Qualidade do trigo preocupa no Sul e leva moinhos a buscar importações
Presença de micotoxina, baixo peso hectolítrico e germinação no campo restringem oferta para moagem; Santa Catarina projeta queda de aproximadamente 37% na produção
Publicado em: 16/10/2026 às 11:30hs
A perda de qualidade do trigo colhido no Sul do Brasil dificulta o abastecimento dos moinhos, limita negócios e leva produtores a renegociar contratos. Segundo a TF Agroeconômica, a presença de DON, uma micotoxina que compromete o aproveitamento do cereal, e problemas nos parâmetros industriais reduzem a disponibilidade de lotes adequados à moagem.
O cenário aumenta o interesse pelo trigo importado, especialmente em Santa Catarina e no Paraná. Ao mesmo tempo, a comercialização apresenta diferenças de preços conforme a origem, a classificação dos grãos e o prazo de entrega.
Rio Grande do Sul tem colheita lenta e restrições à comercialização
No Rio Grande do Sul, a Emater aponta 9% da área colhida. Agentes consultados no mercado, porém, estimavam avanço de apenas 4% até a semana passada, sem progresso nesta semana. Os levantamentos apresentam, portanto, avaliações distintas sobre o andamento dos trabalhos.
Nos lotes disponíveis, os níveis elevados de DON restringem as negociações e dificultam o aproveitamento pela indústria.
O trigo da safra anterior é ofertado a R$ 1.600 por tonelada, enquanto compradores indicam R$ 1.550. Para o cereal novo, os negócios pontuais ocorrem a R$ 1.400 por tonelada. Em Panambi, a referência permanece em R$ 75 por saca.
Moinhos de Santa Catarina enfrentam dificuldade de abastecimento
A escassez de trigo com qualidade industrial amplia a procura por alternativas externas em Santa Catarina. Segundo a TF Agroeconômica, moinhos relatam dificuldades para obter matéria-prima e reajustes de 11,5% nas tabelas de farinha, ainda considerados insuficientes pelas empresas.
A perspectiva de menor produção estadual reforça a preocupação com a oferta. A Epagri projeta redução de 35% na área cultivada e de 2,5% na produtividade média.
Com isso, a safra catarinense está estimada em 243 mil toneladas, volume aproximadamente 37% inferior ao da temporada anterior.
Paraná registra germinação no campo e renegociação de contratos
No Paraná, parte do trigo colhido apresenta baixo peso hectolítrico e problemas em outros indicadores de qualidade. Algumas lavouras também registraram germinação dos grãos ainda no campo.
Essas condições interferem na classificação do produto e no cumprimento das condições comerciais. Produtores buscam renegociar contratos, enquanto os moinhos aplicam descontos de acordo com as características dos lotes recebidos.
A oferta de trigo Tipo 1 está mais restrita. Para entregas em outubro, a indicação é de R$ 1.500 por tonelada. Para novembro, a referência recua para R$ 1.450 por tonelada.
Trigo do Paraguai e da Argentina ganha espaço nas compras
Diante das limitações da safra brasileira, o cereal importado passa a ter maior relevância nas estratégias de abastecimento dos moinhos.
As ofertas mencionadas pela consultoria são de US$ 320 por tonelada para o trigo paraguaio e de US$ 325 por tonelada para o argentino.
Nesse ambiente, o câmbio ganha peso nas decisões de compra. A indústria precisa conciliar o custo das importações com a disponibilidade e a qualidade dos lotes nacionais, enquanto produtores enfrentam descontos e maior seletividade nas negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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