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Soja

Soja sobe em Chicago e pode dar suporte aos preços no mercado brasileiro

Futuros da soja avançam na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira, apoiados pela fraqueza do dólar e pelo ajuste após uma semana de forte volatilidade; no Brasil, prêmios elevados e disputa pela originação sustentam as cotações.


Publicado em: 14/08/2026 às 11:30hs

Soja sobe em Chicago e pode dar suporte aos preços no mercado brasileiro
Foto: CNA

O mercado brasileiro de soja pode encontrar sustentação nesta sexta-feira (14) diante da valorização dos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago. O movimento externo ocorre em meio à desvalorização do dólar frente a outras moedas e à repercussão dos dados mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No mercado doméstico, porém, a queda do dólar frente ao real atua como fator de contenção para os preços. Ainda assim, a combinação entre Chicago em alta, prêmios elevados e disputa pela originação da soja pode favorecer uma melhora pontual dos negócios ao longo do dia, especialmente nos momentos de maior valorização da bolsa norte-americana.

Na quinta-feira, o mercado físico brasileiro apresentou pouca movimentação, com altas pontuais em algumas regiões. Segundo avaliação do analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, não houve alterações expressivas em Chicago capazes de provocar mudanças mais significativas nas negociações internas.

Prêmios elevados sustentam mercado brasileiro

Os prêmios de exportação permanecem em níveis elevados, contribuindo para dar suporte às indicações nos portos brasileiros. Segundo Silveira, algumas referências registraram avanço próximo de R$ 1 por saca.

No mercado interno, o basis — diferença entre o preço doméstico e a referência internacional — segue elevado, refletindo a disputa das empresas pela originação do grão.

Apesar desse cenário, os produtores continuam cautelosos. Não foram observadas ofertas firmes em volume significativo, o que limita a liquidez e mantém o mercado físico mais seletivo.

A expectativa é de que a semana termine com negociações pontuais e volumes moderados, principalmente diante da combinação entre câmbio desfavorável e valorização dos contratos futuros.

Preços da soja no mercado físico

As cotações apresentaram estabilidade na maior parte das principais praças brasileiras, com altas pontuais.

  • Passo Fundo (RS): R$ 140,00 por saca de 60 kg;
  • Santa Rosa (RS): R$ 141,00;
  • Cascavel (PR): alta de R$ 135,00 para R$ 136,00;
  • Rondonópolis (MT): R$ 133,00;
  • Dourados (MS): avanço de R$ 130,00 para R$ 131,50;
  • Rio Verde (GO): alta de R$ 130,00 para R$ 133,00.
  • Nos portos, as referências também avançaram:
  • Paranaguá (PR): de R$ 146,00 para R$ 147,00 por saca;
  • Rio Grande (RS): de R$ 147,00 para R$ 148,00.
Soja sobe em Chicago nesta sexta-feira

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos da soja operam em alta nesta sexta-feira, em um movimento de recuperação depois da forte volatilidade registrada ao longo da semana.

O contrato novembro de 2026 chegou a apresentar alta próxima de 0,67%, alcançando US$ 11,90¼ por bushel nas primeiras horas de negociação.

O desempenho positivo ocorre mesmo após o mercado absorver projeções de uma safra norte-americana elevada e estoques finais maiores. Parte dos investidores considera que novas revisões para baixo na produtividade dos Estados Unidos poderiam oferecer suporte adicional aos preços.

O USDA reduziu sua estimativa de produtividade da soja norte-americana de 53 para 52,7 bushels por acre, movimento que ajudou a dar sustentação aos futuros.

Clima nos Estados Unidos continua no radar

O clima no chamado Corn Belt, principal região produtora de grãos dos Estados Unidos, permanece entre os principais fatores de formação dos preços.

As previsões de chuvas para áreas do Meio-Oeste norte-americano limitam uma valorização mais intensa da soja nesta sexta-feira. Ao mesmo tempo, os investidores acompanham os efeitos das temperaturas elevadas e da umidade sobre o potencial produtivo das lavouras.

O mercado permanece dividido entre dois vetores.

De um lado, riscos climáticos e sinais de demanda oferecem sustentação. De outro, a possibilidade de uma grande safra norte-americana e estoques mais confortáveis reduzem o espaço para uma alta mais consistente dos preços.

Demanda chinesa volta ao radar

A demanda internacional também permanece como fator importante para a formação das cotações.

A China voltou a apresentar maior participação nas compras de soja norte-americana, incluindo uma operação de aproximadamente 238 mil toneladas para a temporada 2026/27, além de outras aquisições reportadas por agentes do mercado.

O retorno da demanda chinesa é acompanhado de perto pelos investidores, já que o ritmo das compras do principal importador mundial de soja pode determinar parte relevante do comportamento dos futuros em Chicago nos próximos meses.

Farelo, milho e trigo também avançam

Além da soja, outros contratos agrícolas apresentam desempenho positivo na CBOT.

Os futuros do farelo de soja registravam alta superior a 0,7% nas primeiras negociações desta sexta-feira. Milho e trigo também avançavam, com o trigo apresentando ganhos superiores a 2% em determinados momentos.

O óleo de soja, por outro lado, operava em queda, contrariando o movimento dos demais derivados.

Dólar limita reação da soja no Brasil

No mercado cambial, o dólar comercial recuava 0,25%, para R$ 5,1783, enquanto o Dollar Index registrava queda de aproximadamente 0,39%, aos 99,570 pontos.

A combinação entre dólar mais fraco no exterior e valorização da soja em Chicago é positiva para a competitividade da oleaginosa norte-americana, mas a queda da moeda norte-americana frente ao real reduz parte do potencial de alta dos preços em reais no mercado brasileiro.

Por isso, a evolução do câmbio será determinante para definir quanto da valorização de Chicago poderá ser transferida para as cotações domésticas.

Mercado financeiro global

As bolsas asiáticas encerraram a sessão com desempenho misto, com alta de 0,01% na China e de 0,59% no Japão.

Na Europa, o cenário também era dividido, com Paris em alta de 0,02%, Frankfurt avançando 0,82% e Londres recuando 0,03%.

No mercado de petróleo, o WTI para setembro era negociado a US$ 81,89 por barril, com alta de 0,78%.

O que esperar da soja nesta sexta-feira?

O mercado brasileiro deve permanecer atento principalmente ao comportamento de Chicago, dólar, prêmios de exportação e ritmo de comercialização dos produtores.

A alta dos futuros em Chicago cria uma janela potencial para melhora das referências domésticas, mas o câmbio mais fraco impede uma transmissão integral dos ganhos internacionais.

Com produtores ainda cautelosos e compradores disputando a originação, a tendência é de negociações seletivas e pontuais, com maior possibilidade de negócios nos momentos de pico da Bolsa de Chicago.

Para o curto prazo, o mercado da soja continuará equilibrando potencial de recuperação dos preços internacionais, clima nos Estados Unidos, demanda chinesa e perspectiva de uma ampla oferta norte-americana.

Fonte: Portal do Agronegócio

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