Fertilizantes sobem até 16% em junho, enquanto demanda derruba preços de outros insumos agropecuários
Mercado de insumos agropecuários em São Paulo teve comportamento misto no mês, com alta de fertilizantes formulados e queda nos preços de combustíveis, milho e medicamentos veterinários
Publicado em: 14/08/2026 às 10:50hs
Os preços dos insumos agropecuários apresentaram movimentos distintos em São Paulo durante junho. Enquanto alguns fertilizantes registraram fortes altas, outros produtos tiveram redução de preços diante da menor demanda interna, da sazonalidade das compras e da melhora em parte das condições de oferta.
Os dados são da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base em informações da CNA/ESALQ-USP, por meio do projeto Campo Futuro. O levantamento mostra que o mercado continuou sendo influenciado pelos custos internacionais, questões logísticas e pelo comportamento das commodities.
Fertilizantes registram altas de até 16%
Entre os principais destaques do levantamento está o avanço dos preços de fertilizantes formulados.
O fertilizante 20-00-20 subiu 16% por tonelada em junho, enquanto o formulado 05-25-25 apresentou alta de 15,5% no mesmo período.
Segundo a Faesp, as elevações refletem a continuidade dos impactos provocados pelos conflitos geopolíticos sobre as cadeias globais de abastecimento. Os custos logísticos ainda elevados também contribuíram para pressionar produtos com maior exposição ao mercado internacional.
Apesar das altas, o comportamento dos fertilizantes não foi uniforme.
O formulado 04-20-20 registrou queda de 17,5% por tonelada, enquanto o 20-00-20 comercializado em embalagem de 50 quilos recuou 4,4%.
Também apresentaram redução:
- Corretivo calcítico: -10,7%
- Sulfato de amônio granulado: -8,4%
- Super simples granulado: -3%
- Ureia de 50 kg: -1,8%
De acordo com o levantamento, a retração da demanda interna e a normalização de parte das rotas internacionais ajudaram a aliviar os preços de determinados produtos.
Combustíveis ficam mais baratos no campo
Os preços dos combustíveis também recuaram em junho, reduzindo parte da pressão sobre os custos operacionais do produtor rural.
O etanol caiu 4,3%, enquanto o diesel recuou 2,7% e a gasolina teve baixa de 0,5%.
O movimento ocorreu em um cenário de queda de aproximadamente 18% nas cotações internacionais do petróleo entre maio e junho, combinado com ajustes no mercado doméstico.
No caso do etanol, a maior disponibilidade do produto contribuiu para a redução dos preços.
A trajetória dos combustíveis é especialmente relevante para o agronegócio, já que diesel e outros derivados de petróleo possuem forte impacto sobre operações como preparo do solo, plantio, colheita, transporte e movimentação de cargas.
Milho e medicamentos veterinários também recuam
Entre os insumos utilizados na pecuária, o preço da saca de milho em grão caiu 3% em junho.
A redução ocorre em um mercado no qual o milho exerce papel importante na composição dos custos de alimentação animal, especialmente na produção de aves, suínos e bovinos confinados.
Os medicamentos veterinários também registraram quedas expressivas.
O preço do Fluralaner Pour-on 5I recuou 19%, enquanto o Levamisol caiu 8,1%.
Segundo o levantamento, a retração está relacionada principalmente à sazonalidade das compras. Durante junho, os produtores tendem a reduzir a aquisição desses produtos, em um período marcado também por menor incidência de contaminação dos rebanhos por parasitas.
Mercado de insumos segue pressionado por fatores externos e internos
O comportamento dos preços em junho evidencia que o mercado de insumos agropecuários continua sujeito a uma combinação de fatores domésticos e internacionais.
De um lado, fertilizantes mais expostos ao mercado externo permanecem vulneráveis a questões geopolíticas, custos de transporte e condições das cadeias globais de abastecimento. De outro, a menor demanda e a recomposição da oferta contribuíram para reduzir os preços de diversos produtos.
Para o produtor rural, esse cenário reforça a importância do planejamento de compras e do acompanhamento dos preços dos principais componentes do custo de produção.
A combinação entre fertilizantes, combustíveis, sementes, defensivos, alimentação animal e medicamentos pode determinar mudanças relevantes na rentabilidade das atividades agrícolas e pecuárias.
Fertilizantes e custos de produção no radar do produtor
Com a aproximação de períodos de maior demanda por determinados insumos, o comportamento dos preços deve continuar sendo acompanhado de perto pelo setor.
As oscilações registradas em junho mostram que não há uma tendência única para o mercado. Enquanto alguns fertilizantes tiveram valorização de dois dígitos, produtos como milho, combustíveis e medicamentos veterinários apresentaram quedas.
O cenário reforça a necessidade de decisões estratégicas de compra, considerando tanto os preços atuais quanto as perspectivas para oferta, demanda, câmbio, commodities e logística.
Fonte: Portal do Agronegócio
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