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Logística e Transporte

Fretes agrícolas recuam em parte das rotas, mas seguem acima de 2025, aponta Conab

Levantamento de agosto mostra diferenças regionais, com altas de até 36,2% em Minas Gerais e 22,9% em Goiás; exportações de soja cresceram 7% no acumulado do ano


Publicado em: 05/10/2026 às 10:10hs

Fretes agrícolas recuam em parte das rotas, mas seguem acima de 2025, aponta Conab

Os fretes agrícolas perderam força em parte das principais rotas de escoamento de grãos em agosto de 2026, mas permaneceram, no conjunto das regiões analisadas, acima dos valores registrados no mesmo mês de 2025. O comportamento variou conforme a demanda por transporte, o ritmo das colheitas e a movimentação de produtos destinados ao mercado interno e à exportação.

Os dados constam do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 30 de setembro. A pesquisa acompanha os principais corredores de transporte de grãos em dez estados e mostra que as quedas mensais não foram suficientes para reverter a tendência de alta na comparação anual.

Entre os destaques do levantamento estão o avanço dos fretes ligados à colheita do café em Minas Gerais e a maior procura por transporte de sorgo de Goiás para o mercado mineiro.

Café em Minas Gerais e sorgo em Goiás impulsionam fretes

Em Minas Gerais, o avanço da colheita do café intensificou a movimentação de cargas. Os fretes registraram aumentos de até 36,2%, com destinos concentrados no sul do estado, principal produtor brasileiro do grão.

Goiás também apresentou valorização na maior parte das rotas monitoradas. O movimento foi sustentado, especialmente no fim de agosto, pelo transporte de sorgo para abastecer empresas produtoras de ração em Minas Gerais.

A demanda favoreceu os trajetos de curta e média distância, nos quais os valores do transporte subiram até 22,9%.

Mato Grosso mantém fretes firmes apesar das quedas mensais

Em Mato Grosso, a maioria das rotas registrou redução em relação ao mês anterior. Ainda assim, os fretes permaneceram firmes diante do patamar esperado para a temporada.

Segundo a Conab, a demanda por milho destinado à alimentação animal e à produção de combustíveis contribuiu para sustentar os valores, mantendo as tarifas próximas da estabilidade.

Em Mato Grosso do Sul, o levantamento também identificou predominância de estabilidade e retração. No Distrito Federal, todos os corredores acompanhados tiveram queda mensal, embora os preços continuassem elevados na comparação com agosto de 2025.

Bahia registra altas e pode enfrentar maior demanda com o algodão

Na Bahia, os fretes aumentaram em quase todas as rotas pesquisadas, com variações positivas de até 4,8%. A perspectiva de fortalecimento dos embarques de algodão nos meses seguintes poderá ampliar a pressão sobre o transporte rodoviário nas áreas produtoras e nos trajetos até os terminais portuários.

No Piauí, a movimentação logística cresceu, mas os preços tiveram comportamento desigual: as variações ficaram entre queda de 9,1% e alta de 5,6%.

Já no Maranhão, a concentração do escoamento da soja no primeiro semestre deu lugar a uma redução no transporte de cargas agrícolas e nos valores dos fretes.

São Paulo tem estabilidade e Paraná registra recuos na maioria das rotas

Em São Paulo, o mercado de fretes apresentou relativa estabilidade frente a julho. As rotas monitoradas oscilaram entre redução de 6,7% e aumento de 5,7%, refletindo o equilíbrio entre a disponibilidade de veículos e a demanda nas regiões produtoras.

No Paraná, houve leve valorização do transporte de feijão. Para os demais grãos, prevaleceu a tendência de queda na maior parte dos trajetos analisados.

Exportações de soja crescem 7%; embarques de milho diminuem

A demanda externa por soja manteve o escoamento da oleaginosa aquecido. Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil exportou 92,7 milhões de toneladas, volume 7% superior ao registrado nos primeiros oito meses de 2025.

No caso do milho, os embarques somaram 14,5 milhões de toneladas, uma redução de 7,9% na comparação anual. O resultado ocorreu em um cenário de valorização do cereal nos mercados brasileiro e internacional, conforme o boletim.

Os portos do Arco Norte responderam por 48,98% das exportações de milho no período, enquanto Santos concentrou 27,08% dos embarques.

Para a soja, a participação do Arco Norte foi de 38,85%, seguida pelo porto de Santos, com 34,42%. O terminal paulista também foi responsável por 44,02% das exportações de farelo de soja.

Importações de fertilizantes caem 13,7% até agosto

As importações brasileiras de fertilizantes totalizaram 25,38 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026.

O volume ficou aproximadamente 13,7% abaixo do observado no mesmo período de 2025, segundo a Conab.

Boletim Logístico - Setembro/2026

Fonte: Portal do Agronegócio

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