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Bovinos de Corte

Exportações de carne bovina caem 35,1% em setembro com forte retração da China

Brasil embarcou 229,3 mil toneladas e faturou US$ 1,38 bilhão; vendas aos Estados Unidos cresceram, mas ainda não compensam a redução da demanda chinesa, segundo a ABIEC


Publicado em: 07/10/2026 às 11:50hs

Exportações de carne bovina caem 35,1% em setembro com forte retração da China

As exportações brasileiras de carne bovina somaram 229,3 mil toneladas em setembro de 2026, queda de 35,1% em relação às 353,1 mil toneladas do mesmo mês de 2025. A receita alcançou US$ 1,38 bilhão, recuo de 27,6% na comparação anual, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos embarques para a China diante da salvaguarda em vigor no país. As vendas ao mercado chinês caíram 93,2% em volume e 92,9% em receita frente a setembro do ano passado.

Na comparação com agosto, o volume total exportado pelo Brasil diminuiu 1,8%, enquanto o faturamento avançou 1,1%. Apesar da retração recente, a receita acumulada nos nove primeiros meses permanece acima da registrada em 2025.

China recebe apenas 12,9 mil toneladas em setembro

O Brasil destinou 12,9 mil toneladas de carne bovina à China em setembro, com receita de US$ 75,2 milhões. A queda encerrou um trimestre de menor fluxo para o principal comprador do produto brasileiro, após embarques mais intensos no primeiro semestre.

Em junho, as exportações totais do país haviam alcançado 317 mil toneladas e US$ 1,97 bilhão. O volume caiu para 264 mil toneladas em julho, 233 mil em agosto e aproximadamente 229 mil em setembro.

O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, atribui essa mudança à dificuldade de manter o ritmo de vendas ao mercado chinês. Segundo ele, o desempenho do primeiro semestre demonstrou a capacidade de produção e processamento da indústria brasileira, mas outros destinos ainda não conseguem absorver automaticamente a demanda perdida.

“Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”, afirmou em coletiva realizada em setembro.

Estados Unidos ampliam compras e lideram destinos no mês

Os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne bovina brasileira em setembro, crescimento de 389% sobre o mesmo mês de 2025. A receita atingiu US$ 313,8 milhões, alta de 333,8%.

O Chile também ampliou as aquisições, com 19,4 mil toneladas, avanço de 87,2%, e faturamento de US$ 117,5 milhões, aumento de 107,7%. A Rússia comprou 13,1 mil toneladas, alta de 20,5%, gerando US$ 66,5 milhões, crescimento de 40,2%.

Entre os demais mercados, a Indonésia recebeu 9,4 mil toneladas, expansão de 822%, com receita de US$ 33 milhões, alta de 642,2%. A Arábia Saudita importou 7,7 mil toneladas, aumento de 35,8%, e respondeu por US$ 44,4 milhões, avanço de 49,9%.

As vendas à Turquia chegaram a 5,9 mil toneladas e US$ 34,8 milhões, crescimentos de 129,5% e 135,2%, respectivamente. O Canadá recebeu 4 mil toneladas, alta de 870,7%, com faturamento de US$ 22,9 milhões, aumento de 830,8%.

Dados da União Europeia incluem período de transição dos embarques

A União Europeia registrou 20 mil toneladas e US$ 178,7 milhões em setembro, com aumentos anuais de 29,7% em volume e 34,7% em receita.

Segundo a ABIEC, esses números devem ser interpretados considerando a interrupção do fluxo de embarques ao bloco a partir de setembro, após a entrada em vigor de novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

No acumulado de janeiro a setembro, o mercado europeu somou 107,1 mil toneladas e US$ 942,8 milhões, altas de 27% e 37,9%. O resultado inclui as operações anteriores à interrupção.

Receita cresce 14,1% no acumulado, apesar de volume estável

Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, praticamente em linha com as 2,44 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. A variação foi de -0,5%.

O faturamento, por sua vez, alcançou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% sobre os US$ 12,42 bilhões registrados nos nove primeiros meses do ano passado.

Mesmo com a forte retração recente, a China continua como principal destino no acumulado. O país recebeu 912 mil toneladas, com receita de US$ 5,59 bilhões, quedas de 20,9% e 7,8%, respectivamente.

A participação chinesa correspondeu a 37,5% do volume e 39,4% da receita das exportações brasileiras de carne bovina no período.

Outros mercados ganham participação nas vendas brasileiras

Os Estados Unidos acumularam 317,4 mil toneladas entre janeiro e setembro, crescimento de 45%, com receita de US$ 2,08 bilhões, alta de 60,8%.

O Chile recebeu 126,7 mil toneladas, avanço de 38,2%, e gerou US$ 768 milhões, aumento de 54,4%. A Rússia somou 109,4 mil toneladas e US$ 531,8 milhões, crescimentos de 28,6% e 45,7%.

A Indonésia também se destacou, com 64,7 mil toneladas, alta de 294,8%, e receita de US$ 179,7 milhões, expansão de 136,1%. Já a Arábia Saudita comprou 57,7 mil toneladas, aumento de 26,3%, com faturamento de US$ 342,6 milhões, avanço de 56%.

Argentina, Turquia e Jordânia registraram crescimento no período. As vendas à Argentina atingiram 20,8 mil toneladas e US$ 95,1 milhões, altas de 101,5% e 147,6%. Para a Turquia, foram 20,6 mil toneladas e US$ 121,5 milhões, avanços de 31,9% e 57,4%.

A Jordânia recebeu 17,8 mil toneladas, crescimento de 57,4%, com receita de US$ 98 milhões, aumento de 82,8%.

Indústria prepara embarques para o próximo ciclo da cota chinesa

Com a aproximação do fim do ano, os frigoríficos começam a organizar contratos e embarques para que os produtos cheguem à China no próximo ciclo da cota.

Segundo Perosa, essa programação pode envolver vendas a partir de meados de outubro e novembro, dependendo dos contratos e do transporte marítimo.

A ABIEC mantém diálogo com o governo sobre alternativas para distribuir melhor a utilização da cota ao longo de 2027. Para o presidente da entidade, uma distribuição mais equilibrada dos embarques durante o ano seria mais favorável à organização dos negócios.

Carne in natura concentra 85,1% do volume de setembro

A carne bovina in natura respondeu por 85,1% das exportações em volume no mês, com 195,2 mil toneladas e receita de US$ 1,23 bilhão.

Os miúdos somaram 16,3 mil toneladas e US$ 39,2 milhões. Os produtos industrializados alcançaram 9 mil toneladas, com faturamento de US$ 85,3 milhões.

Também foram exportadas 5,3 mil toneladas de gorduras, que geraram US$ 12 milhões; 3 mil toneladas de tripas, com US$ 10,7 milhões; e 474 toneladas de carnes salgadas, com receita de US$ 3,6 milhões.

Fonte: Portal do Agronegócio

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