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Logística e Transporte

Frete rodoviário sobe em junho mesmo com queda do diesel e agronegócio deve manter pressão sobre preços

Alta de 0,93% no valor do frete reflete mudanças regulatórias, aumento da demanda logística e expectativa de forte movimentação da safra com o Plano Safra 2026/27.


Publicado em: 13/07/2026 às 10:55hs

Frete rodoviário sobe em junho mesmo com queda do diesel e agronegócio deve manter pressão sobre preços

O transporte rodoviário de cargas voltou a registrar alta no Brasil em junho. O preço médio do frete por quilômetro rodado alcançou R$ 8,67, avanço de 0,93% em relação a maio, mesmo diante da redução dos preços do diesel. Os dados são da Edenred Mobilidade, que atribui o movimento principalmente às mudanças regulatórias e ao aquecimento da demanda por transporte, impulsionada pelo agronegócio e pela recuperação da atividade industrial.

Segundo a empresa, o principal fator de pressão foi a ampliação da obrigatoriedade da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), prevista em resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida também passa a abranger operações realizadas por frotas próprias, exigindo o cumprimento da tabela do Piso Mínimo de Frete e elevando os custos operacionais do setor.

Novas regras elevam custos do transporte

De acordo com a Edenred Mobilidade, a regulamentação amplia o controle sobre as operações de transporte e tende a impactar diretamente a formação dos preços dos fretes em todo o país.

A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado, com prazo previsto até 16 de julho. Caso confirmada, a norma consolidará a obrigatoriedade do CIOT para um número maior de operações logísticas.

Segundo o diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes, as novas exigências regulatórias compensaram o alívio proporcionado pela redução dos custos dos combustíveis.

"O leve aumento do frete em junho foi impulsionado principalmente pelas novas exigências relacionadas ao CIOT e ao cumprimento do Piso Mínimo de Frete, que elevaram os custos das operações mesmo diante da queda do diesel."

Diesel recua, mas não impede alta do frete

Embora o custo do combustível tenha diminuído durante o mês, a redução não foi suficiente para conter a valorização dos fretes.

Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra que o diesel S-10, o mais utilizado no transporte rodoviário brasileiro, encerrou junho com preço médio de R$ 7,22 por litro, queda de 1,37% frente a maio.

Já o diesel comum apresentou recuo ainda maior, de 2,10%, fechando o mês cotado a R$ 6,98 por litro.

Agronegócio impulsiona demanda por transporte

Além das mudanças regulatórias, o desempenho do agronegócio segue sustentando a demanda por transporte de cargas em todo o país.

A movimentação da produção agrícola, especialmente da segunda safra, continua exigindo elevada capacidade logística. O cenário ganhou novo impulso com o lançamento do Plano Safra 2026/2027, que destinou R$ 525,1 bilhões para o financiamento da agricultura empresarial.

Com maior disponibilidade de crédito e expectativa de crescimento da produção, o setor deverá ampliar o volume de cargas transportadas nos próximos meses, mantendo o mercado de fretes aquecido.

Indústria também reforça perspectiva positiva

Outro indicador que fortalece a expectativa de demanda é a recuperação gradual da indústria brasileira.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou 3 pontos em junho, atingindo 100,1 pontos e registrando a segunda alta consecutiva.

O desempenho sinaliza melhora na atividade industrial e maior necessidade de escoamento de estoques, fator que tende a ampliar a contratação de transporte rodoviário ao longo do segundo semestre.

Perspectiva para os próximos meses

Na avaliação da Edenred Mobilidade, o mercado de fretes deverá permanecer aquecido ao longo dos próximos meses. A combinação entre a forte atividade do agronegócio, os investimentos do Plano Safra, a recuperação da indústria e as novas exigências regulatórias cria um ambiente favorável para a manutenção dos preços do transporte rodoviário em níveis elevados.

Com o avanço da colheita, da comercialização da produção agrícola e do escoamento das cargas industriais, o setor logístico continuará desempenhando papel estratégico para a economia brasileira, sustentando uma demanda consistente por serviços de transporte em todo o território nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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