Logística e Transporte

Exportações brasileiras para os EUA recuam 25,5% em janeiro e ampliam déficit comercial, aponta Amcham

Queda nas vendas ao mercado americano é a sexta consecutiva e reflete impacto das sobretaxas e retração nas exportações de petróleo


Publicado em: 13/02/2026 às 10:45hs

Exportações brasileiras para os EUA recuam 25,5% em janeiro e ampliam déficit comercial, aponta Amcham
Comércio Brasil–EUA inicia 2026 com retração nas exportações

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro de 2026, o que representa uma queda de 25,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado marca o sexto mês consecutivo de recuo, iniciado em agosto de 2025, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, divulgado pela Amcham Brasil.

As importações de produtos americanos também diminuíram, com retração de 10,9% no mesmo período. No entanto, como as exportações caíram de forma mais acentuada, o déficit comercial bilateral do Brasil aumentou significativamente, alcançando US$ 700 milhões — mais que o triplo do registrado em janeiro de 2025.

Sobretaxas e queda no petróleo explicam desaceleração

A principal causa para a queda das exportações foi o desempenho negativo do petróleo bruto, que registrou recuo de 39,1% na comparação anual. Outro fator decisivo foi o impacto das sobretaxas impostas a produtos brasileiros, com redução média de 26,7% nas vendas.

Os bens sujeitos a tarifas adicionais de 40% e 50% tiveram retração de 38,2%, o que equivale a US$ 325 milhões a menos em exportações. Já os produtos incluídos na Seção 232, como siderúrgicos e cobre, caíram 38,3%, resultando em uma perda de US$ 253 milhões.

Entre os itens mais afetados estão semimanufaturados de ferro e aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

“O ano de 2026 começa marcado por forte pressão sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos. A combinação entre os efeitos das sobretaxas, especialmente sobre bens industriais, e a queda das exportações de petróleo tem desacelerado as trocas bilaterais”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Setores exportadores mostram resiliência em meio à crise

Apesar da retração geral, alguns setores da pauta exportadora brasileira apresentaram desempenho positivo. Entre os dez produtos mais exportados para os Estados Unidos em janeiro, seis tiveram resultados superiores em comparação às vendas para outros destinos.

Os destaques foram café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia, que demonstraram resistência mesmo em cenário adverso.

Segundo a Amcham, o Brasil permanece entre os poucos países com os quais os EUA mantêm superávit comercial expressivo, posição consolidada ao longo de 2025.

Amcham defende diálogo econômico para equilibrar balança

Para Abrão Neto, é essencial retomar o diálogo econômico de alto nível entre os dois países a fim de restabelecer previsibilidade e reduzir barreiras comerciais.

“O comércio bilateral é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos mútuos e trocas entre empresas do mesmo grupo. Avançar na cooperação econômica é fundamental para criar condições que permitam a retomada do fluxo comercial em 2026”, destacou o executivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --