Café supera US$ 3,10 em Nova York com estoques baixos e preocupação com oferta global
Arábica atinge maior cotação em um mês e meio, enquanto estoques certificados recuam a 239 mil sacas; qualidade da safra brasileira e produção de outros países ampliam incertezas
Publicado em: 16/10/2026 às 17:00hs
O preço do café arábica voltou a superar US$ 3 por libra-peso na Bolsa de Nova York, impulsionado pela baixa disponibilidade de estoques certificados e pelas preocupações com a oferta mundial. Na manhã desta sexta-feira (16), o contrato dezembro/26 chegou a atingir 311 centavos de dólar por libra-peso, equivalentes a US$ 3,11, na máxima registrada até aquele momento.
O patamar é o mais elevado em um mês e meio e reforça a volatilidade do mercado internacional. Além da oferta disponível para entrega, os investidores acompanham a qualidade da safra brasileira, as perspectivas de produção na América Central e na Colômbia e as oscilações cambiais.
Estoques certificados de café caem e ampliam pressão em Nova York
Os estoques certificados de arábica em Nova York encerraram a quinta-feira (15) em 239 mil sacas, após terem apresentado uma recuperação temporária em setembro, quando alcançaram 261 mil sacas.
Segundo Gil Barabach, analista de Safras & Mercado, a disponibilidade reduzida mantém o mercado pressionado e aumenta sua sensibilidade a movimentos bruscos. Nesse ambiente, a principal dúvida é se a valorização conseguirá se sustentar após as oscilações recentes.
Na avaliação do analista, cresce entre os operadores a percepção de que o café brasileiro poderá não chegar a tempo de recompor os estoques antes do vencimento do contrato dezembro/26.
Duas datas concentram a atenção dos participantes: 12 de novembro, vencimento das opções, e 19 de novembro, primeiro dia de notificação de entrega física. A proximidade desses eventos, combinada ao baixo volume certificado, pode intensificar as oscilações das cotações.
Qualidade da safra brasileira aumenta incerteza sobre abastecimento
As preocupações com a produção brasileira também sustentam os preços do café. De acordo com Barabach, o volume elevado de grãos caídos no chão — parte dos quais pode não ser recolhida — gera dúvidas sobre o aproveitamento final da safra.
A dificuldade para encontrar lotes de melhor qualidade reforça a percepção, entre produtores, de que a colheita poderá passar por revisões negativas. Essa possibilidade traz incertezas sobre a capacidade do Brasil de manter o ritmo de exportações previsto para a temporada.
O mercado acompanha, portanto, tanto o volume disponível quanto a proporção de cafés que atende às exigências dos compradores internacionais.
Oscilação do dólar influencia preços e comercialização
O câmbio permanece entre os fatores que movimentam o mercado no curto prazo. Segundo a análise apresentada, a queda do dólar para níveis abaixo de R$ 5 após o primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras contribuiu para dar sustentação às cotações internacionais.
A valorização do real reduz o retorno em moeda nacional das vendas externas e pode diminuir o estímulo à comercialização pelos produtores. Esse movimento ganha relevância em um período de embarques brasileiros fortes e de preocupação com a disponibilidade de arábica.
América Central e Colômbia entram no radar da oferta global
As dúvidas sobre o abastecimento vão além do Brasil. Na América Central, a seca ameaça o potencial produtivo das lavouras. Na Colômbia, persistem incertezas sobre a recuperação da produção na temporada 2026/27.
Segundo Barabach, esse conjunto de fatores aumenta o risco de disponibilidade limitada de arábicas lavados, segmento relevante para a formação dos preços em Nova York.
Por enquanto, o analista avalia que os efeitos aparecem principalmente na diferença de preços entre cafés de distintas qualidades, sem indicar uma alteração estrutural na curva de cotações.
Robusta tem reação limitada com avanço da colheita no Vietnã
Enquanto o arábica registra forte recuperação em Nova York, o café robusta apresenta uma reação menos intensa na Bolsa de Londres.
O avanço da colheita no Vietnã e a expectativa de maior oferta nos próximos meses limitam a valorização da variedade. A diferença de desempenho evidencia como as condições de abastecimento de cada segmento influenciam o mercado.
Para o arábica, a continuidade da alta dependerá da evolução dos estoques certificados, da disponibilidade de cafés de qualidade e da confirmação das perspectivas de produção nos principais países fornecedores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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