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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo tem oferta restrita no Sul e sobe em Chicago com tensão no Mar Negro

Escassez de grãos de qualidade mantém preços firmes no Brasil e estimula importações; TF Agroeconômica recomenda comercialização gradual diante das oscilações do mercado


Publicado em: 05/10/2026 às 10:50hs

Trigo tem oferta restrita no Sul e sobe em Chicago com tensão no Mar Negro

A baixa disponibilidade de trigo da safra velha e as dificuldades para encontrar grãos de qualidade sustentam os preços no Sul do Brasil, enquanto a nova colheita avança de maneira desigual. No mercado internacional, os futuros subiam em Chicago na manhã desta segunda-feira (5), diante das preocupações com o escoamento de grãos pelo Mar Negro.

Segundo a TF Agroeconômica, a restrição da oferta doméstica leva moinhos a buscar alternativas de abastecimento, inclusive no exterior. Para produtores, cooperativas e compradores, o cenário exige atenção à qualidade dos lotes, às referências regionais e ao momento de negociar.

Safra velha escassa sustenta preços no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, os negócios com trigo da safra anterior são raros. As operações pontuais ocorrem em torno de R$ 1.550 por tonelada no interior, enquanto vendedores pedem R$ 1.600.

A colheita da nova safra foi retomada nas Missões e na região de Santa Rosa, mas ainda há poucas áreas prontas. Para o produto recém-colhido, os moinhos oferecem aproximadamente R$ 1.400 por tonelada.

A chegada de trigo uruguaio está prevista para outubro. A última referência conhecida do produto importado era de US$ 305 em Rio Grande.

No mercado de balcão, Panambi registrou alta de R$ 2, alcançando R$ 74 por saca, enquanto Espumoso apresentou referência de R$ 78.

Moinhos catarinenses buscam trigo de melhor qualidade

Em Santa Catarina, a procura por trigo da safra velha continua elevada para assegurar a qualidade da matéria-prima utilizada na fabricação de farinhas.

De acordo com a TF Agroeconômica, a restrição de abastecimento levou um moinho local a reajustar sua tabela de farinhas em 11,5%, percentual ainda considerado insuficiente diante dos custos.

O trigo gaúcho é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, com acréscimo de R$ 180 de frete. O produto novo do Paraná chega a R$ 1.600, mas com incertezas sobre a qualidade dos lotes.

As referências de balcão variam de R$ 72 por saca em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê. Em Joaçaba, o preço subiu para R$ 73,17.

Qualidade da nova safra preocupa no Paraná

No Paraná, praticamente não há oferta de trigo da safra anterior. Restam negócios pontuais com sobras de sementes, em torno de R$ 1.600 por tonelada.

Na nova colheita, parte dos lotes apresenta peso hectolítrico ou índice de queda reduzidos. Também houve abandono de áreas com germinação dos grãos, segundo a consultoria. O quadro motiva pedidos de renegociação de contratos por produtores, enquanto moinhos estabelecem tabelas de descontos conforme as características do produto.

No levantamento, as indicações para trigo tipo 1 variavam de R$ 1.550 por tonelada para entrega em setembro a R$ 1.450 em novembro, mas as ofertas desse padrão haviam desaparecido.

As alternativas importadas também ficaram mais caras. O trigo paraguaio alcançou US$ 320 nos Campos Gerais, enquanto o argentino foi cotado a US$ 325 em Paranaguá.

Trigo avança em Chicago com risco aos embarques do Mar Negro

Na Bolsa de Chicago, o trigo operava em alta nesta segunda-feira (5), sustentado pelo temor de novas interrupções nas exportações diante do agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Por volta das 9h08, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 avançava 10,75 pontos, para US$ 6,93 por bushel. Março/27 subia 10,25 pontos, a US$ 7,07, e maio/27 ganhava 9,50 pontos, a US$ 7,13. Julho/27 também era negociado a US$ 7,13 por bushel, com valorização de 8,75 pontos.

O movimento apontava para a terceira sessão consecutiva de alta. As preocupações envolvem ataques à infraestrutura ucraniana e possíveis restrições adicionais em uma das principais rotas do comércio mundial de trigo.

Segundo informações citadas pela Bloomberg, as exportações russas de trigo recuaram 75% em setembro na comparação anual, para 1,36 milhão de toneladas. Na Ucrânia, bloqueios e danos à infraestrutura portuária e ferroviária também limitam os embarques.

A valorização do trigo oferecia suporte à soja e ao milho, que operavam em terreno positivo naquela manhã.

Comercialização gradual ganha importância

Diante da combinação de preços internos firmes e volatilidade internacional, a TF Agroeconômica recomenda distribuir compras e vendas ao longo do tempo.

Para os produtores, a orientação é aproveitar momentos de valorização para negociar parte da safra e separar os lotes por qualidade. O preço regional deve permanecer como principal referência comercial, enquanto Chicago pode auxiliar na avaliação de estratégias de proteção. A consultoria destaca a faixa de US$ 6,70 a US$ 6,80 por bushel como suporte a acompanhar.

Às cooperativas, a análise sugere escalonar vendas, avaliar fixações antecipadas e preservar grãos de qualidade superior para períodos de maior demanda. Para cerealistas, o foco deve estar nas margens e no giro dos estoques, considerando que as altas podem não ser contínuas.

Os moinhos, por sua vez, precisam ponderar o risco de esperar por preços menores em um mercado com oferta limitada de trigo adequado à panificação. Compras graduais podem ajudar a garantir abastecimento e distribuir os custos.

Para exportadores, a competitividade depende da combinação entre câmbio, fretes, bolsas internacionais e disponibilidade de países concorrentes. A valorização do trigo no mercado brasileiro, isoladamente, não assegura melhores condições de venda ao exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

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