Mercado de arroz ganha força no Brasil com redução da área plantada e preços retomam recuperação
Cotações do arroz avançam no mercado físico, enquanto produtores avaliam menor área cultivada na safra 2026/27 diante das incertezas climáticas e do impacto do El Niño
Publicado em: 17/07/2026 às 18:40hs
O mercado brasileiro de arroz segue em trajetória de recuperação, com as cotações fortalecidas nas últimas semanas diante da perspectiva de redução da área cultivada no país e de uma possível menor disponibilidade do cereal na próxima temporada.
O movimento de alta ganhou consistência no mercado físico, com o Indicador Safras superando o patamar de R$ 63 por saca, refletindo a recomposição dos preços após o encerramento da colheita e uma maior atenção dos agentes do setor para a safra 2026/27.
Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o cenário atual indica uma recuperação gradual das cotações, sustentada por fundamentos internos e internacionais mais favoráveis.
Redução da área de arroz ganha espaço nas projeções para 2026/27
As atenções do setor estão cada vez mais voltadas para a próxima temporada, especialmente em relação à definição da área cultivada no Brasil.
O comportamento do fenômeno El Niño aparece como uma das principais variáveis para determinar o planejamento agrícola, influenciando diretamente a escolha dos produtores, a produtividade esperada e o calendário de plantio.
As estimativas atuais indicam que a produção brasileira de arroz poderá ficar próxima ou até abaixo de 10 milhões de toneladas em casca na safra 2026/27.
A projeção considera uma combinação de fatores:
- Redução da área cultivada;
- Possível queda na produtividade;
- Maior cautela dos produtores diante das incertezas climáticas.
Apesar das expectativas, o cenário ainda depende da evolução das condições meteorológicas nos próximos meses.
Clima influencia decisões de investimento dos produtores
A falta de previsibilidade climática tem levado muitos produtores a adiar investimentos na compra de insumos, aguardando melhores informações sobre as condições de cultivo.
De acordo com especialistas, a possibilidade de atrasos no calendário agrícola aumenta a necessidade de estratégias como o escalonamento do plantio, medida que ajuda a reduzir riscos operacionais e climáticos durante a temporada.
O comportamento do clima será determinante para confirmar o tamanho da próxima safra brasileira de arroz e poderá influenciar diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado nacional.
Preços do arroz avançam no Rio Grande do Sul
No principal estado produtor do país, o mercado apresentou valorização expressiva.
A média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul, considerando produto com 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira (16) cotada em R$ 62,83.
O valor representa:
- Alta de 3,38% na comparação semanal;
- Avanço de 8,27% em relação ao mesmo período do mês passado;
- Queda acumulada de 6,36% frente ao mesmo período de 2025.
A recuperação das cotações indica uma melhora no ambiente comercial, embora o mercado ainda esteja distante dos níveis registrados em períodos de maior aperto na oferta.
Mercado internacional oferece suporte às cotações
Além dos fatores domésticos, o cenário externo também contribui para a sustentação dos preços.
Entre os principais pontos positivos para o mercado de arroz estão:
- Menor disponibilidade exportável dos Estados Unidos;
- Melhora dos fundamentos internacionais;
- Expectativa de redução da produção brasileira;
- Recuperação gradual da demanda.
Entretanto, os elevados estoques mundiais continuam funcionando como fator de contenção, limitando movimentos mais intensos de valorização.
O excesso de disponibilidade global reduz o espaço para altas acentuadas e mantém os compradores atentos ao comportamento da oferta nos principais países produtores.
Perspectivas para o mercado de arroz
O mercado brasileiro de arroz inicia uma nova fase de acompanhamento da safra 2026/27, com o clima assumindo papel central nas decisões do setor.
A combinação entre menor área cultivada, possível redução da produção e recuperação das cotações cria um ambiente mais favorável aos preços, mas ainda condicionado à evolução das condições climáticas e ao comportamento da oferta global.
No curto prazo, a tendência é de continuidade da recomposição das cotações, porém com avanço gradual e limitado pelos estoques internacionais elevados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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