Frete recua em julho no Brasil, mas safra de milho deve pressionar demanda por caminhões em agosto
Preço médio do transporte rodoviário caiu 0,46% no mês passado, para R$ 8,63 por quilômetro rodado; avanço da colheita do milho safrinha pode aumentar a procura por caminhões e influenciar os valores do frete
Publicado em: 14/08/2026 às 10:20hs
O preço médio do frete rodoviário no Brasil apresentou leve queda em julho, mas o avanço da colheita da segunda safra de milho deve manter aquecida a demanda por transporte em agosto. Os dados são da Edenred Mobilidade, com base nas transações de frete e vale-pedágio administradas pela companhia.
O valor médio do frete encerrou julho em R$ 8,63 por quilômetro rodado, uma retração de 0,46% em relação a junho. O resultado ocorre após uma alta próxima de 1% registrada no mês anterior.
Segundo a Edenred, a redução dos custos operacionais, especialmente devido ao comportamento do preço do diesel, contribuiu para o recuo observado no transporte rodoviário de cargas.
Safra de milho aumenta demanda por transporte
Apesar da queda registrada em julho, o cenário pode mudar ao longo de agosto. O avanço da colheita da segunda safra de milho, também conhecida como safrinha, tende a elevar a necessidade de caminhões para o escoamento da produção.
A movimentação envolve o transporte do milho das propriedades rurais para armazéns, cooperativas, unidades de processamento, portos e demais destinos comerciais.
Com maior volume de cargas disponível, a disputa por capacidade de transporte pode aumentar em determinadas regiões produtoras, criando pressão sobre os preços do frete.
De acordo com a Edenred, esse movimento deve elevar a procura por caminhões e pode influenciar o comportamento dos valores cobrados pelo transporte ao longo de agosto.
Diesel ajuda a aliviar custos do transporte
A queda do frete em julho também esteve relacionada ao comportamento dos combustíveis. Segundo a companhia, o diesel registrou o terceiro mês consecutivo de redução, depois de atingir um pico em abril.
O combustível representa um dos principais componentes dos custos operacionais do transporte rodoviário e, por isso, suas oscilações têm impacto direto sobre a formação dos preços do frete.
A desaceleração das cotações internacionais do petróleo e medidas adotadas pelo governo brasileiro também contribuíram para reduzir a pressão sobre os preços internos dos combustíveis, segundo a análise da Edenred.
Agronegócio mantém ritmo, enquanto indústria desacelera
O levantamento também aponta comportamentos distintos entre os principais setores responsáveis pela movimentação de cargas no país.
Enquanto o agronegócio apresenta maior dinamismo, impulsionado principalmente pelo período de colheita e escoamento das safras, a indústria brasileira mostrou sinais de desaceleração em julho.
Essa diferença é importante para o mercado de transporte rodoviário, já que alterações no volume de produção e distribuição de diferentes segmentos influenciam diretamente a demanda por caminhões.
No caso do agronegócio, períodos de colheita costumam concentrar a necessidade de transporte em determinadas regiões e podem provocar alterações temporárias nos preços.
Nova tabela de frete da ANTT pode aumentar previsibilidade
Para os próximos meses, a formação dos preços do transporte deverá continuar condicionada ao comportamento dos combustíveis, à atividade econômica e à movimentação das principais cadeias produtivas.
A nova tabela de pisos mínimos de frete da ANTT e mudanças na legislação também devem contribuir para aumentar a conformidade na formação dos valores cobrados pelo transporte rodoviário.
Segundo Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, a combinação entre dinâmica dos diferentes setores e preço dos combustíveis continuará sendo determinante para o mercado.
A expectativa é de que as novas regras contribuam para uma maior adequação dos preços praticados no setor, especialmente em um cenário de forte movimentação de cargas agrícolas.
Frete agrícola entra no radar em agosto
Com a colheita do milho safrinha avançando, o frete agrícola passa a ganhar ainda mais importância para produtores, transportadoras, cooperativas e empresas que dependem do escoamento da produção.
O comportamento dos preços em agosto dependerá, entre outros fatores, do ritmo da colheita, da disponibilidade de caminhões, das distâncias percorridas e da demanda por transporte em cada região.
Assim, mesmo com o recuo de julho, o mercado pode enfrentar novas pressões durante o período de maior movimentação da safra de milho.
Principais pontos do mercado de frete
- Frete médio em julho: R$ 8,63 por km rodado;
- Variação mensal: queda de 0,46%;
- Diesel: terceiro mês consecutivo de redução, segundo a Edenred;
- Milho safrinha: avanço da colheita deve aumentar a demanda por caminhões;
- Agosto: possibilidade de pressão sobre os preços do transporte;
- ANTT: nova tabela de pisos mínimos deve contribuir para maior conformidade no mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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