Publicado em: 01/07/2026 às 15:00hs
O transporte de cargas de baixo valor agregado vive um dos momentos mais desafiadores da logística brasileira em 2026. Em meio à alta do diesel, tensões geopolíticas que impactam o petróleo e custos operacionais elevados, cresce a percepção de que, em algumas operações, o frete já representa uma fatia desproporcionalmente alta em relação ao valor da mercadoria transportada.
A recente volatilidade do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio e aumento da pressão sobre o mercado energético global, levou o barril a patamares próximos de US$ 110 em determinados momentos, refletindo diretamente no custo do diesel no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal adotou medidas emergenciais, incluindo uma Medida Provisória que ampliou subsídios ao combustível rodoviário. A iniciativa buscou reduzir impactos imediatos sobre o transporte de cargas.
Apesar do alívio pontual, especialistas alertam que o problema estrutural permanece.
Segundo dados da NTC&Logística, o diesel responde por cerca de 35% do custo operacional do transporte rodoviário no Brasil.
Esse peso varia conforme o tipo de carga:
De acordo com especialistas do setor, pequenas variações no combustível já são suficientes para comprometer margens em operações do agronegócio.
No transporte de commodities como grãos, madeira e insumos agrícolas, o frete pode representar parcela significativa do valor final da operação, especialmente em rotas de longa distância até portos.
O Brasil mantém forte dependência do modal rodoviário, responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, o que amplia a sensibilidade do setor às variações do diesel e dos custos operacionais.
Outro fator relevante é a composição da tabela de frete, que considera variáveis como:
Em operações de baixo valor agregado, essas variáveis podem alterar significativamente a viabilidade econômica do transporte.
“Quando se fala em milho, madeira ou outras commodities de margem apertada, qualquer variação no frete pesa muito mais no resultado final”, afirma Célio Martins, gerente de novos negócios do Transvias.
Além do combustível, o setor enfrenta pressões adicionais relacionadas a:
Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as más condições das rodovias brasileiras elevam o consumo de combustível e aumentam o desgaste dos veículos, encarecendo ainda mais o frete no país.
Com custos mais altos, empresas do setor passaram a intensificar estratégias como:
A busca é por maior ocupação dos veículos e redução de viagens ociosas, diluindo o custo por tonelada transportada.
No Transvias, esse movimento já aparece nos dados recentes.
“No agro, o embarcador busca previsibilidade e redução de custo ao mesmo tempo. A eficiência virou prioridade”, afirma Martins.
No primeiro trimestre de 2026, o Transvias registrou aumento de 27% nas buscas por transportadoras especializadas em carga fracionada e redespacho, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Nas principais rotas do agronegócio, o movimento também é claro:
O cenário aponta para um ambiente de maior pressão estrutural sobre o transporte de commodities no Brasil, com custos elevados e forte dependência rodoviária.
Para especialistas, a tendência é que a eficiência logística deixe de ser diferencial e passe a ser fator de sobrevivência operacional no agronegócio brasileiro.
“A logística brasileira ficou mais sensível. Hoje, eficiência não é mais opção, é necessidade”, resume Célio Martins.
Fonte: Portal do Agronegócio
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