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Logística e Transporte

Frete rodoviário cai 2,7% em julho com recuo do diesel, mas ainda acumula alta anual de 17,2%

Preço médio do transporte de cargas encerrou o mês em R$ 0,403 por tonelada por quilômetro; Sudeste apresentou o maior valor regional e Norte foi a única região com avanço mensal


Publicado em: 26/08/2026 às 11:25hs

Frete rodoviário cai 2,7% em julho com recuo do diesel, mas ainda acumula alta anual de 17,2%

O preço médio do frete rodoviário de cargas no Brasil caiu 2,7% em julho na comparação com junho, encerrando o mês em R$ 0,403 por tonelada por quilômetro rodado. Os dados fazem parte do Índice Frete.com de Preços (IFP), elaborado pela plataforma Frete.com.

Apesar do recuo mensal, o transporte rodoviário permanece mais caro do que no ano passado. Em julho de 2025, o valor médio nacional estava em R$ 0,344 por tonelada por quilômetro. Na comparação anual, portanto, o indicador acumula valorização aproximada de 17,2%.

A queda observada em julho foi disseminada por quatro das cinco regiões brasileiras. Apenas o Norte apresentou aumento no preço médio do frete durante o período.

Queda do diesel reduz custos nas rotas rodoviárias

A retração do preço do diesel foi o principal fator de pressão sobre o frete rodoviário em julho. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicaram redução no valor médio do diesel S10 ao longo do mês.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também reduziu de R$ 7,35 para R$ 6,97 o preço de referência do combustível utilizado no cálculo dos pisos mínimos do frete.

Como o diesel representa uma das principais despesas da atividade, a redução ajudou a diminuir os custos variáveis das transportadoras e dos caminhoneiros. O impacto foi mais significativo nas operações de longa distância, nas quais o consumo de combustível tem maior peso sobre o valor final do serviço.

Colheita mais lenta do milho pode ter distribuído demanda

O avanço mais lento da colheita do milho segunda safra também pode ter contribuído para distribuir a demanda por transporte ao longo de julho.

A menor concentração das operações de retirada e escoamento dos grãos tende a aliviar a disputa por caminhões em momentos específicos, reduzindo a pressão sobre as tarifas. Entretanto, ainda não existem informações oficiais suficientes para confirmar que esse movimento tenha sido determinante para a queda nacional do frete.

A dinâmica do transporte de produtos agrícolas continua sendo uma variável relevante para o mercado, especialmente durante os períodos de colheita de grandes volumes de soja, milho, algodão e outras commodities.

Sudeste mantém frete mais caro do Brasil

O Sudeste permaneceu como a região com o maior preço médio de frete rodoviário em julho, alcançando R$ 0,430 por tonelada por quilômetro.

Na sequência ficaram o Sul, com R$ 0,381; o Nordeste, com R$ 0,363; o Centro-Oeste, com R$ 0,342; e o Norte, com R$ 0,321 por tonelada por quilômetro rodado.

Na comparação com junho, o Sudeste apresentou a maior redução regional, de 2,9%. O preço também caiu no Nordeste, com retração de 2,7%; no Sul, com recuo de 2,6%; e no Centro-Oeste, onde a diminuição foi de 0,3%.

O Norte foi a única região com valorização mensal, registrando aumento de 0,9%.

Mesmo depois da queda de julho, os valores médios do Nordeste, Centro-Oeste e Norte permaneceram acima dos níveis observados em maio. Sudeste e Sul, por sua vez, ficaram ligeiramente abaixo dos patamares registrados naquele mês.

Frete para caçambas acumula alta de 20,2% em 2026

Entre os diferentes tipos de carroceria acompanhados pelo levantamento, as caçambas registraram a maior valorização acumulada em 2026. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta chegou a 20,2%.

Os graneleiros apareceram em seguida, com avanço anual de 15,1%. Também foram observados aumentos para grade baixa, de 7,6%; sider, de 7,5%; e baú, de 6,7%.

Na comparação mensal, entretanto, as caçambas foram a única categoria que apresentou valorização. O preço médio subiu 3,1% em julho frente a junho.

Os demais segmentos registraram quedas: graneleiros recuaram 0,6%, caminhões baú caíram 1,8%, sider tiveram baixa de 1,9% e grade baixa apresentou retração de 2,3%.

Caminhão baú registra maior preço médio

Entre as principais carrocerias apresentadas pelo Frete Insights, o caminhão baú teve o maior preço médio em julho, atingindo R$ 0,655 por tonelada por quilômetro rodado.

O transporte realizado por sider apresentou média de R$ 0,540, enquanto o graneleiro ficou em R$ 0,345 por tonelada por quilômetro.

As diferenças refletem fatores como tipo de mercadoria transportada, necessidade de proteção da carga, disponibilidade de veículos, distâncias percorridas e características operacionais de cada segmento.

Disponibilidade de motoristas aumenta em julho

O indicador de liquidez do mercado também apresentou mudança. A relação média de motoristas disponíveis por carga no Brasil passou de 3,71 em junho para 4,17 em julho.

De acordo com a classificação utilizada pelo Frete Insights, resultados superiores a dois indicam excesso de fretes no mercado monitorado.

Na comparação mensal, a relação entre cargas e caminhões aumentou em todas as regiões. O Sul liderou o movimento, com crescimento de 20,9%, seguido pelo Nordeste, com 17,3%; Sudeste, com 11,4%; Centro-Oeste, com 5,6%; e Norte, com 0,6%.

No acumulado de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, apenas o Sudeste registrou aumento, de 5,8%. O indicador caiu no Sul, com retração de 22,5%; no Nordeste, de 5,6%; no Centro-Oeste, de 3,6%; e no Norte, de 2,3%.

Os dados mostram que, embora a redução do diesel tenha provocado alívio mensal nos custos, o frete rodoviário brasileiro continua significativamente acima dos valores registrados no ano passado, mantendo a logística como um componente relevante na formação dos custos do agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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