Mercado de trigo fica travado na entressafra, com oferta restrita e preços firmes no Brasil
Baixa liquidez domina negociações de trigo no mercado brasileiro, enquanto moinhos compram apenas volumes pontuais e importações seguem em ritmo moderado na temporada 2025/26
Publicado em: 17/07/2026 às 18:00hs
O mercado brasileiro de trigo segue com negociações lentas durante a entressafra, marcado por baixa liquidez, oferta limitada de lotes de melhor qualidade e resistência dos compradores em avançar nas aquisições. Apesar da sustentação dos preços internos, a chegada da nova safra e a expectativa de boa produtividade limitam movimentos mais fortes de valorização.
Segundo análise da Safras & Mercado, os estoques remanescentes continuam restritos, principalmente para os lotes com melhores padrões industriais, enquanto os moinhos mantêm uma postura cautelosa diante da dificuldade de repassar os custos da matéria-prima para os preços da farinha.
Preços do trigo apresentam leve recuperação no mercado interno
Mesmo com o ritmo reduzido de negócios, as cotações do trigo registraram recuperação moderada durante a semana.
No Paraná, a média estadual avançou 1,4%, alcançando cerca de R$ 1.417 por tonelada FOB.
No Rio Grande do Sul, o movimento também foi positivo, com valorização de 0,8%, levando os preços médios para aproximadamente R$ 1.295 por tonelada FOB.
De acordo com analistas, a oferta mais curta ajuda a manter o mercado sustentado, mas o bom desenvolvimento da nova safra brasileira impede altas mais expressivas.
"As condições favoráveis das lavouras reduzem a possibilidade de movimentos mais intensos de valorização no curto prazo", avaliam especialistas do setor.
Safra 2026/27 mantém preços próximos da estabilidade
Para a próxima temporada, as indicações comerciais seguem em níveis próximos aos atuais.
No Paraná, os valores para a safra 2026/27 estão próximos de R$ 1.400 por tonelada CIF nos Campos Gerais, refletindo um cenário de equilíbrio entre oferta esperada e demanda industrial.
A expectativa de uma nova produção com bom potencial limita a atuação dos compradores, que seguem monitorando o avanço das lavouras antes de ampliar posições.
Mercado internacional segue volátil
No cenário externo, as cotações do trigo apresentaram oscilações durante a semana.
Na Argentina, importante fornecedor do Brasil, o trigo FOB registrou alta de 1,3%, chegando a aproximadamente US$ 238 por tonelada.
Para embarques previstos para dezembro, as referências internacionais variam entre US$ 220 e US$ 230 por tonelada, acompanhando as incertezas relacionadas à oferta global, demanda internacional e comportamento cambial.
Importações brasileiras de trigo seguem em ritmo moderado
O fluxo de importação de trigo pelo Brasil permanece abaixo do registrado no ciclo anterior, mas segue garantindo o abastecimento da indústria moageira nacional.
Segundo levantamento da Safras & Mercado, o line-up de importações da temporada 2025/26 soma 4,503 milhões de toneladas, considerando embarques realizados e programados entre setembro de 2025 e julho de 2026.
O volume fica ligeiramente abaixo das 4,528 milhões de toneladas efetivamente importadas no mesmo período da temporada passada.
Na comparação anual, o ritmo também é inferior ao registrado há um ano, quando o line-up alcançava 5,308 milhões de toneladas, indicando uma menor necessidade de compras externas no ciclo atual.
Ceará, São Paulo e Pernambuco lideram desembarques de trigo
A distribuição das importações brasileiras permanece concentrada principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
Os principais destinos são:
- Ceará: 1,040 milhão de toneladas (23,1%);
- São Paulo: 954,4 mil toneladas (21,2%);
- Pernambuco: 596 mil toneladas (13,2%);
- Bahia: 509,7 mil toneladas (11,3%);
- Rio de Janeiro: 439,8 mil toneladas (9,8%).
Juntos, esses cinco estados representam aproximadamente 79% das importações programadas, reforçando a importância dessas regiões para o abastecimento das indústrias de moagem.
Dezembro concentra maior volume importado na temporada
No acompanhamento mensal da temporada 2025/26, dezembro permanece como o período de maior entrada prevista de trigo, com 610 mil toneladas.
Em 2026, os volumes programados foram distribuídos da seguinte forma:
- Janeiro: 360 mil toneladas;
- Fevereiro: 393 mil toneladas;
- Março: 274 mil toneladas;
- Abril: 439 mil toneladas;
- Maio: 286 mil toneladas;
- Junho: 418 mil toneladas;
- Julho: 357 mil toneladas.
Perspectivas para o mercado de trigo
O mercado brasileiro de trigo deve continuar com negociações limitadas nas próximas semanas, seguindo o comportamento tradicional da entressafra.
A combinação entre estoques reduzidos, compradores cautelosos e expectativa positiva para a nova safra mantém os preços firmes, mas sem espaço para grandes altas.
A evolução da colheita brasileira, o comportamento das importações e os movimentos do mercado internacional serão os principais fatores capazes de definir a direção das cotações no segundo semestre.
Fonte: Portal do Agronegócio
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