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Logística e Transporte

Tensão no Oriente Médio: tráfego marítimo aumenta em Bab el-Mandeb, mas Estreito de Ormuz segue com movimento reduzido

Avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã melhora percepção do mercado, impulsiona circulação de navios no Mar Vermelho e reduz preocupações imediatas sobre o abastecimento global de petróleo


Publicado em: 28/07/2026 às 11:18hs

Tensão no Oriente Médio: tráfego marítimo aumenta em Bab el-Mandeb, mas Estreito de Ormuz segue com movimento reduzido

O tráfego marítimo na região estratégica de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas do comércio internacional de petróleo e commodities, voltou a registrar crescimento nesta semana, refletindo o aumento do otimismo em torno das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. Apesar da melhora, o fluxo de embarcações permanece abaixo dos níveis observados antes da intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Dados da plataforma de monitoramento marítimo Kpler mostram que 28 embarcações cruzaram Bab el-Mandeb na segunda-feira (27), o maior volume registrado nos últimos quatro dias. Ainda assim, o número permanece distante do pico mensal de 46 navios, alcançado em 14 de julho.

O aumento do tráfego é interpretado pelo mercado como um reflexo da expectativa de redução dos riscos para a navegação em uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, combustíveis e outras commodities.

Negociações entre EUA e Irã elevam confiança dos mercados

O cenário ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que as negociações entre Washington e Teerã seguem avançando e podem resultar em uma solução diplomática para o conflito.

Ao mesmo tempo, o governo norte-americano alertou que uma retomada das ações militares permanece no radar caso as conversas não evoluam. O Irã também indicou que poderá responder militarmente caso seja alvo de novos ataques.

A perspectiva de um entendimento reduz, ainda que temporariamente, os temores de interrupções nas cadeias globais de abastecimento de energia, fator que influencia diretamente os preços internacionais do petróleo e os custos logísticos do comércio mundial.

Transporte de petróleo volta a ganhar ritmo no Mar Vermelho

Entre as embarcações que ingressaram no Mar Vermelho na segunda-feira, quatro eram petroleiros de grande capacidade, incluindo:

  • um VLCC (Very Large Crude Carrier), capaz de transportar aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo;
  • dois navios da classe Suezmax, com capacidade próxima de 1 milhão de barris cada;
  • um petroleiro Aframax, que pode transportar cerca de 700 mil barris.

No sentido oposto, 16 embarcações deixaram o Mar Vermelho, sendo dez delas petroleiros. O grupo foi composto por:

  • quatro Suezmax;
  • três Aframax;
  • dois petroleiros de médio alcance;
  • um VLCC.

Entre os destaques está o superpetroleiro New Pearl, de bandeira de Hong Kong, que transporta aproximadamente 2 milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita com destino ao porto de Zhoushan, na China.

Segundo os registros, trata-se do quarto superpetroleiro chinês a utilizar essa rota desde que os houthis, grupo militante do Iêmen, anunciaram um bloqueio naval na região.

Estreito de Ormuz continua operando com fluxo limitado

Enquanto Bab el-Mandeb apresentou recuperação, o movimento no Estreito de Ormuz, considerado o principal corredor marítimo para exportação de petróleo do Oriente Médio, continua reduzido.

Na segunda-feira, apenas seis embarcações cruzaram a passagem, sendo:

  • quatro navios entrando no estreito;
  • dois deixando a região.

Entre eles estavam um petroleiro Suezmax ligado ao Irã e um VLCC que navegava com o sistema de identificação eletrônica (transponder) desligado, prática que costuma aumentar a atenção dos mercados devido às preocupações com segurança marítima e rastreamento das cargas.

No domingo, haviam sido registrados sete navios em trânsito pelo estreito, incluindo três petroleiros de derivados associados ao Irã.

Mercado acompanha riscos para petróleo, fretes e agronegócio

A evolução do tráfego marítimo em Bab el-Mandeb e no Estreito de Ormuz continua sendo monitorada de perto pelos mercados globais. Ambas as rotas são essenciais para o transporte de petróleo, fertilizantes, combustíveis e diversas commodities agrícolas.

Qualquer interrupção nesses corredores logísticos pode elevar os custos de frete, pressionar os preços internacionais da energia e impactar diretamente cadeias de suprimentos que abastecem países importadores e exportadores, incluindo o Brasil.

Para o agronegócio brasileiro, a estabilidade dessas rotas representa um fator estratégico, já que influencia o custo dos insumos agrícolas, o transporte marítimo internacional e a competitividade das exportações nacionais em um cenário global ainda marcado por elevada sensibilidade geopolítica.

Fonte: Portal do Agronegócio

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