Publicidade
Preços Agropecuários

Terra agrícola valoriza 8,7% ao ano em Sinop e reduz vantagem de custo do agro brasileiro

Estudo compara região de Mato Grosso com Iowa, nos Estados Unidos; terras brasileiras seguem mais baratas, mas valorização aproxima os mercados e dificulta expansão por compra de áreas


Publicado em: 07/10/2026 às 11:00hs

Terra agrícola valoriza 8,7% ao ano em Sinop e reduz vantagem de custo do agro brasileiro

A valorização das terras agrícolas entre 2002 e 2025 reduziu parte da vantagem de custo da produção de grãos no Brasil em relação aos Estados Unidos. Um estudo da Universidade Purdue mostra que os preços cresceram, em média, 8,7% ao ano na região de Sinop, em Mato Grosso, acima dos 7,7% registrados em Iowa, em valores nominais convertidos para dólar.

O levantamento utiliza dados da Universidade Estadual de Iowa e da S&P Global Energy. Embora a terra continue mais barata no recorte brasileiro, a diferença diminuiu ao longo do período, especialmente durante a valorização das commodities entre 2021 e 2023.

A comparação se limita aos dois mercados analisados e não representa a totalidade das terras agrícolas de Brasil e Estados Unidos.

Quanto custa a terra agrícola em Sinop e Iowa

Em 2025, o preço médio das terras alcançou US$ 11.549 por acre em Iowa, equivalente a aproximadamente US$ 28,5 mil por hectare.

Na região de Sinop, o valor foi de US$ 9.066 por acre, ou cerca de US$ 22,4 mil por hectare. Assim, o preço em Iowa ficou aproximadamente 27% acima do observado no município mato-grossense e em seu entorno.

Segundo o estudo, a distância entre os valores diminuiu durante o ciclo de alta das commodities de 2021 a 2023, quando a demanda internacional e a maior rentabilidade agrícola impulsionaram o mercado de terras.

Mercado brasileiro apresenta maior oscilação

Apesar da valorização nos dois países, a trajetória dos preços foi diferente. No recorte de Mato Grosso, as terras atingiram o pico em 2022 e recuaram posteriormente. Iowa apresentou maior estabilidade ao longo da comparação.

No Brasil, o mercado passou a enfrentar pressão de margens agrícolas mais apertadas, custos elevados, restrição de crédito e juros altos. Esses fatores dificultam a aquisição de novas áreas e influenciam a capacidade de investimento dos produtores.

Como os valores foram convertidos para dólar, as oscilações cambiais também interferem nos resultados e precisam ser consideradas na análise.

Terra mais cara eleva custo de expansão das propriedades

O encarecimento das áreas agrícolas aumenta o capital necessário para expandir a produção por meio da compra de terras.

Para quem já é proprietário, a valorização também amplia o custo de oportunidade: manter o patrimônio empregado na atividade exige considerar o retorno que esse capital poderia gerar em outras alternativas.

Nos Estados Unidos, a maior presença de áreas arrendadas cria uma exposição diferente. Nesse caso, os produtores ficam mais sujeitos ao aumento dos aluguéis, que afeta os custos de produção.

Vantagem brasileira permanece, mas ficou menor

A conclusão dos autores é que o custo da terra ainda favorece a produção brasileira no comparativo entre Sinop e Iowa. Entretanto, a valorização mais intensa no mercado mato-grossense reduziu essa diferença.

O estudo ressalta que os recortes analisados possuem características distintas. Por isso, os resultados devem ser interpretados considerando as particularidades de cada região e o efeito do câmbio sobre os preços em dólar.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias