Publicado em: 01/04/2026 às 12:00hs
A indisponibilidade de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros voltou a crescer em fevereiro de 2026, atingindo diretamente itens essenciais da cesta básica. Apesar da queda de preços em diversas categorias, o avanço da ruptura evidencia desafios no abastecimento e amplia a pressão sobre o consumo das famílias.
O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a ausência de produtos nas prateleiras, registrou 13,2% em fevereiro, alta de 0,7 ponto percentual em relação aos 12,5% observados em janeiro.
O aumento foi impulsionado principalmente por categorias essenciais, como açúcar, arroz, feijão, café, leite e ovos. O movimento ocorre mesmo em um cenário de recuo nos preços, indicando que fatores ligados à oferta, logística e dinâmica de demanda continuam impactando o abastecimento.
Segundo Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, a elevação generalizada da ruptura em itens básicos pressiona diretamente o orçamento das famílias, exigindo um consumidor mais estratégico, que passa a ajustar volumes, priorizar marcas e buscar alternativas para equilibrar os custos.
A indisponibilidade do açúcar chegou a 10,2% em fevereiro, avanço de 2,1 pontos percentuais sobre janeiro e o maior patamar desde outubro de 2025.
De acordo com o Cepea/Esalq-USP, o cenário é influenciado pelo aumento da competitividade das exportações, com a saca de 50 quilos acima de R$ 100, tornando o mercado externo mais atrativo e reduzindo a oferta interna.
Apesar disso, os preços recuaram no período:
A indisponibilidade do arroz segue em crescimento desde outubro de 2025, quando atingiu o menor nível da série histórica (6,8%). Em fevereiro, o índice alcançou 11,5%.
Mesmo com menor presença nas prateleiras, os preços apresentaram queda:
O feijão também registrou alta na indisponibilidade, passando de 8,2% em janeiro para 10% em fevereiro.
Os preços variaram conforme o tipo:
Após um período de estabilidade no fim de 2025, a ruptura do azeite avançou para 13,6% em fevereiro.
No mesmo intervalo, os preços recuaram:
A indisponibilidade do café atingiu 8% em fevereiro, avanço de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro.
Os preços apresentaram queda:
A ruptura do leite subiu de 8,8% em janeiro para 13,9% em fevereiro, indicando redução relevante na oferta.
Já os preços apresentaram queda ou estabilidade:
A categoria de ovos apresentou o maior avanço na ruptura, chegando a 27,2% em fevereiro, alta de 5,2 pontos percentuais em relação a janeiro.
No comportamento dos preços:
O cenário de fevereiro evidencia um movimento atípico no varejo: preços em queda combinados com aumento na ruptura. A situação reforça os desafios na cadeia de abastecimento e exige maior atenção do consumidor na hora da compra.
A tendência é de que, no curto prazo, a irregularidade na reposição de produtos continue impactando o consumo, mesmo com o alívio observado nos preços dos alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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