Soja recua em Chicago com safra recorde nos EUA e limita negócios no Brasil
Compras chinesas não compensam pressão da colheita norte-americana; no mercado brasileiro, produtores priorizam o plantio e Conab estima produção de 181,6 milhões de toneladas em 2026/27
Publicado em: 16/10/2026 às 15:00hs
Os preços da soja acumularam perdas ao longo da semana na Bolsa de Chicago (CBOT), atingindo os menores patamares em seis semanas. Mesmo com a retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, o avanço da colheita e a perspectiva de produção recorde no país mantiveram pressão sobre os contratos futuros.
No Brasil, a desvalorização internacional contribuiu para o recuo das referências nas principais praças e para a baixa movimentação comercial. Diante das condições menos atrativas de venda, produtores concentraram esforços no plantio da safra 2026/27, deixando a negociação dos estoques em segundo plano.
As projeções de oferta também influenciam o mercado. Enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua estimativa para a produção norte-americana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou expectativa de novo crescimento da colheita brasileira.
USDA eleva produção e produtividade da soja nos Estados Unidos
No relatório de outubro, o USDA estimou a safra norte-americana de soja 2026/27 em 4,562 bilhões de bushels, aproximadamente 124,15 milhões de toneladas. Em setembro, a projeção era de 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a cerca de 123,4 milhões de toneladas.
O resultado ficou acima dos 4,541 bilhões de bushels esperados pelo mercado, reforçando a percepção de maior disponibilidade do grão.
A revisão foi acompanhada pelo aumento da produtividade estimada, de 52,8 para 53,1 bushels por acre. Com a entrada da nova safra, o crescimento da oferta física mantém os compradores atentos às oportunidades de abastecimento.
Estoques norte-americanos aumentam apesar da revisão das exportações
O USDA também elevou a previsão dos estoques finais dos Estados Unidos para 315 milhões de bushels, ou aproximadamente 8,57 milhões de toneladas.
No mês anterior, a estimativa era de 310 milhões de bushels, cerca de 8,43 milhões de toneladas. O mercado aguardava reservas de 311 milhões de bushels.
Para a demanda, o departamento manteve o esmagamento em 2,78 bilhões de bushels e ampliou a projeção das exportações de 1,685 bilhão para 1,695 bilhão de bushels.
Assim, mesmo com a melhora esperada dos embarques, a revisão da produção resultou em estoques superiores aos projetados anteriormente. Esse quadro ajuda a explicar por que a retomada das compras chinesas não foi suficiente para reverter a pressão sobre Chicago.
Produção mundial de soja deve alcançar 442,7 milhões de toneladas
A estimativa do USDA para a safra mundial de soja 2026/27 subiu para 442,70 milhões de toneladas, ante 442,35 milhões previstas em setembro.
Os estoques finais globais foram projetados em 124,28 milhões de toneladas, acima das expectativas do mercado, de 123,9 milhões. Para a temporada 2025/26, as reservas estão estimadas em 124,93 milhões de toneladas.
Na América do Sul, o departamento manteve a previsão da produção brasileira em 180,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 186 milhões de toneladas para 2026/27.
Para a Argentina, a estimativa de 2025/26 foi reduzida de 49,5 milhões para 49,3 milhões de toneladas. A projeção do ciclo 2026/27 permaneceu em 50 milhões de toneladas.
Conab prevê safra brasileira de 181,6 milhões de toneladas
No primeiro levantamento da safra de grãos 2026/27, divulgado na quinta-feira (15), a Conab estimou a produção brasileira de soja em 181,616 milhões de toneladas.
O volume representa crescimento de 0,7% frente às 180,406 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior.
A área cultivada deverá alcançar 49,305 milhões de hectares, expansão de 1,4% sobre os 48,608 milhões de hectares registrados em 2025/26.
A produtividade, por outro lado, foi estimada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8% em relação aos 3.711 quilos por hectare do ciclo anterior. Dessa forma, o aumento previsto da produção brasileira está associado à ampliação da área, que compensa a redução esperada no rendimento médio.
A projeção da Conab fica aproximadamente 4,4 milhões de toneladas abaixo da estimativa do USDA para a safra brasileira 2026/27.
Queda internacional mantém comercialização brasileira lenta
A combinação entre colheita norte-americana volumosa e perspectivas de ampla oferta sul-americana mantém o mercado atento à capacidade da demanda de absorver a produção.
Nas praças brasileiras, o recuo de Chicago reduz o interesse dos produtores em fechar negócios nas condições atuais. Ao mesmo tempo, o avanço da semeadura direciona a atenção para o desenvolvimento da próxima safra.
O ritmo das compras chinesas, a evolução da colheita nos Estados Unidos e as condições das lavouras brasileiras seguem entre os fatores decisivos para os próximos movimentos dos preços da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
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