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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes: poder de compra do produtor melhora 5% em julho com alta das commodities e queda dos insumos

Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) recuou para 1,35 no mês, favorecido pela valorização das commodities agrícolas e pela redução nos preços dos fertilizantes; clima e cenário geopolítico seguem no radar.


Publicado em: 14/08/2026 às 11:50hs

Fertilizantes: poder de compra do produtor melhora 5% em julho com alta das commodities e queda dos insumos
Foto: Shutterstock

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou julho de 2026 em 1,35, apresentando queda de 5% em relação a junho. O resultado indica uma melhora no poder de compra do produtor rural diante da combinação entre valorização das principais commodities agrícolas e redução nos preços dos fertilizantes e de matérias-primas.

O câmbio teve participação mais limitada no movimento. O dólar terminou julho praticamente estável, com leve recuo de 0,2% em relação ao mês anterior, reduzindo sua influência sobre a formação do indicador.

Commodities agrícolas sustentam melhora do índice

As commodities agrícolas registraram valorização média próxima de 4% em julho, contribuindo diretamente para a queda do IPCF.

A soja foi o principal destaque, com alta de aproximadamente 7%. O desempenho esteve relacionado ao aumento das incertezas no mercado internacional, incluindo as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, que ampliaram a volatilidade do petróleo.

Também pesaram sobre as cotações as preocupações relacionadas às condições climáticas nos Estados Unidos e os dados mais recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que aumentaram as dúvidas sobre o comportamento da safra norte-americana.

O milho apresentou avanço mais moderado, de aproximadamente 0,5%, em um cenário marcado pelo bom desempenho da safrinha brasileira, cuja colheita já alcançava cerca de 80% da área.

Já o algodão acumulou valorização próxima de 2%, enquanto a cana-de-açúcar permaneceu praticamente estável.

Fertilizantes recuam 8% em julho

Pelo lado dos insumos, os preços dos fertilizantes registraram queda média de aproximadamente 8% durante o mês.

A principal contribuição veio da ureia, cujo preço recuou cerca de 30%. O superfosfato simples (SSP) também apresentou redução relevante, de aproximadamente 9%.

Em contrapartida, os preços do MAP (fosfato monoamônico) e do MOP (cloreto de potássio) permaneceram estáveis no período.

A combinação entre insumos mais baratos e commodities valorizadas melhorou a relação de troca para o produtor rural e ajudou a levar o IPCF a 1,35.

Redução da adubação exige atenção ao fósforo

Apesar do cenário mais favorável para a relação de troca, a decisão de reduzir a aplicação de fertilizantes, especialmente os fosfatados, deve considerar as características específicas de cada área.

A necessidade de adubação não pode ser generalizada, pois depende da fertilidade do solo, do histórico de manejo, da produtividade esperada e da disponibilidade de nutrientes.

Produtores que vêm investindo na construção da fertilidade do solo ao longo dos últimos anos tendem a apresentar maior margem de segurança no curto prazo, devido à existência de uma reserva de fósforo no solo.

Ainda assim, estudos técnicos analisados pela Mosaic apontam que, em situações de ausência de aplicação de fósforo, as perdas de produtividade podem variar aproximadamente entre 6% e 20%, com maior risco em áreas que apresentam baixa disponibilidade do nutriente.

Essas estimativas consideram condições climáticas normais. Em situações de estresse climático, os impactos sobre o potencial produtivo podem ser ainda maiores.

Análise de solo deve orientar decisões

Diante desse cenário, especialistas recomendam que eventuais ajustes no programa de adubação sejam realizados com base em análises de solo e orientação técnica.

A redução momentânea do uso de fertilizantes pode representar uma estratégia de gestão de custos, mas precisa ser avaliada em conjunto com os impactos sobre a produtividade e a necessidade de reposição de nutrientes nas próximas safras.

No caso do fósforo, a manutenção do equilíbrio nutricional é especialmente importante para evitar que uma economia no curto prazo resulte em perdas produtivas futuras.

Geopolítica e clima podem influenciar o IPCF

Para os próximos meses, o mercado de fertilizantes e commodities continuará sujeito a fatores externos capazes de alterar rapidamente a relação de troca.

Entre os principais pontos de atenção está a evolução das tensões no Oriente Médio, especialmente devido à importância estratégica da região e do Estreito de Hormuz para o comércio internacional de energia e insumos agrícolas.

As condições climáticas também permanecem no radar. O fortalecimento do El Niño pode interferir no calendário de plantio da soja e de outras culturas relevantes, aumentando a percepção de risco sobre a oferta agrícola.

Nesse contexto, a trajetória das commodities, dos fertilizantes e do câmbio continuará sendo determinante para o comportamento do Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF).

O que explica a queda do IPCF em julho?
  • IPCF: 1,35, queda de 5% ante junho;
  • Commodities agrícolas: alta média de aproximadamente 4%;
  • Soja: valorização de cerca de 7%;
  • Milho: alta próxima de 0,5%;
  • Algodão: avanço de aproximadamente 2%;
  • Fertilizantes: queda média de cerca de 8%;
  • Ureia: recuo de aproximadamente 30%;
  • Superfosfato simples: queda de cerca de 9%;
  • Dólar: recuo de aproximadamente 0,2%.

Fonte: Portal do Agronegócio

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