Preço do suíno vivo em Minas sobe para R$ 6,50/kg e acumula alta de 22,6% em três semanas
Recuperação das cotações alivia produtores, mas controle dos custos de alimentação, planejamento de compras e eficiência produtiva seguem decisivos para a rentabilidade das granjas
Publicado em: 05/10/2026 às 10:45hs
O preço de referência do suíno vivo em Minas Gerais chegou a R$ 6,50 por quilo na quinta-feira, 1º de outubro, uma alta de aproximadamente 4,8% sobre os R$ 6,20 registrados na semana anterior. A valorização dá continuidade à recuperação iniciada em setembro e amplia o debate sobre como transformar a melhora do mercado em rentabilidade para os produtores.
Em três semanas, a cotação de referência da Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais (BSEMG) avançou 22,6%. O movimento oferece alívio após um período de preços pressionados, mas o resultado econômico da atividade também depende dos gastos com alimentação, da produtividade dos animais e da gestão de suprimentos.
A nova referência foi definida durante encontro de produtores e representantes da cadeia da suinocultura mineira, realizado em Belo Horizonte.
Cotação do suíno reage após semanas de pressão
A trajetória de recuperação começou depois de o preço permanecer em R$ 5,30 por quilo durante várias semanas entre agosto e setembro. Esse ainda era o valor de referência em 10 de setembro.
Na semana seguinte, a cotação subiu para R$ 5,80 por quilo. Em 24 de setembro, alcançou R$ 6,20, antes de chegar aos R$ 6,50 definidos em 1º de outubro.
Para Minas Gerais, um dos principais estados produtores de carne suína do país, a reação representa uma melhora nas condições de comercialização. Entretanto, as oscilações das cotações e dos custos continuam influenciando diretamente as margens das granjas.
Segundo Sérgio Beppu, diretor de Supply Chain da Vaccinar, o avanço dos preços precisa ser acompanhado por uma avaliação permanente dos indicadores da produção.
“É claro que a recuperação do preço do suíno traz um alívio para o produtor, mas rentabilidade não depende apenas do valor recebido pelo animal. O resultado é construído dentro da granja, com planejamento, controle de custos, eficiência produtiva e uma boa estratégia de suprimentos”, afirma.
Alimentação deve ser avaliada pelo custo de produção
A nutrição ocupa posição central nessa análise. Para avaliar o retorno da alimentação, o produtor precisa relacionar o investimento em ração ao desempenho dos animais e à quantidade de alimento necessária para produzir cada quilo de carne.
De acordo com Beppu, observar apenas o preço da tonelada de ração limita a avaliação econômica. Conversão alimentar, desempenho e uniformidade dos animais ajudam a identificar se a estratégia nutricional está contribuindo para melhorar os resultados da granja.
“Uma nutrição eficiente precisa se traduzir em melhor conversão alimentar, desempenho e previsibilidade. É aí que pequenos ganhos de eficiência podem fazer uma diferença importante na margem do produtor”, destaca.
Assim, a análise dos custos deve considerar o resultado obtido ao longo da produção, permitindo avaliar a relação entre alimentação, produtividade e margem.
Milho e farelo de soja exigem planejamento de compras
As variações nos preços do milho e do farelo de soja, matérias-primas utilizadas na alimentação dos suínos, também interferem nos custos da atividade. Por isso, o planejamento de compras precisa acompanhar as necessidades da produção e os movimentos do mercado.
Na avaliação de Beppu, a gestão de suprimentos vai além da negociação de preços. Ela envolve monitoramento das matérias-primas, organização das compras e antecipação das demandas da granja sempre que possível.
A integração entre abastecimento e nutrição, segundo o executivo, ajuda a reduzir a exposição às oscilações e oferece maior previsibilidade ao negócio.
Recuperação dos preços abre espaço para revisar a operação
O período de valorização também pode ser aproveitado para reavaliar custos, acompanhar indicadores e preparar a atividade para novos ciclos de mercado.
Beppu ressalta que a melhora da receita deve vir acompanhada de decisões voltadas ao fortalecimento da operação, com atenção à eficiência e ao conhecimento dos números da propriedade.
“Quando o mercado melhora, é importante que o produtor não olhe apenas para o ganho imediato. É uma oportunidade para reorganizar margens, avaliar indicadores e preparar a granja para o próximo ciclo”, afirma.
Esses temas integraram o Encontro Técnico Vaccinar de Suinocultura, realizado em 1º de outubro na sede da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), em Belo Horizonte. A programação reuniu produtores e profissionais do setor para discutir mercado, nutrição, suprimentos e estratégias de gestão voltadas à rentabilidade da produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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