Preço do leite recua no Rio Grande do Sul e Conseleite projeta R$ 2,4754 por litro em agosto
Aumento da oferta nacional, importações de leite em pó e possíveis impactos do El Niño ampliam cautela entre produtores e indústrias
Publicado em: 31/08/2026 às 11:25hs
O valor de referência do leite no Rio Grande do Sul foi projetado em R$ 2,4754 por litro para agosto de 2026, segundo o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado (Conseleite/RS). A estimativa aponta leve redução em relação ao mês anterior e reforça o cenário de atenção para os custos e as margens da cadeia leiteira.
Na comparação com a referência de julho, fixada inicialmente em R$ 2,5005 por litro, a projeção representa queda de R$ 0,0252, equivalente a 1,01%.
Os cálculos foram apresentados durante reunião on-line do conselho e consideram informações coletadas nos primeiros 20 dias de agosto. O Conseleite funciona como uma referência para as negociações entre produtores e indústrias, mas não estabelece preço mínimo nem determina obrigatoriamente o valor pago pelo leite.
Valor consolidado de julho sobe 3,77%
Apesar da projeção de recuo em agosto, o valor consolidado referente a julho encerrou em R$ 2,5236 por litro. O resultado ficou R$ 0,0917 acima da referência de junho, calculada em R$ 2,4320 por litro.
A diferença corresponde a uma valorização de 3,77% na comparação mensal. O resultado consolidado é calculado após a incorporação de um conjunto mais amplo de informações sobre o desempenho dos produtos lácteos considerados na metodologia.
A projeção para agosto, portanto, interrompe parcialmente o movimento de alta observado no fechamento de julho e sinaliza possível pressão sobre os valores de referência no decorrer do segundo semestre.
Nova metodologia aponta leite a R$ 2,4128 por litro
O Conseleite/RS também passou a apresentar valores calculados com novos parâmetros, definidos após a atualização dos estudos da Câmara Técnica (Camatec).
Pelo novo modelo, o valor consolidado de julho ficou em R$ 2,4529 por litro. Para agosto, a projeção recuou para R$ 2,4128, diferença de R$ 0,0401 por litro, ou aproximadamente 1,63%.
Os dois conjuntos de valores — calculados pela metodologia anterior e pelos novos parâmetros — serão divulgados paralelamente até outubro. A apresentação simultânea busca permitir que produtores, indústrias e demais agentes compreendam os efeitos da mudança metodológica.
Maior oferta pode pressionar o preço do leite
O aumento sazonal da produção durante o segundo semestre está entre os principais fatores de atenção para o mercado. Com maior disponibilidade de leite no mercado interno, a relação entre oferta e demanda pode limitar a sustentação dos preços pagos ao produtor.
Segundo o coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, a entrada de leite em pó importado também precisa ser acompanhada por seus possíveis efeitos sobre a formação dos preços domésticos.
“Temos o aumento da oferta doméstica e a entrada do leite em pó importado, que são aspectos que precisam ser acompanhados, assim como o potencial impacto do El Niño, que também pode afetar a produção e a oferta de leite”, afirma.
O desempenho do consumo interno e a competitividade dos produtos importados serão determinantes para definir a intensidade da pressão sobre o mercado gaúcho nos próximos meses.
El Niño aumenta incertezas para a pecuária leiteira
Além dos fatores comerciais, as condições climáticas ampliam a preocupação dos produtores. O El Niño pode alterar a distribuição das chuvas, afetar o desenvolvimento das pastagens e interferir na produção de alimentos destinados ao rebanho.
No Rio Grande do Sul, o atraso no plantio do milho já acende um sinal de alerta para a produção de silagem. Conforme o vice-coordenador do Conseleite/RS, Darlan Palharini, a semeadura está atrasada em mais de 30 dias em quase metade das áreas cultiváveis.
A demora na implantação das lavouras pode comprometer o calendário agrícola, reduzir a qualidade do milho destinado à alimentação animal e elevar os custos da pecuária leiteira.
Produtores e indústrias adotam cautela nos investimentos
O cenário combina projeção de queda na referência do leite, possibilidade de aumento da oferta, concorrência dos produtos importados e riscos climáticos para a produção de volumosos.
Para Palharini, que também atua como secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), o momento exige atenção redobrada na gestão dos custos.
“A referência projetada reforça o momento de cautela de produtores e indústria com relação aos seus custos de produção e novos investimentos”, avalia.
A evolução dos preços dependerá do equilíbrio entre produção, importações, consumo e condições climáticas. Diante dessas incertezas, o planejamento financeiro e alimentar do rebanho ganha importância para preservar as margens das propriedades leiteiras e das indústrias.
Fonte: Portal do Agronegócio
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