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Feijão e Pulses

Feijão carioca tem alta nos melhores lotes; preto segue com preços firmes e demanda contida

Escassez de grãos de qualidade sustenta negociações, mas compras limitadas à reposição impedem valorização generalizada; clima e nova safra ampliam atenção à oferta


Publicado em: 16/10/2026 às 16:30hs

Feijão carioca tem alta nos melhores lotes; preto segue com preços firmes e demanda contida

O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com preços influenciados pela qualidade dos grãos, pela disponibilidade regional e por uma demanda concentrada na reposição de estoques. No carioca, a valorização ficou restrita principalmente aos lotes superiores. No preto, algumas praças apresentaram firmeza, mas sem compras suficientes para consolidar altas mais abrangentes.

Segundo o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, os compradores mantiveram cautela, adquirindo volumes conforme a necessidade e, em alguns casos, aguardando a entrega de mercadorias já contratadas. Esse comportamento reduziu a liquidez e limitou o avanço das cotações dos padrões intermediários.

Feijão carioca: qualidade concentra valorização

A oferta de feijão carioca extra nota 9,5 foi reduzida entre as mercadorias expostas na Bolsa. Parte dos lotes disponíveis apresentava baixa umidade e grãos ressecados, aumentando a seletividade dos compradores.

Mesmo com produtores retendo mercadorias e buscando preços mais elevados, o movimento de alta não alcançou todos os padrões. A qualidade e o rendimento industrial continuaram determinantes para a formação dos valores.

Nos negócios com entrega em São Paulo, na modalidade CIF, as referências foram:

  • Nota 8 com poucos defeitos: entre R$ 320 e R$ 325 por saca;
  • Lotes com mais problemas de qualidade: próximos de R$ 315 por saca;
  • Nota 9 da cultivar Dama: dois lotes negociados a R$ 335 e R$ 340 por saca.

A diferença entre os preços da cultivar Dama esteve relacionada principalmente à umidade dos grãos e ao rendimento industrial.

Para os padrões extras, de notas 9,5 a 10, circularam relatos de negociações a R$ 360 por saca, envolvendo pelo menos quatro cargas, acima da referência recente de R$ 350. Esses valores, porém, foram mencionados como rumores de mercado.

A avaliação de Oliveira é que a necessidade pontual de reposição favoreceu os melhores lotes, enquanto os intermediários permaneceram sem força para acompanhar integralmente a valorização.

Preços na origem variam entre os estados

As cotações do feijão carioca na origem, na modalidade FOB, mantiveram diferenças expressivas entre as regiões.

Na Bahia, ocorreram negócios pontuais com o padrão extra a R$ 315 por saca. Nas demais praças acompanhadas, predominou a estabilidade.

Para os lotes intermediários, as referências ficaram entre R$ 285 e R$ 295 por saca em Minas Gerais e Goiás, de R$ 315 a R$ 320 no interior de São Paulo e entre R$ 275 e R$ 280 em Mato Grosso.

A distância entre os valores reforça a influência da disponibilidade local e das características de cada lote sobre as negociações.

Safra no sudoeste paulista preocupa mercado do carioca

As primeiras informações sobre a produção no sudoeste de São Paulo acrescentaram preocupação à oferta futura de feijão carioca.

Segundo o levantamento apresentado pela consultoria, as produtividades iniciais ficaram abaixo de 40 sacas por hectare. Há indicações de que até 15% das áreas teriam sido direcionadas a outras culturas e de que aproximadamente um terço da safra pode estar comprometido.

Diante desse quadro, o mercado acompanha a intensidade das próximas compras. Uma retomada mais consistente da reposição será determinante para verificar se a valorização dos lotes extras poderá alcançar outros padrões.

Feijão preto tem firmeza regional, mas altas encontram resistência

O feijão preto apresentou oscilações entre as principais regiões produtoras e consumidoras, sem estabelecer uma tendência uniforme durante a semana.

No Paraná, os melhores lotes chegaram a ficar difíceis de encontrar abaixo de R$ 280 por saca. Na origem, as referências oscilaram entre R$ 260 e R$ 265, com tentativas de negociação a R$ 270.

Em Santa Catarina, os preços chegaram a ficar abaixo de R$ 260 por saca, mas posteriormente recuperaram valores superiores a esse patamar. No interior paulista, vendedores voltaram a buscar R$ 290.

Segundo Oliveira, as variações refletiram diferenças de oferta, qualidade e necessidade de compra. Compradores com entregas contratadas conseguiram aguardar melhores condições, enquanto necessidades imediatas de abastecimento favoreceram a negociação dos lotes superiores.

No atacado de São Paulo, houve discussões em torno de R$ 300 por saca, mas sem confirmação suficiente de negócios para consolidar essa referência.

Plantio no Paraná avança, mas condição das lavouras piora

A evolução da nova safra e o comportamento do clima seguem no centro das atenções do mercado de feijão preto.

No Paraná, o plantio avançou de 52% para 58% da área prevista. Entretanto, a parcela das lavouras classificadas em boas condições recuou de 91% para 82%, enquanto a participação das áreas em condição média aumentou de 9% para 18%.

A projeção apresentada indica redução de 14% na área, para 88,3 mil hectares, e queda de 8% na produção, estimada em 177,7 mil toneladas.

Para alcançar esse volume, será necessária produtividade de 2.013 quilos por hectare, aproximadamente 6,9% superior à registrada na safra anterior.

As chuvas continuam dificultando os trabalhos no campo. A possibilidade de intensificação do El Niño também mantém a atenção sobre o calendário agrícola, o rendimento e a qualidade dos grãos.

Nesse cenário, a sustentação dos preços do feijão preto permanece condicionada ao equilíbrio entre compras contidas e uma oferta futura que depende da evolução das lavouras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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