Algodão brasileiro alcança 34% do comércio global e exportações somam US$ 5,3 bilhões
Embarques atingem 3,374 milhões de toneladas na safra 2025/26; investimentos em tecnologia, produtividade e regularidade no fornecimento ampliam presença internacional da fibra nacional
Publicado em: 16/10/2026 às 10:35hs
O algodão brasileiro passou a responder por 34% do comércio mundial da fibra, ante 7% há menos de uma década, segundo dados apresentados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), em Istambul, na Turquia. A expansão das vendas externas e a capacidade de abastecer compradores ao longo do ano sustentam o avanço da participação nacional.
Na safra 2025/26, o Brasil exportou 3,374 milhões de toneladas de algodão, com receita de US$ 5,295 bilhões. Os resultados representam crescimento de 73% em volume e de 72% em faturamento na comparação com a temporada 2019/20.
Para 2026/27, a Anea projeta embarques próximos de 3,4 milhões de toneladas, mantendo as exportações em patamar elevado.
Regularidade dos embarques fortalece presença no mercado internacional
Além do crescimento acumulado, a distribuição dos embarques ao longo do ano amplia a capacidade brasileira de atender à indústria têxtil internacional.
De acordo com os dados apresentados, a média mensal exportada na temporada 2025/26 ficou em aproximadamente 279 mil toneladas, com pico de 452 mil toneladas em dezembro.
Para o vice-presidente da Anea, Ariel Coelho, a competitividade da fibra brasileira resulta de investimentos dos produtores em tecnologia e produtividade. Na avaliação do executivo, a experiência das indústrias com o produto nacional favorece novas compras e a ampliação dos volumes contratados nos anos seguintes.
“Não é apenas uma questão de volume”, afirmou Coelho, ao destacar os fatores que sustentam a expansão das vendas externas.
Produtividade recorde ameniza redução da área de algodão
No campo, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) informou produção de 4,144 milhões de toneladas de pluma em 2025/26, recuo de 2,5%.
A área cultivada diminuiu 8%, mas o ganho de rendimento ajudou a limitar a queda da colheita. A produtividade avançou 6% e alcançou o recorde de 2.076 quilos por hectare.
O desempenho reforça a importância da eficiência nas lavouras para sustentar a oferta brasileira, mesmo em um cenário de redução da superfície plantada.
Safra 2026/27 exige atenção aos custos e às chuvas
Para o próximo ciclo, a Abrapa estima produção entre 3,8 milhões e 4,4 milhões de toneladas de pluma. Os custos dos insumos e a possibilidade de irregularidade das chuvas associada ao El Niño estão entre os principais pontos de atenção.
Essas variáveis serão relevantes para o desempenho das lavouras e para a disponibilidade de algodão destinada ao mercado interno e às exportações.
Na avaliação do diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, a combinação de oferta, competitividade, qualidade e sustentabilidade cria condições para ampliar a presença brasileira no comércio internacional. Esses atributos também podem fortalecer o espaço da fibra nas decisões de compra da indústria e dos consumidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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