Trigo no Sul: chuvas ameaçam qualidade da safra e dólar baixo favorece importações
Colheita é interrompida no Rio Grande do Sul, moinhos catarinenses enfrentam oferta restrita e Paraná registra descontos para lotes de qualidade inferior
Publicado em: 07/10/2026 às 11:40hs
O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta uma combinação de colheita lenta, preocupação com a qualidade dos grãos e maior competitividade do cereal importado. Segundo a TF Agroeconômica, as chuvas dificultam os trabalhos no campo, enquanto a queda do dólar torna as compras externas mais atrativas para os moinhos.
A disponibilidade de trigo com qualidade industrial ganha importância nas negociações. No Rio Grande do Sul, compradores procuram lotes recém-colhidos que atendam aos parâmetros exigidos. No Paraná, a variação da qualidade da nova safra leva à aplicação de descontos, enquanto Santa Catarina enfrenta oferta limitada e perspectiva de menor produção.
Chuvas interrompem colheita do trigo no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, cerca de 1,5% da área havia sido colhida antes da paralisação provocada pelas chuvas. Os trabalhos estavam concentrados principalmente nas regiões Norte, Noroeste e Missões.
As primeiras análises dos lotes indicam peso hectolítrico (PH) entre 75 e 77, falling number (FN) acima de 250, força de glúten entre 120 e 180 e umidade de 20% a 24%.
A principal incerteza é a possibilidade de retomada das operações. Conforme a consultoria, os modelos meteorológicos avaliados apresentam divergências sobre as condições para colher nos próximos dias.
No mercado gaúcho, há demanda por lotes da safra nova sem FN baixo ou níveis elevados de DON. A indicação de compra é de R$ 1.400 por tonelada no interior, enquanto a referência para o trigo da safra anterior chega a R$ 1.550 por tonelada.
Dólar em queda aumenta competitividade do trigo importado
A desvalorização da moeda norte-americana amplia a atratividade do cereal de outros países e influencia as alternativas de abastecimento da indústria.
No Rio Grande do Sul, a última referência conhecida para o trigo uruguaio foi de US$ 305 por tonelada em Rio Grande.
No Paraná, o trigo paraguaio chegou a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais. Já o produto argentino de 11,5% foi indicado a US$ 325 por tonelada em Paranaguá.
Segundo a TF Agroeconômica, essas ofertas ampliam a pressão competitiva sobre o trigo brasileiro, em um momento de maior seletividade dos compradores quanto à qualidade.
Santa Catarina projeta menor área e produção de 243 mil toneladas
Em Santa Catarina, a oferta restrita de trigo de qualidade preocupa os moinhos e mantém a atenção sobre o abastecimento.
A expectativa apresentada para a safra 2026/27 é de redução de aproximadamente 35% na área plantada e de 2,5% na produtividade média. A produção está estimada em 243 mil toneladas.
O cenário reforça a importância da disponibilidade de lotes adequados às exigências industriais e das alternativas de aquisição fora do estado.
Qualidade irregular leva moinhos do Paraná a aplicar descontos
No Paraná, os grãos da safra nova apresentam diferenças expressivas de qualidade. Parte das áreas registra PH e falling number mais baixos, enquanto as ofertas de trigo Tipo 1 estão mais escassas.
Os moinhos já utilizam tabelas de descontos para ajustar os preços às características dos lotes recebidos. Com isso, a qualidade passa a ter peso decisivo na comercialização e no valor pago ao produtor.
A evolução das chuvas, a retomada da colheita e o comportamento do câmbio seguem como fatores centrais para o mercado, que precisa conciliar a oferta nacional disponível com as exigências da indústria de moagem.
Fonte: Portal do Agronegócio
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