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Logística e Transporte

Ferrovias e rota bioceânica podem reduzir em até 40% o custo de transporte de grãos

Relatório do USDA destaca projetos para ampliar a competitividade das exportações brasileiras, com novas opções de escoamento pelo Norte e acesso à Ásia via portos do Chile


Publicado em: 16/10/2026 às 10:45hs

Ferrovias e rota bioceânica podem reduzir em até 40% o custo de transporte de grãos

A expansão das ferrovias e a abertura de corredores internacionais podem transformar o escoamento de soja e milho no Brasil, reduzindo custos logísticos e ampliando as alternativas de acesso aos mercados asiáticos. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em 14 de outubro, os projetos ferroviários analisados poderiam diminuir em cerca de 40% os custos de transporte de grãos.

O estudo também destaca o Corredor Bioceânico de Capricórnio, que prevê conectar o Brasil a portos chilenos por uma rota terrestre através do Paraguai e da Argentina. Os benefícios projetados, porém, dependem da continuidade dos investimentos, da execução das obras e da integração regulatória entre os países.

Corredor Bioceânico pode encurtar viagem das exportações à Ásia

Com extensão estimada entre 2,3 mil e 2,4 mil quilômetros, o Corredor Bioceânico de Capricórnio busca criar uma alternativa para o transporte de mercadorias brasileiras até o Oceano Pacífico.

Conforme as estimativas citadas pelo USDA, a rota poderia reduzir entre 30% e 40% os custos de transporte das exportações destinadas à Ásia.

O tempo de viagem também poderia diminuir: de aproximadamente 55 dias pelo Porto de Santos para 42 dias via Pacífico, uma diferença de cerca de 13 dias.

A proposta amplia as possibilidades de escolha dos exportadores, que poderão avaliar diferentes trajetos conforme os custos e as condições de operação de cada corredor.

Mato Grosso do Sul está entre os principais beneficiários potenciais

O impacto da ligação bioceânica tende a ser expressivo para Mato Grosso do Sul, que direciona mais de 65% de suas exportações aos mercados asiáticos, segundo os dados apresentados no relatório.

Uma estrutura central para essa conexão é a ponte entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai. O documento informa que, no início de 2026, a obra estava aproximadamente 80% concluída.

Além da infraestrutura física, o funcionamento do corredor exige avanços na integração aduaneira e sanitária. A coordenação entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile permanece como um dos desafios para viabilizar o trânsito das cargas.

Ferrogrão prevê redução de custos entre Mato Grosso e Pará

No transporte ferroviário, o USDA destaca a Ferrogrão, projetada para ligar Sinop, em Mato Grosso, a Miritituba, no Pará.

A estimativa apresentada no relatório aponta potencial de redução de até 20% nos custos de transporte nesse trajeto. A ligação ampliaria as opções de escoamento da produção mato-grossense em direção ao Norte.

O projeto, entretanto, enfrenta questionamentos ambientais, indígenas e financeiros, fatores que condicionam seu avanço e a concretização dos ganhos previstos.

Ferronorte e ligação FATO-FICO ampliam alternativas para soja e milho

O estudo também relaciona a expansão da Ferronorte e a implantação da ligação FATO-FICO entre as iniciativas capazes de ampliar o uso das ferrovias no transporte de soja e milho.

Em conjunto, os projetos ferroviários poderiam reduzir em cerca de 40% os custos de transporte de grãos, conforme as estimativas citadas pelo USDA.

Esse percentual se refere ao potencial do conjunto de projetos analisados. Já a redução de até 20% atribuída à Ferrogrão corresponde especificamente ao trajeto entre Sinop e Miritituba.

Investimentos e coordenação regulatória serão decisivos

Para o USDA, a melhoria da infraestrutura logística é um fator central para a competitividade das exportações agrícolas brasileiras.

A concretização dos benefícios dependerá de investimentos contínuos, avanço das obras e coordenação regulatória. No corredor bioceânico, será necessário conciliar procedimentos entre diferentes países; nas ferrovias, superar os entraves específicos de cada empreendimento.

Com essas condições atendidas, as novas conexões poderão ampliar as opções de transporte e reduzir o peso da logística no escoamento da produção brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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