Boi gordo sobe 9,3% em São Paulo e oferta restrita sustenta mercado, aponta Itaú BBA
Arroba chegou a R$ 376 em 9 de outubro, enquanto contratos futuros se aproximaram de R$ 400; reposição mais cara e limites da demanda exigem atenção à rentabilidade
Publicado em: 16/10/2026 às 10:40hs
A menor disponibilidade de animais prontos para abate sustentou a recuperação dos preços do boi gordo em setembro e no início de outubro, mesmo com a forte redução das compras chinesas de carne bovina brasileira. Segundo o relatório Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a arroba em São Paulo acumulou valorização de 9,3% entre o fim de agosto e 9 de outubro, quando era negociada ao redor de R$ 376 no mercado físico.
O movimento ganhou intensidade na entrada de outubro, com maior procura da indústria para formar estoques destinados às exportações dos últimos meses do ano, considerando a abertura da cota de importação do próximo ano.
A análise aponta um cenário favorável à sustentação das cotações, apoiado pela oferta ajustada e pela perspectiva de melhora da demanda. Entretanto, os preços elevados da arroba e da carne, o comportamento do câmbio e o encarecimento da reposição podem limitar ganhos e pressionar os resultados da cadeia. Agro-Mensal_Out26_ItauBBA(1)
Oferta menor mantém arroba em recuperação
De acordo com o Itaú BBA, a oferta de gado apresentou redução significativa desde julho. Essa menor disponibilidade ajudou a sustentar o mercado, apesar do enfraquecimento das vendas de carne bovina para a China em setembro.
Para os próximos meses, o relatório considera que a combinação entre oferta mais ajustada, retomada das compras chinesas e sazonalidade favorável do consumo doméstico pode continuar dando suporte aos preços.
A consultoria avalia como pouco provável um alívio substancial na disponibilidade de animais terminados no horizonte analisado.
Exportações caem em setembro, mas Estados Unidos ampliam compras
As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 195 mil toneladas em setembro, volume 38% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, conforme os dados apresentados no relatório.
A China respondeu por apenas 16 mil toneladas. Em contrapartida, os embarques para os Estados Unidos alcançaram 44 mil toneladas, diante de 8 mil toneladas em setembro do ano anterior.
Chile, México e Rússia também tiveram desempenho positivo, ajudando a diversificar os destinos da proteína brasileira.
Outro destaque foi a recuperação do preço médio de exportação, que avançou 1,9% sobre agosto. Segundo o Itaú BBA, a alta ocorreu após a acomodação observada desde julho, associada ao afastamento da China do mercado.
Alta do boi supera valorização da carne e aperta frigoríficos
No mercado doméstico, a valorização da carcaça casada no atacado não acompanhou o ritmo de alta do boi gordo. Esse descompasso reduziu o spread acompanhado pelo banco, indicador da relação entre os preços da carne e da matéria-prima.
O indicador passou de 5,5% em agosto para 4,5% em setembro, recuando a 2,1% na parcial de outubro até o dia 9.
Nas exportações, o spread permaneceu próximo de 5%, pois a melhora do preço da carne no exterior compensou o encarecimento do boi em dólares. Ainda assim, ficou abaixo dos 12% observados no mesmo período de 2025.
Futuros próximos de R$ 400 ampliam oportunidades de proteção
A recuperação do mercado físico e a expectativa de melhora gradual da demanda no último trimestre também impulsionaram os contratos futuros. No período analisado, os vencimentos a partir de novembro se aproximaram de R$ 400 por arroba.
Para o Itaú BBA, esse patamar oferece oportunidade de proteção dos preços de venda dos animais programados para abate nos próximos meses. O relatório destaca que a margem do confinamento para entrega, principalmente a partir de novembro, permanecia atrativa.
A avaliação reforça a importância de considerar a rentabilidade disponível nas negociações futuras, mesmo em um ambiente de expectativa positiva para as cotações.
Arroba valorizada e poder de compra limitam novas altas
Apesar dos fundamentos de sustentação, a consultoria identifica fatores que podem oferecer resistência a aumentos mais intensos.
A arroba brasileira estava na faixa de US$ 75, considerada pelo relatório um recorde histórico nominal. O preço médio de exportação também se encontrava próximo das máximas, enquanto a carne bovina já apresentava valores elevados em relação ao poder de compra do consumidor brasileiro.
Outro ponto é a possibilidade de valorização do real no curto prazo, dependendo do cenário eleitoral. Uma apreciação da moeda brasileira pode alterar as condições de competitividade das exportações.
Reposição mais cara é risco para os próximos ciclos
No horizonte mais longo, o Itaú BBA destaca o encarecimento contínuo dos animais de reposição como um dos principais riscos para o produtor.
A alta desse custo exige preços mais elevados para o boi terminado nos próximos anos, de modo a evitar perda de margem. Assim, a valorização da arroba precisa ser analisada em conjunto com o custo de entrada dos animais e o resultado econômico esperado na terminação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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