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Soja

Soja recua em praças brasileiras e Chicago aguarda USDA com safra dos EUA no radar

Preços cedem no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso, enquanto chuvas provocam avanço desigual do plantio; mercado internacional acompanha produção, estoques e demanda chinesa


Publicado em: 09/10/2026 às 11:20hs

Soja recua em praças brasileiras e Chicago aguarda USDA com safra dos EUA no radar
Foto: CNA

O mercado da soja reúne pressão sobre preços em parte das regiões brasileiras e expectativa pelos novos números de oferta e demanda dos Estados Unidos. No mercado físico, as negociações de quinta-feira (8) ocorreram de forma seletiva, com recuos em praças do Sul e do Centro-Oeste. No campo, a distribuição das chuvas mantém diferenças no ritmo de implantação da safra 2026/27.

Em Chicago, os contratos encerraram a quinta-feira em baixa, influenciados pelo avanço da colheita norte-americana, pelas vendas externas e pelo posicionamento dos investidores antes do relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Na manhã desta sexta-feira (9), o mercado buscava recuperação, conforme o acompanhamento divulgado por volta das 7h14, no horário de Brasília. A divulgação do boletim está prevista para as 13h de Brasília, com atenção à produtividade, à produção e aos estoques norte-americanos.

Preços da soja caem no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso

Segundo a TF Agroeconômica, as ofertas no Rio Grande do Sul recuaram R$ 0,50 por saca na quinta-feira. As referências ficaram em R$ 156,50 em Rio Grande, R$ 147,50 em Passo Fundo e R$ 148,50 em Santa Rosa.

A umidade excessiva dificulta a entrada das máquinas nas lavouras e mantém a semeadura em estágio inicial, conforme informações da Emater/RS-Ascar.

Em Mato Grosso, as praças acompanhadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) registraram queda de R$ 0,80 por saca. Rondonópolis apresentou referência de R$ 145,05, enquanto Sorriso ficou em R$ 137,40.

O plantio mato-grossense alcançava 10,23% da área até 2 de outubro, em um cenário de chuvas distribuídas de maneira irregular. Na comercialização, necessidade de caixa, frete e condições de pagamento continuam influenciando as decisões dos produtores.

Paraná e Santa Catarina mantêm referências estáveis

No Paraná, as cotações permaneceram em R$ 154,00 por saca em Paranaguá, R$ 143,00 em Cascavel e R$ 147,00 em Ponta Grossa.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), 36% da área havia sido semeada, com lavouras predominantemente em boas condições. As chuvas favorecem a germinação, mas também restringem novas operações de plantio e dificultam a logística.

Em Santa Catarina, Campos Novos manteve a referência de R$ 148,00 por saca. A implantação da safra apresenta ritmos distintos: as primeiras áreas do Oeste e do Meio-Oeste já registram emergência, enquanto outras localidades permanecem na preparação do solo.

Mato Grosso do Sul tem preços mistos e plantio em 18%

Dourados manteve a indicação de R$ 141,00 por saca. Em outras praças sul-mato-grossenses, houve recuos: Campo Grande ficou em R$ 136,50 e Chapadão do Sul, em R$ 135,00.

A semeadura atingia 18% da área em 2 de outubro, com diferenças expressivas entre as regiões do estado. Já a comercialização da safra 2025/26 alcançava 92% em 5 de outubro.

O quadro reforça a importância de observar as condições locais de negociação, além do comportamento dos contratos internacionais.

Chicago encerra quinta-feira em baixa para grão e farelo

Na Bolsa de Chicago, o contrato de soja com vencimento em novembro de 2026 fechou a quinta-feira a US$ 12,975 por bushel, queda de 5,50 centavos, ou 0,42%. Janeiro de 2027 terminou a US$ 13,145 por bushel, recuo de 4,75 centavos, ou 0,36%.

O avanço da colheita nos Estados Unidos e a expectativa de números potencialmente desfavoráveis aos preços no relatório do USDA contribuíram para as perdas.

Nos derivados, o farelo para dezembro de 2026 caiu US$ 5,20, ou 1,42%, encerrando a US$ 360,70 por tonelada. O óleo de soja teve direção oposta: o vencimento dezembro avançou 0,29%, para 67,62 centavos de dólar por libra-peso.

Na abertura de sexta-feira, o acompanhamento indicava tentativa de recuperação dos futuros. Por volta das 7h14, março de 2027 era cotado a US$ 13,19 por bushel e maio de 2027, a US$ 13,28.

USDA concentra atenções sobre produção e estoques

O relatório de outubro deve incorporar mais informações da colheita norte-americana e poderá ajustar o quadro de oferta e demanda da soja.

Analistas consultados por agências internacionais projetam produção dos Estados Unidos de 4,541 bilhões de bushels, ligeiramente acima dos 4,535 bilhões estimados pelo USDA em setembro.

Para os estoques finais norte-americanos, a expectativa é de 311 milhões de bushels, ante os 310 milhões do boletim anterior.

No balanço mundial, o mercado espera estoques finais de 123,8 milhões de toneladas para 2026/27, abaixo dos 124 milhões atualmente projetados. Para 2025/26, a previsão dos analistas é de redução de 125,3 milhões para 125,2 milhões de toneladas.

Esses números representam expectativas anteriores à divulgação do relatório. Os investidores também acompanharão eventuais mudanças nas estimativas para Brasil e Argentina.

China lidera compras semanais, mas ritmo da demanda segue em avaliação

As vendas líquidas de soja dos Estados Unidos para a temporada 2026/27 somaram 549,4 mil toneladas na semana encerrada em 1º de outubro, segundo o USDA. A China foi o principal destino, com 382,9 mil toneladas.

O resultado ficou dentro do intervalo esperado pelos analistas, de 450 mil a 1,2 milhão de toneladas, mas próximo do limite inferior.

Apesar da participação chinesa nas vendas da semana, o mercado continua buscando sinais de compras consistentes para absorver a oferta norte-americana. No Brasil, o acompanhamento das chuvas e do avanço da semeadura divide as atenções com Chicago, enquanto custos de entrega e disponibilidade de caixa orientam os negócios no mercado físico.

Fonte: Portal do Agronegócio

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