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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo no Sul: escassez de qualidade sustenta lotes superiores e amplia diferença nas cotações

Trigo Tipo 1 tem indicação de venda de até R$ 1.780 por tonelada no Paraná, enquanto lotes para ração apresentam valores menores; chuvas e exigências industriais limitam os negócios


Publicado em: 16/10/2026 às 18:00hs

Preço do trigo no Sul: escassez de qualidade sustenta lotes superiores e amplia diferença nas cotações

A qualidade dos grãos ganha peso na formação dos preços do trigo no Sul do Brasil. Com parte da safra nova apresentando dificuldades para atender às especificações da indústria, os moinhos mantêm compras seletivas, sustentando as referências dos lotes superiores e ampliando a distância em relação ao cereal de menor padrão.

Segundo o analista Thiago Oleto, da Safras & Mercado, o mercado encerra a semana com baixa liquidez e operações pontuais. O avanço gradual da colheita e as interrupções provocadas pelas chuvas também influenciam a disponibilidade de produto e o ritmo das negociações.

Trigo de melhor qualidade mantém preços firmes no Paraná

No Paraná, a menor disponibilidade de trigo Tipo 1, com peso hectolitro PH 78, sustenta as indicações de venda. As referências são de R$ 1.780 por tonelada CIF Curitiba, R$ 1.570 em Maringá e R$ 1.600 em Cascavel e Ponta Grossa.

Para os lotes com PH 75 e Falling Number (FN) de 200, os valores ficam entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF. Já o trigo com PH 73 apresenta indicação próxima de R$ 1.250 por tonelada.

De acordo com Oleto, a escassez de cereal com PH 78 aumenta a diferença de preços entre os padrões disponíveis. Assim, as características de cada lote tornam-se decisivas para a negociação com os compradores industriais.

As chuvas e os temporais da semana interromperam a colheita em algumas regiões paranaenses. A previsão de condições mais firmes a partir desta sexta-feira (16) pode permitir a retomada dos trabalhos.

Colheita inicial e qualidade restringem negócios no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a colheita ainda está no início, com atividades pontuais na região das Missões. Para o trigo Tipo 1, com PH 78, as indicações de venda são próximas de R$ 1.680 por tonelada CIF Porto Alegre, R$ 1.600 em Carazinho e R$ 1.580 em Santa Rosa.

No mercado da safra velha, permanece uma diferença entre as expectativas dos agentes: vendedores pedem cerca de R$ 1.600 por tonelada, enquanto compradores indicam aproximadamente R$ 1.550.

Para a safra nova, foram relatados negócios isolados ao redor de R$ 1.400 por tonelada FOB, condição em que o frete não está incluído no preço.

O aproveitamento industrial também encontra limitações em lotes com problemas de qualidade. Entre as ocorrências mencionadas no levantamento estão níveis elevados de desoxinivalenol (DON), situação que exige atenção à segregação dos volumes e ao enquadramento nas exigências dos compradores.

Trigo para ração tem referências inferiores às do Tipo 1

A diferença de qualidade também aparece no mercado de trigo destinado à alimentação animal, conhecido como feed.

No começo da semana, as indicações estavam próximas de R$ 1.100 por tonelada sobre rodas no porto gaúcho. Na quinta-feira (15), surgiu uma referência de R$ 1.150 por tonelada posto porto, para entrega no fim de dezembro, ainda sem confirmação de volume negociado.

Os valores envolvem condições e prazos distintos, mas evidenciam a distância entre as referências do cereal para ração e as do trigo de padrão superior.

Na avaliação de Oleto, a qualidade deve permanecer entre os principais fatores de formação dos preços durante a entrada da safra.

Frete e ICMS limitam comercialização em Minas Gerais

Em Minas Gerais, as indicações variam conforme a localização e a modalidade de entrega. As referências ficam próximas de R$ 1.410 por tonelada FOB, enquanto os valores CIF, com frete incluído, oscilam entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por tonelada.

Segundo o analista da Safras & Mercado, os custos de transporte e a incidência de ICMS dificultam operações interestaduais, especialmente com compradores de Goiás.

Nesse cenário, o ritmo da colheita, a proporção de lotes que atendem à indústria e os custos logísticos seguem determinantes para a comercialização do trigo. A seletividade dos moinhos mantém o mercado segmentado, com maior sustentação para o produto de qualidade superior.

Fonte: Portal do Agronegócio

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