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IPPA/Cepea recua em junho pressionado por cana e café, mas agro supera indústria na formação de preços

Índice de preços ao produtor agropecuário registra queda de 0,58% no mês, influenciado pelo desempenho do grupo Cana-Café, enquanto preços do setor apresentam resultado superior ao da indústria e acumulam retração de 9,52% em 2026


Publicado em: 20/07/2026 às 11:44hs

IPPA/Cepea recua em junho pressionado por cana e café, mas agro supera indústria na formação de preços

IPPA/Cepea recua em junho pressionado por cana e café, mas agro supera indústria na formação de preços

O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) registrou queda nominal de 0,58% em junho, na comparação com maio. O resultado foi influenciado principalmente pela forte retração do grupo Cana-Café, cujo desempenho negativo superou as altas verificadas nos segmentos de hortifrutícolas, grãos e pecuária.

Apesar da desaceleração mensal, os preços agropecuários apresentaram desempenho melhor que os preços industriais no período, reforçando a resiliência do setor em um ambiente marcado por oscilações cambiais e mudanças no mercado internacional de alimentos.

Cana e café lideram recuo do índice em junho

O principal fator para a queda do IPPA/Cepea foi o comportamento do IPPA-Cana-Café, que recuou 4,71% no mês.

Em contrapartida, os demais grupos registraram leves avanços:

  • IPPA-Hortifrutícolas: +1,16%;
  • IPPA-Grãos: +0,08%;
  • IPPA-Pecuária: +0,08%.

Mesmo com esses resultados positivos, eles não foram suficientes para compensar o peso da retração observada em cana-de-açúcar e café, dois dos principais componentes do índice.

Agro apresenta desempenho superior ao da indústria

Enquanto o IPPA/Cepea caiu 0,58%, o IPA-OG-DI, indicador que mede a evolução dos preços no atacado da indústria, registrou retração ainda maior, de 1,66% em junho.

Na prática, isso significa que os preços recebidos pelos produtores agropecuários apresentaram desempenho relativamente mais favorável do que os preços industriais ao longo do mês.

Mercado internacional e câmbio influenciam preços

No mercado externo, os preços internacionais dos alimentos, medidos em dólar, recuaram 0,34% em junho.

Entretanto, a desvalorização de 2,89% do real frente ao dólar alterou esse cenário para o mercado brasileiro. Convertidos para a moeda nacional, os preços internacionais dos alimentos registraram alta de 2,54%, evidenciando a importância do câmbio na formação dos preços agrícolas.

IPPA acumula queda de quase 10% em 2026

No acumulado de janeiro a junho de 2026, o IPPA/Cepea apresenta retração de 9,52%, refletindo um movimento generalizado de queda entre os principais grupos do agronegócio.

As variações acumuladas são:

  • IPPA-Cana-Café: -22,51%;
  • IPPA-Grãos: -8,60%;
  • IPPA-Hortifrutícolas: -4,65%;
  • IPPA-Pecuária: -4,34%.

O desempenho evidencia que a pressão sobre os preços ao produtor permanece presente em praticamente todas as cadeias produtivas do setor agropecuário.

Indústria sobe no ano, enquanto alimentos internacionais recuam

Enquanto o IPPA/Cepea acumula queda expressiva em 2026, o IPA-OG-DI registra alta de 0,69% no mesmo período, indicando comportamento distinto entre os preços agropecuários e industriais.

No mercado internacional, os alimentos acumulam:

  • queda de 10,64% em reais;
  • leve recuo de 0,03% em dólares.

Essa diferença reflete, sobretudo, a valorização acumulada de 10,51% do real frente ao dólar entre janeiro e junho, fator que reduziu o impacto dos preços internacionais sobre o mercado doméstico.

Perspectivas para o agronegócio

O comportamento do IPPA/Cepea reforça que os preços ao produtor continuam sendo influenciados por uma combinação de fatores internos e externos, como oferta, demanda, mercado internacional e variações cambiais.

Nos próximos meses, a evolução das cotações de commodities como café, cana-de-açúcar, grãos e proteínas, além do comportamento do dólar e da economia global, seguirá sendo determinante para a trajetória dos preços recebidos pelos produtores brasileiros e para a rentabilidade das principais cadeias do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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