Soja sobe 4%, exportações avançam e Rabobank mantém projeção de safra robusta no Brasil
Relatório aponta valorização da soja, pressão sobre o milho com avanço da colheita da safrinha e expectativa de produção de 140 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26
Publicado em: 21/07/2026 às 19:20hs
O mercado brasileiro de grãos iniciou julho com movimentos distintos entre soja e milho. Enquanto a oleaginosa registrou valorização nos preços pagos ao produtor, impulsionando as negociações, o milho sofreu pressão com o avanço da colheita da segunda safra e a maior concorrência internacional.
É o que mostra a atualização mensal divulgada pelo Rabobank, que também destaca o forte desempenho das exportações brasileiras de soja e mantém uma perspectiva positiva para a produção nacional de milho na safra 2025/26.
Preço da soja sobe com maior comercialização
Segundo o levantamento, os preços da soja no mercado interno brasileiro aumentaram cerca de 4% em julho. A combinação entre cotações mais atrativas e limitações na capacidade de armazenamento levou muitos produtores a intensificarem as vendas.
O movimento ocorreu principalmente após a colheita recorde da oleaginosa, que garantiu ampla oferta, mas também aumentou a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a chegada da segunda safra de milho.
Milho perde força com avanço da safrinha
Em sentido oposto, os preços do milho recuaram aproximadamente 1% no mesmo período.
De acordo com o Rabobank, a queda reflete principalmente:
- avanço da colheita da safrinha;
- maior disponibilidade interna do cereal;
- competitividade crescente dos Estados Unidos e da Argentina no mercado internacional.
Esses fatores reduziram a sustentação das cotações no mercado brasileiro.
Exportações de soja crescem 8%
O comércio exterior continua sendo um dos principais motores do agronegócio brasileiro.
Em junho, o Brasil exportou 14,5 milhões de toneladas de soja, volume 8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.
No acumulado do ano, os embarques já somam aproximadamente 69,6 milhões de toneladas, crescimento de 7% na comparação anual.
Segundo o banco, a combinação entre safra recorde e competitividade dos preços brasileiros mantém o país em posição privilegiada no mercado internacional da oleaginosa.
Exportações de milho reagem, mas cenário ainda inspira cautela
As exportações de milho também apresentaram recuperação em junho.
O volume embarcado atingiu 440 mil toneladas, alta de 74% em relação ao mês anterior e crescimento de 18% sobre igual período do ano passado.
Apesar da melhora mensal, o Rabobank projeta que as exportações brasileiras de milho em 2026 deverão ficar abaixo das registradas em 2025, diante da maior competição internacional e das mudanças no fluxo global de oferta.
Colheita da safrinha avança e produtividade surpreende
A colheita da segunda safra de milho continua evoluindo em ritmo consistente.
Segundo o relatório, aproximadamente 39% da área cultivada já havia sido colhida até a semana de divulgação do estudo.
O Mato Grosso segue liderando os trabalhos de campo, beneficiado por produtividades consideradas muito positivas.
No Paraná, embora o ritmo permaneça mais lento, as lavouras apresentam condições favoráveis. Já em Mato Grosso do Sul, o potencial produtivo também continua elevado.
Produção de milho deve atingir 140 milhões de toneladas
Mantendo uma visão otimista para a temporada, o Rabobank estima que a produção total de milho do Brasil alcance 140 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Caso a projeção se confirme, o país reforçará sua posição entre os maiores produtores e exportadores mundiais do cereal, sustentado pelo elevado desempenho da segunda safra e pela expansão da produtividade em importantes polos agrícolas.
Clima segue favorável nas principais regiões produtoras
O monitoramento climático realizado pelo Rabobank indica que grande parte das áreas produtoras continua apresentando boas condições para o desenvolvimento das lavouras.
As análises abrangem importantes regiões agrícolas de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Rio Grande do Sul, onde predominam índices considerados bons ou excelentes para a evolução das culturas.
Perspectiva para o mercado
O cenário descrito pelo Rabobank aponta para um agronegócio brasileiro ainda bastante competitivo no mercado global.
Enquanto a soja continua sustentada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda internacional, o milho enfrenta maior pressão de oferta no curto prazo. Ainda assim, a expectativa de uma produção próxima de 140 milhões de toneladas reforça o protagonismo do Brasil no abastecimento mundial de grãos, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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