Preços agropecuários em setembro: açúcar sobe 17,69%, café recua e proteínas avançam
Agromensais do Cepea mostram oferta restrita sustentando açúcar, arroz e carnes, enquanto milho apresenta diferenças regionais e qualidade do trigo preocupa o mercado
Publicado em: 09/10/2026 às 10:40hs
Os mercados agropecuários brasileiros tiveram comportamentos distintos em setembro de 2026. A oferta limitada sustentou os preços do açúcar, do arroz e de proteínas animais, enquanto o café arábica registrou queda expressiva e o algodão perdeu valor no acumulado do mês. No milho, as cotações variaram entre as regiões acompanhadas.
O panorama consta nas agromensais de setembro do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Os levantamentos também destacam a valorização da soja e do farelo, a influência das chuvas sobre o setor sucroenergético e as preocupações com a disponibilidade de trigo de boa qualidade.
Açúcar: média mensal sobe 17,69% no mercado paulista
A restrição de oferta manteve os preços do açúcar cristal em alta em São Paulo. A média do Indicador CEPEA/ESALQ, referente ao produto com cor Icumsa de 130 a 180, alcançou R$ 118,98 por saca de 50 quilos em setembro.
O resultado representa aumento de 17,69% sobre a média de agosto, de R$ 101,10 por saca. Na comparação com setembro de 2025, quando a referência foi de R$ 118,65, o avanço nominal foi de 0,28%.
No encerramento de setembro, o indicador chegou a R$ 121,12 por saca, valorização de 6,48% frente aos R$ 113,75 registrados em 31 de agosto. A variação entre os fechamentos mensais, portanto, foi diferente daquela observada entre as médias dos dois meses.
Etanol: chuvas e petróleo sustentam hidratado e anidro
Os preços dos etanóis hidratado e anidro também encerraram setembro em alta no mercado spot paulista.
Segundo o Cepea, as chuvas dificultaram a colheita da cana-de-açúcar e, consequentemente, o processamento pelas usinas. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo aumentou a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, reforçando o movimento de alta dos biocombustíveis.
Café: avanço da oferta pressiona arábica
O café arábica apresentou queda expressiva de preços em setembro, acompanhada de negociações pontuais.
Entre os fatores apontados pelo Cepea estão a conclusão da colheita da safra 2026/27, a revisão positiva da produção brasileira, o ritmo elevado dos embarques e a recuperação dos estoques certificados na Bolsa de Nova York, a ICE Futures.
Nas lavouras, as chuvas registradas durante o mês nas regiões produtoras favoreceram as floradas relacionadas à safra 2027/28.
Soja e farelo: negociações aquecidas impulsionam cotações
Os mercados nacional e internacional de soja e farelo tiveram negociações aquecidas em setembro. Nesse ambiente, vendedores se retraíram, contribuindo para a valorização do grão e do derivado.
De acordo com o Cepea, a menor disponibilidade remanescente da safra 2025/26 também sustentou os preços da oleaginosa. As preocupações com possíveis efeitos do El Niño sobre a temporada 2026/27 reforçaram o movimento.
Milho: estoques dos compradores limitam novas aquisições
As cotações do milho apresentaram diferenças regionais. Houve recuos em praças paulistas, como Campinas e Itapeva, enquanto outras localidades registraram aumentos.
De modo geral, compradores evitaram adquirir novos lotes, com parte deles indicando disponibilidade de estoques para atender ao consumo imediato.
O ritmo das exportações brasileiras, inferior ao do ano anterior, também influenciou as decisões. Segundo o levantamento, compradores consideram que esse cenário pode ampliar a oferta disponível no mercado interno.
Trigo: clima desfavorável aumenta preocupação com qualidade
A possibilidade de menor oferta de trigo adequado à indústria manteve os agentes em alerta em setembro.
As condições climáticas desfavoráveis vêm comprometendo a qualidade do cereal e podem afetar a produtividade da safra de 2026. Na avaliação dos agentes consultados pelo Cepea, esse quadro pode elevar a necessidade de importações.
As incertezas sobre a produção brasileira, combinadas à valorização do trigo no mercado externo, sustentaram as cotações domésticas no mês.
Arroz: oferta restrita mantém recuperação no Rio Grande do Sul
Os preços do arroz em casca continuaram se recuperando no mercado gaúcho. A resistência dos produtores em ampliar as vendas reduziu a disponibilidade de matéria-prima e deu suporte às cotações.
A demanda oscilou ao longo de setembro. Em determinados períodos, a concorrência entre indústrias locais, compradores de outros estados e agentes ligados à exportação intensificou a disputa pelo cereal.
A recomposição de estoques de algumas empresas também contribuiu para sustentar a procura.
Algodão: pressão externa provoca queda no acumulado do mês
Os preços do algodão em pluma recuaram em setembro, influenciados pelas baixas internacionais e pela redução da paridade de exportação, principalmente na segunda quinzena.
Apesar da retração acumulada, a média mensal permaneceu elevada. Em termos reais, foi a maior registrada desde junho de 2025, segundo o Cepea.
Feijão: cautela nas compras e oferta limitada marcam transição de safra
Setembro reuniu a conclusão da colheita da terceira safra 2025/26 e o início da semeadura da temporada seguinte. No mercado, compradores mantiveram cautela, enquanto vendedores restringiram a oferta.
No campo, as atenções se voltaram aos efeitos das chuvas sobre as lavouras do Sudoeste Paulista. No Paraná, o acompanhamento incluiu a estimativa de redução da área da primeira safra e o atraso do plantio, mesmo diante da melhora na rentabilidade do feijão-preto.
Boi gordo: menor disponibilidade de animais sustenta altas
Após a volatilidade de agosto, setembro terminou com aumentos sucessivos ao longo da cadeia pecuária.
O Cepea relaciona esse movimento à menor oferta de animais de confinamento prontos para abate durante a entressafra. O levantamento também aponta melhora no volume exportado frente ao mês anterior e expectativa de retomada das compras chinesas como fatores de sustentação do mercado.
Frango: carnes têm maiores aumentos mensais desde março de 2022
As carnes de frango congelada e resfriada comercializadas no atacado da Grande São Paulo registraram, em setembro, os aumentos mensais mais expressivos desde março de 2022, em termos reais.
A demanda no mercado consumidor permaneceu firme, especialmente na primeira quinzena. Segundo o Cepea, o comportamento esteve associado ao maior poder de compra típico desse período do mês e ao feriado da Independência.
A oferta ajustada também favoreceu os reajustes. Para o início de outubro, os agentes consultados mantinham perspectivas favoráveis.
Ovinos: cordeiro vivo sobe até 6,7% nas praças acompanhadas
A baixa disponibilidade de animais prontos para comercialização sustentou os preços do cordeiro vivo na maioria dos estados monitorados pelo Cepea.
Em Mato Grosso, a média chegou a R$ 16,00 por quilo, alta de 6,7% sobre agosto. São Paulo registrou valorização de 4,2%, com média de R$ 16,67 por quilo.
No Rio Grande do Sul, o avanço foi de 4%, para R$ 15,98 por quilo. Já no Paraná, a média alcançou R$ 16,75 por quilo, aumento de 2,6% na comparação mensal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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