Fertilizantes: ureia sobe 3% e importações brasileiras caem 15,7%, aponta Itaú BBA
Risco logístico no Oriente Médio sustenta nitrogenado, enquanto MAP e cloreto de potássio recuam; custos de matérias-primas pressionam produção nacional de fosfatados
Publicado em: 16/10/2026 às 10:50hs
O mercado de fertilizantes apresenta movimentos distintos entre os principais produtos utilizados pela agricultura brasileira. Segundo o Agro Mensal de outubro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, a ureia subiu 3% frente ao início de setembro, para US$ 470 por tonelada, enquanto o fosfato monoamônico (MAP) e o cloreto de potássio (KCl) registraram recuos.
As referências são na modalidade CFR Brasil, que inclui o custo do produto e o frete até o porto de destino.
Do lado da demanda, o Brasil importou 28,5 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e setembro de 2026, queda de 15,7% em relação ao mesmo período de 2025. Para o banco, os números sinalizam entregas inferiores às do ano anterior, sobretudo de nitrogenados e fosfatados.
Ureia sobe com risco geopolítico e pressão sobre fretes
A permanência do conflito no Oriente Médio manteve o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril durante praticamente todo o intervalo de 30 dias analisado pelo relatório.
Segundo o Itaú BBA, o efeito sobre os custos dos fertilizantes nitrogenados não ocorre de forma proporcional à valorização do petróleo. Ainda assim, preços elevados da commodity pressionam os fretes e ampliam os riscos logísticos nas rotas de abastecimento global.
Nesse ambiente, a ureia foi o único dos principais fertilizantes acompanhados a registrar alta. A cotação chegou a US$ 485 por tonelada na segunda metade de setembro, permaneceu nesse nível até o início de outubro e apresentou leve recuo na última semana do levantamento, para US$ 470.
A demanda brasileira, porém, continuou contida. As importações de ureia somaram 3,5 milhões de toneladas de janeiro a setembro, redução de 21,5% na comparação anual.
MAP recua, mas preços dos fosfatados permanecem elevados
O MAP foi cotado a US$ 830 por tonelada CFR Brasil, queda de 1,2% nos 30 dias analisados. Apesar da acomodação, o relatório destaca que os preços dos fosfatados seguem elevados.
As importações brasileiras de MAP e de superfosfato simples (SSP) acumulam retração em 2026. A programação de navios também indica menor volume para outubro, refletindo, segundo o banco, a sensibilidade da demanda aos preços praticados.
Na oferta doméstica, o aumento dos custos das matérias-primas deve manter a produção de fosfatados restrita.
Enxofre importado custa mais de três vezes o valor de um ano antes
Entre os fatores de pressão sobre a produção nacional, o Itaú BBA destaca o encarecimento do enxofre importado.
Em setembro de 2026, o produto alcançou US$ 1.161 por tonelada, mais de três vezes o valor observado no mesmo mês do ano anterior.
Esse aumento limita o alívio dos custos industriais, mesmo com a redução recente da cotação internacional do MAP.
Cloreto de potássio cai para US$ 355 por tonelada
O KCl apresentou recuo de US$ 375 para US$ 355 por tonelada CFR Brasil, redução de aproximadamente 5% no período acompanhado.
Diferentemente da ureia, o potássio encontrou um ambiente de oferta confortável, sem fatores disruptivos relevantes na produção e na logística, conforme a análise.
Entre os produtos detalhados no relatório, o KCl também registrou a menor queda nas importações brasileiras. O volume chegou a 10,8 milhões de toneladas até setembro, retração de 3,6% frente ao mesmo intervalo de 2025.
Mercado sinaliza entregas menores de fertilizantes em 2026
A redução das importações totais reforça a avaliação do Itaú BBA de que as entregas de fertilizantes devem encerrar 2026 abaixo das registradas no ano anterior.
O quadro combina demanda contida, preços ainda elevados de fosfatados e pressão geopolítica sobre os nitrogenados. No potássio, a disponibilidade mais confortável favorece a acomodação das cotações.
Para o abastecimento brasileiro, a evolução dos fretes, dos custos de matérias-primas e das condições logísticas continuará relevante, especialmente nos produtos mais expostos às tensões internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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