de 2025, o setor apresentou crescimento expressivo:

  • Alta de 61,7% no valor médio diário exportado;
  • Aumento de 45,9% na quantidade média diária embarcada;
  • Valorização de 10,8% no preço médio da tonelada.

O desempenho reforça a força da demanda internacional pela carne de frango brasileira.

Preços da carne de frango permanecem estáveis no atacado

No atacado paulista, os preços dos cortes congelados permaneceram sem alterações durante a semana.

Segundo levantamento da Safras & Mercado:

  • Frango congelado no atacado de São Paulo
    • Peito: R$ 8,50/kg
    • Coxa: R$ 6,90/kg
    • Asa: R$ 11,00/kg
    • Na distribuição:
    • Peito: R$ 8,70/kg
    • Coxa: R$ 7,10/kg
    • Asa: R$ 11,25/kg

Nos cortes resfriados, o mercado também registrou estabilidade:

  • Frango resfriado no atacado paulista
    • Peito: R$ 8,60/kg
    • Coxa: R$ 7,00/kg
    • Asa: R$ 11,10/kg
    • Na distribuição:
    • Peito: R$ 8,80/kg
    • Coxa: R$ 7,20/kg
    • Asa: R$ 11,35/kg
Frango vivo registra queda em algumas regiões produtoras

No mercado do frango vivo, as cotações apresentaram retração em importantes polos produtores.

O levantamento da Safras & Mercado apontou os seguintes valores:

  • São Paulo: R$ 5,20/kg (estável)
  • Rio Grande do Sul (integração): R$ 4,75/kg
  • Santa Catarina (integração): R$ 4,75/kg
  • Oeste do Paraná (integração): R$ 4,60/kg

Entre as regiões que registraram queda:

  • Mato Grosso do Sul: de R$ 4,85 para R$ 4,65/kg
  • Goiás: de R$ 4,85 para R$ 4,65/kg
  • Minas Gerais: de R$ 4,90 para R$ 4,70/kg
  • Distrito Federal: de R$ 4,90 para R$ 4,70/kg

Já no Nordeste e Norte, os preços permaneceram firmes:

  • Ceará: R$ 6,80/kg
  • Pernambuco: R$ 7,00/kg
  • Pará: R$ 7,20/kg
Perspectivas para o mercado de frango

O setor avícola brasileiro entra na segunda metade do ano dividido entre dois cenários.

De um lado, a forte demanda internacional e o avanço das exportações mantêm perspectivas positivas para a indústria. De outro, a maior oferta doméstica limita reajustes e pressiona produtores, especialmente em regiões com maior disponibilidade de animais.

O equilíbrio entre produção, alojamentos e ritmo de consumo será decisivo para definir o comportamento dos preços da carne de frango nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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