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Aquicultura e Pesca

ISKNV e coinfecções ameaçam tilapicultura e exigem prevenção sanitária personalizada

Avanço de surtos associados ao vírus e à bactéria Streptococcus agalactiae aumenta mortalidade, prejudica conversão alimentar e reforça importância do diagnóstico, da vacinação e da biosseguridade


Publicado em: 14/09/2026 às 13:30hs

ISKNV e coinfecções ameaçam tilapicultura e exigem prevenção sanitária personalizada

O cenário sanitário da tilapicultura brasileira passa por uma mudança significativa. Entre o final de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, indicadores epidemiológicos apontaram a consolidação do ISKNV — Vírus da Necrose Infecciosa do Baço e do Rim — como um dos principais desafios nas propriedades aquícolas.

O problema tem sido observado especialmente em tilápias juvenis criadas em tanques-rede. Além dos impactos provocados diretamente pelo vírus, cresce a preocupação com as coinfecções bacterianas, sobretudo aquelas relacionadas ao Streptococcus agalactiae.

A ocorrência simultânea de diferentes agentes infecciosos pode aumentar a mortalidade, comprometer o desempenho zootécnico, piorar a conversão alimentar e reduzir a rentabilidade da produção. Diante desse quadro, especialistas defendem protocolos sanitários definidos de acordo com as condições de cada fazenda.

Diagnóstico preciso orienta prevenção na tilapicultura

Para Talita Morgenstern, coordenadora técnica de Aquicultura da MSD Saúde Animal, o controle sanitário não deve ser estruturado apenas com base na observação dos sintomas ou em decisões intuitivas.

A recomendação é combinar o diagnóstico biomolecular por PCR com análises microbiológicas. Essa abordagem permite identificar os agentes que circulam na propriedade e compreender em qual etapa da criação as infecções ocorrem.

O mapeamento é importante porque os riscos sanitários variam conforme a região, a qualidade da água, a densidade de peixes, o histórico de doenças e a fase do ciclo produtivo.

Por esse motivo, um protocolo eficiente em determinada propriedade pode não apresentar os mesmos resultados em outra. A prevenção precisa considerar os desafios epidemiológicos específicos de cada sistema de produção.

Coinfecções elevam risco de mortalidade dos peixes

O avanço do ISKNV também acende o alerta para infecções bacterianas secundárias. Peixes debilitados pela ação viral podem ficar mais vulneráveis a outros patógenos, agravando os prejuízos sanitários e produtivos.

Segundo a especialista, o aumento da incidência do Streptococcus agalactiae tipo III ocorre paralelamente ao predomínio histórico do sorotipo IB. Essa diversidade exige monitoramento ativo para que o produtor saiba exatamente quais agentes precisam ser controlados.

Identificar o patógeno e o momento provável da infecção permite ajustar as medidas de prevenção, o manejo dos lotes e o calendário de imunização. A ausência desse diagnóstico pode levar à adoção de protocolos incompatíveis com a realidade sanitária da fazenda.

Calendário vacinal deve acompanhar o risco de cada propriedade

A vacinação deve ser tratada como parte de uma estratégia integrada de redução de riscos. A escolha do imunizante e do momento de aplicação precisa considerar o histórico epidemiológico, a idade dos animais, as condições ambientais e as janelas de maior vulnerabilidade.

Entre as soluções disponíveis no mercado está a Aquavac Irido V, indicada como auxiliar na redução da mortalidade associada às infecções causadas por iridovírus em tilápias.

Para situações com pressão bacteriana, a Aquavac Strep Sasi é direcionada à proteção contra estreptococose em períodos de maior risco térmico ou de manejo. Outra alternativa é a Aquavac Strep 4, desenvolvida para atuar contra diferentes sorotipos associados à doença.

A definição do protocolo deve contar com acompanhamento técnico e respeitar as indicações de cada produto. A vacinação não substitui as práticas de biosseguridade, o monitoramento da água ou o manejo adequado do plantel.

Biosseguridade amplia eficiência da vacinação

Mesmo um programa de imunização corretamente planejado pode perder eficiência quando os peixes permanecem submetidos a estresse crônico. Qualidade inadequada da água, excesso de animais, falhas nutricionais e equipamentos contaminados favorecem a disseminação de doenças.

Entre as principais medidas preventivas estão:

  • vacinar somente animais saudáveis;
  • controlar a densidade de estocagem;
  • manter o manejo nutricional adequado;
  • acompanhar continuamente a qualidade da água;
  • higienizar e desinfetar equipamentos;
  • reduzir situações de estresse durante o manejo;
  • monitorar alterações clínicas e comportamentais dos peixes.

De acordo com Talita, a imunização atua na proteção interna do animal, enquanto a biosseguridade reduz sua exposição externa aos agentes infecciosos. A combinação dessas medidas amplia a capacidade de resposta do sistema produtivo.

Prevenção substitui controle emergencial de doenças

A intensificação da tilapicultura exige uma mudança do modelo reativo, baseado no controle de surtos já instalados, para uma estratégia preventiva orientada por informações sanitárias.

O primeiro passo é estabelecer um histórico epidemiológico da propriedade. A partir desse levantamento, o produtor pode identificar períodos críticos, avaliar a recorrência de patógenos e organizar medidas específicas para cada etapa produtiva.

Essa previsibilidade reduz o risco de decisões emergenciais, melhora o planejamento dos lotes e ajuda a proteger os indicadores econômicos da atividade.

Sanidade influencia diretamente a rentabilidade da tilapicultura

Mortalidade elevada, baixo ganho de peso e pior conversão alimentar aumentam o custo por quilo produzido. Por isso, o manejo sanitário precisa ser considerado parte da gestão financeira da propriedade.

Ao personalizar o protocolo preventivo, o produtor direciona os investimentos para os riscos efetivamente presentes no sistema de criação. A estratégia permite utilizar diagnóstico, vacinação, manejo e biosseguridade de forma complementar.

Com a consolidação do ISKNV e o avanço das coinfecções bacterianas, a rentabilidade da tilapicultura dependerá cada vez mais da capacidade de antecipar problemas. Monitoramento constante e prevenção baseada em dados tornam-se, assim, ferramentas fundamentais para preservar a saúde dos peixes e a sustentabilidade econômica da atividade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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