Soja cai em Chicago com colheita nos EUA e moagem fraca; chuvas limitam plantio no Brasil
Compras chinesas não impedem pressão sobre as cotações internacionais, enquanto excesso de umidade restringe a semeadura no Sul e preços apresentam comportamento desigual nas praças brasileiras
Publicado em: 16/10/2026 às 11:50hs
O mercado da soja opera sob pressão da colheita norte-americana e do esmagamento abaixo das expectativas nos Estados Unidos, mesmo com novos negócios envolvendo compradores chineses. No Brasil, as chuvas dificultam o avanço do plantio em regiões do Sul, enquanto câmbio, referências internacionais e condições locais de comercialização influenciam os preços da saca.
Na manhã desta sexta-feira (16), os contratos futuros apresentavam pequenas perdas na Bolsa de Chicago (CBOT), após quatro sessões consecutivas de baixa. No mercado físico brasileiro, o levantamento da TF Agroeconômica mostrou recuos nas cinco praças acompanhadas em Mato Grosso, estabilidade em Santa Catarina e valorização pontual em Mato Grosso do Sul.
Soja inicia sexta-feira em baixa na Bolsa de Chicago
Por volta das 7h, no horário de Brasília, o contrato de soja com vencimento em novembro de 2026 era negociado a US$ 12,6150 por bushel, com queda de 1,50 centavo de dólar. O janeiro de 2027 recuava 1 centavo, para US$ 12,7675 por bushel.
Os derivados também operavam no campo negativo. O óleo de soja para dezembro perdia 0,48%, cotado a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o farelo para o mesmo vencimento caía 0,53%, a US$ 357,90 por tonelada curta.
O movimento dava continuidade às perdas de quinta-feira (15), quando o novembro encerrou a US$ 12,63 por bushel, com desvalorização de 1,11%. O janeiro fechou a US$ 12,7775 por bushel, em baixa de 1,10%.
Na sessão anterior, o farelo para dezembro recuou 1,28%, para US$ 359,80 por tonelada curta. Já o óleo terminou com valorização de 0,13%, a 67,15 centavos de dólar por libra-peso.
Colheita e esmagamento abaixo do esperado pressionam preços
A entrada da nova safra dos Estados Unidos amplia a disponibilidade de soja e mantém pressão sazonal sobre as cotações. Até domingo (11), a colheita havia alcançado 46% da área norte-americana, enquanto 92% das lavouras estavam na fase de queda de folhas.
Outro fator negativo foi o resultado do processamento industrial. Segundo a Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (Nopa), o esmagamento atingiu 196,3 milhões de bushels em setembro, abaixo dos 203,74 milhões esperados pelo mercado.
O volume também ficou inferior aos 205,456 milhões de bushels de agosto e aos 197,863 milhões registrados em setembro de 2025. Foi o menor processamento mensal em 13 meses.
A combinação entre maior oferta disponível e demanda industrial inferior à projetada limitou o efeito positivo dos anúncios de exportação.
China amplia compras de soja dos Estados Unidos
A demanda chinesa permanece entre os principais pontos de atenção dos investidores. Segundo fontes comerciais ouvidas pela Reuters, compradores estatais adquiriram entre 10 e 13 carregamentos em uma nova rodada de negócios relatada na quinta-feira.
Com essa movimentação, as compras da semana foram estimadas entre 18 e 23 cargas, equivalentes a aproximadamente 1,2 milhão a 1,5 milhão de toneladas. Esse total inclui negócios mencionados anteriormente e não deve ser somado às estimativas parciais divulgadas ao longo da semana.
Separadamente, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou, na quinta-feira, vendas privadas de 330 mil toneladas para a China e de 283,45 mil toneladas para destinos não revelados, referentes à temporada 2026/27.
Os anúncios oficiais e as estimativas de fontes comerciais podem abranger operações coincidentes, razão pela qual os volumes não representam necessariamente negócios adicionais entre si.
O mercado também aguardava o relatório semanal de vendas para exportação do USDA, previsto para esta sexta-feira em razão do feriado norte-americano de segunda-feira. As expectativas para a safra 2026/27 variavam entre 500 mil e 1,2 milhão de toneladas na semana encerrada em 8 de outubro.
Chuvas restringem plantio da soja no Sul do Brasil
No Brasil, o excesso de umidade reduz as condições de entrada das máquinas e exige ajustes no calendário de semeadura, segundo a TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, informações da Emater/RS-Ascar indicam que o plantio alcançou apenas 6% da área projetada na região de Santa Rosa. Em municípios da região de Pelotas, os trabalhos começaram de forma pontual. Já em Soledade, há áreas dessecadas à espera de condições adequadas para semear.
As referências de preços ficaram em:
- Rio Grande: R$ 156,50 por saca;
- Passo Fundo: R$ 147,50 por saca;
- Santa Rosa: R$ 148,50 por saca.
Em Santa Catarina, a soja permaneceu indicada a R$ 149 por saca em Abelardo Luz. As chuvas também condicionam o andamento dos trabalhos no Oeste e no Meio-Oeste. A disponibilidade de transporte influencia o valor efetivamente recebido pelo produtor.
Paraná tem 39% da área semeada
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) apontou 39% da área de soja plantada, percentual equivalente ao observado no mesmo período da temporada anterior.
As precipitações diminuem as horas disponíveis para as operações agrícolas e também dificultam a colheita do trigo, interferindo na organização dos trabalhos nas propriedades.
As referências para a soja foram de R$ 155,50 por saca em Paranaguá, R$ 144,50 em Cascavel e R$ 147,50 em Ponta Grossa.
Mato Grosso registra queda nas cinco praças pesquisadas
Em Mato Grosso, todas as cinco localidades acompanhadas pela TF Agroeconômica apresentaram recuo. Entre as referências informadas, a saca caiu para R$ 141,90 em Primavera do Leste e R$ 136,20 em Sorriso.
Com a implantação da safra em andamento, as despesas de campo aumentam a necessidade de atenção ao fluxo de caixa e podem influenciar o ritmo de comercialização.
Em Mato Grosso do Sul, o comportamento foi distinto entre as praças. Maracaju registrou alta de 0,73%, para R$ 138 por saca, enquanto Sidrolândia permaneceu em R$ 137.
Perspectiva de oferta brasileira mantém mercado atento
Além da colheita norte-americana, os investidores acompanham o potencial produtivo brasileiro. A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentada no levantamento é de 181,616 milhões de toneladas de soja em 2026/27, crescimento de 0,7% sobre a temporada anterior.
A área plantada está estimada em 49,3 milhões de hectares, expansão de 1,4%.
Para os próximos movimentos do mercado, o foco permanece na evolução do plantio brasileiro, no ritmo da colheita dos Estados Unidos e na confirmação da demanda chinesa. Nas praças nacionais, câmbio, frete e necessidade de caixa dos produtores também seguem relevantes para a formação dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
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