Preço do milho cai no Brasil, mas negócios seguem lentos; exportações perdem ritmo
Saca recua para R$ 63,09 na média nacional, enquanto compradores aguardam novas baixas e ritmo diário dos embarques fica 16,3% abaixo de outubro de 2025.
Publicado em: 16/10/2026 às 16:00hs
O mercado brasileiro de milho manteve negociações lentas ao longo da semana, mesmo com a queda dos preços. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a diferença entre os valores oferecidos pelos compradores e os pedidos dos produtores continua elevada em diversas regiões, dificultando o fechamento de negócios.
Em 15 de outubro, o preço médio da saca no Brasil ficou em R$ 63,09, recuo de 1,18% em relação aos R$ 63,84 registrados no encerramento da semana anterior. A pressão sobre as cotações ocorre em um ambiente de compradores abastecidos, perdas nos mercados futuros e redução da competitividade das exportações diante da queda recente do dólar.
Compradores aguardam preços menores para ampliar aquisições
Os consumidores de milho seguem tranquilos nas negociações, indicando conforto com o abastecimento. Com expectativa de novas quedas no curto prazo, as indústrias aguardam oportunidades para avançar nas compras.
Do lado da oferta, os produtores mantêm cautela na comercialização. Apesar dessa postura, a Safras & Mercado observa avanço na fixação de vendas em diferentes regiões, movimento que contribui para sustentar o viés de baixa das cotações.
A distância entre as intenções de compra e venda, entretanto, permanece como um dos principais obstáculos à recuperação do volume de negócios.
Quedas em Chicago e na B3 influenciam mercado físico
As perdas recentes dos contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago e na B3 também influenciam as decisões dos compradores, reforçando a postura de espera no mercado disponível.
Outro fator de pressão é o câmbio. No cenário descrito pela consultoria, o dólar próximo de R$ 5,05 reduziu a paridade de exportação, diminuindo os valores em reais que os exportadores conseguem oferecer pelo cereal.
Segundo a Safras & Mercado, a moeda americana deve continuar sujeita a oscilações no curto prazo, acompanhando o noticiário político e a aproximação do segundo turno das eleições.
Preços do milho recuam em São Paulo e no Rio Grande do Sul
As cotações apresentaram comportamentos distintos entre as principais praças acompanhadas, com quedas em parte dos mercados e estabilidade em outros.
Em Campinas (SP), na condição CIF, que inclui o frete até o destino, a saca passou de R$ 68,00 para R$ 67,50, retração de 0,74% na comparação semanal.
Na Mogiana paulista, o recuo foi mais intenso: o preço caiu de R$ 65,00 para R$ 63,00 por saca, desvalorização de 3,08%. Em Erechim (RS), a cotação passou de R$ 72,00 para R$ 71,00, baixa de 1,39%.
Nas demais localidades informadas, os preços permaneceram estáveis em relação ao fechamento da semana anterior:
- Cascavel (PR): R$ 60,00 por saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 55,00 por saca;
- Uberlândia (MG): R$ 65,00 por saca;
- Rio Verde (GO): R$ 60,00 por saca.
Exportações de milho somam 1,73 milhão de toneladas em outubro
No mercado externo, o Brasil exportou 1,730 milhão de toneladas de milho nos primeiros sete dias úteis de outubro, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária foi de 247,256 mil toneladas.
A receita acumulada atingiu US$ 400,212 milhões, equivalente a US$ 57,173 milhões por dia útil. O preço médio do cereal embarcado ficou em US$ 231,20 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2025, a média diária do volume exportado caiu 16,3%, enquanto a receita diária recuou 6,6%. O preço médio da tonelada, por sua vez, avançou 11,6%, compensando parcialmente a redução do ritmo dos embarques.
Com consumidores cautelosos, pressão dos contratos futuros e menor paridade de exportação, o mercado doméstico segue com dificuldade para ampliar a liquidez, apesar dos preços mais baixos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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