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Açúcar dispara nas bolsas internacionais com temor de El Niño e oferta global mais apertada

Cotações do açúcar avançam em Nova York e Londres, enquanto mercado brasileiro mantém trajetória de alta; clima adverso em importantes regiões produtoras aumenta a preocupação com a oferta mundial


Publicado em: 14/08/2026 às 11:20hs

Açúcar dispara nas bolsas internacionais com temor de El Niño e oferta global mais apertada

O mercado de açúcar voltou a subir nas principais bolsas internacionais nesta quinta-feira (13), impulsionado pelo aumento das preocupações com as condições climáticas nas principais regiões produtoras e pelos efeitos potenciais do fortalecimento do fenômeno El Niño sobre as próximas safras.

Em Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto registraram ganhos expressivos, enquanto em Londres o açúcar branco também avançou. No Brasil, o movimento positivo chegou ao mercado físico, com valorização do açúcar cristal e do etanol hidratado em agosto.

Açúcar sobe em Nova York com preocupação sobre clima

Na ICE Futures U.S., o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro de 2026 terminou o pregão a 16,82 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,40 centavo, equivalente a 2,4%.

O contrato março de 2027 avançou 0,37 centavo, para 17,81 cents por libra-peso, enquanto maio de 2027 ganhou 0,32 centavo, encerrando a sessão a 17,49 cents.

As demais posições também fecharam em território positivo, com altas entre 0,14 e 0,30 centavo de dólar por libra-peso.

O movimento mantém as cotações próximas dos maiores níveis registrados em mais de um ano. Na sessão anterior, o contrato outubro chegou a atingir 17,11 cents por libra-peso, antes de devolver parte dos ganhos no fechamento.

El Niño aumenta preocupação com a produção mundial

Um dos principais fatores de sustentação dos preços é o avanço das preocupações climáticas.

O El Niño, que apresenta sinais de fortalecimento, pode provocar impactos diferentes entre os principais produtores de açúcar. Para o Brasil, maior produtor mundial, o fenômeno tende a aumentar as chuvas em determinadas regiões no segundo semestre, o que pode dificultar a colheita e afetar a qualidade da cana-de-açúcar.

Na Índia, segundo maior produtor mundial, e na Tailândia, importante exportadora, o El Niño costuma estar associado à redução das chuvas durante o período de monções, aumentando os riscos para a produção de cana.

As condições climáticas, portanto, adicionam uma camada de incerteza ao balanço global de oferta e demanda e ajudam a sustentar os preços futuros.

Açúcar branco também avança em Londres

Em Londres, o mercado de açúcar branco acompanhou a valorização observada em Nova York.

O contrato outubro de 2026 subiu US$ 11,00, encerrando a sessão a US$ 517,90 por tonelada.

Já o vencimento dezembro de 2026 também ganhou US$ 11,00, para US$ 516,00 por tonelada, enquanto março de 2027 avançou US$ 9,40, fechando a US$ 516,80.

A valorização simultânea em Nova York e Londres reforça o ambiente de maior sustentação para os preços internacionais do açúcar.

Mercado brasileiro mantém trajetória de alta

No mercado doméstico, o açúcar cristal branco também registrou nova valorização.

O indicador CEPEA/ESALQ, para o estado de São Paulo, alcançou R$ 98,31 por saca de 50 quilos, alta diária de 0,92%.

Com o avanço, o indicador acumula valorização de 7,44% em agosto, enquanto a cotação equivalente em dólar ficou em US$ 18,94.

O desempenho mostra que a recuperação dos preços não está restrita ao mercado internacional. A combinação entre menor disponibilidade, cenário climático incerto e comportamento das exportações contribui para manter o mercado interno firme.

Etanol hidratado acumula alta de quase 10% em agosto

O movimento positivo também aparece no mercado de biocombustíveis.

O etanol hidratado negociado em São Paulo, segundo o Indicador Diário de Paulínia, alcançou R$ 2.337,00 por metro cúbico, alta de 1,96% em relação ao dia anterior.

No acumulado de agosto, o biocombustível registra valorização de 9,72%, acompanhando a recuperação observada no complexo sucroenergético.

A alta do etanol ganha relevância para o setor, uma vez que a relação entre os preços do açúcar e do biocombustível influencia as decisões das usinas sobre a destinação da cana entre produção de açúcar e etanol.

Europa também enfrenta riscos para a produção

Além do Brasil e da Ásia, o cenário de oferta também preocupa na Europa.

A combinação de seca e temperaturas elevadas aumenta os riscos para a produção de beterraba açucareira na União Europeia e no Reino Unido. As perspectivas apontam para uma produção que pode atingir um dos menores níveis dos últimos anos.

Na Ucrânia, outro importante produtor europeu de beterraba, a produção pode recuar para 9 milhões de toneladas em 2026, ante 11,7 milhões de toneladas no ano anterior, de acordo com informações do centro estatal de meteorologia do país.

A redução da produção em diferentes regiões produtoras amplia a percepção de que o mercado global poderá trabalhar com uma oferta mais ajustada.

Índia monitora chuvas de monção

Na Índia, o comportamento das chuvas continua no radar dos participantes do mercado.

Até 13 de agosto, as precipitações acumuladas estavam 12% abaixo da média histórica. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% observado no fim de junho, as previsões de chuvas abaixo do normal para agosto e setembro mantêm a atenção sobre o desenvolvimento dos canaviais.

Como a Índia possui papel estratégico na produção e no comércio mundial de açúcar, alterações relevantes nas perspectivas da safra podem provocar impactos sobre os preços internacionais.

Produção do Centro-Sul brasileiro também pesa sobre o mercado

No Brasil, os dados recentes sobre a produção do Centro-Sul, principal região canavieira do país, reforçam a preocupação com a disponibilidade da commodity.

A produção de açúcar da região registrou queda de 26,3% em junho, sinalizando um ritmo mais fraco e contribuindo para a percepção de menor oferta no curto prazo.

O desempenho brasileiro ganha ainda mais importância diante da posição do país como maior produtor e exportador mundial de açúcar.

Perspectiva para o açúcar

O mercado de açúcar entra na segunda metade de agosto sob influência de três fatores principais: clima, produção e disponibilidade global.

A possibilidade de um El Niño mais forte aumenta a volatilidade das projeções para as principais regiões produtoras. Ao mesmo tempo, problemas climáticos na Europa, incertezas com as chuvas na Índia e dados de produção mais fracos no Centro-Sul brasileiro reduzem a visibilidade sobre a oferta.

Com esse cenário, os preços encontram suporte tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado brasileiro.

Para produtores, usinas, tradings e demais agentes da cadeia sucroenergética, o comportamento das cotações internacionais e a evolução das condições climáticas devem continuar entre os principais indicadores a serem monitorados nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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