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Recuperação judicial no agro cai 20,7% no segundo trimestre de 2026, aponta Serasa Experian

Setor registrou 448 pedidos entre abril e junho; Mato Grosso lidera ocorrências, e produtores pessoa física concentram o maior volume de solicitações


Publicado em: 20/10/2026 às 10:10hs

Recuperação judicial no agro cai 20,7% no segundo trimestre de 2026, aponta Serasa Experian

O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% em relação às 565 solicitações do mesmo período de 2025, segundo indicador da Serasa Experian. O levantamento reúne produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas relacionadas à cadeia agropecuária.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando foram contabilizados 474 pedidos, a redução foi de 5,5%. O resultado interrompe a sequência de crescimento observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025 na série consolidada, iniciada em 2021.

Apesar da desaceleração, a avaliação da empresa é de que o recuo ainda exige cautela. Custos elevados, endividamento e maior seletividade na concessão de crédito continuam entre os desafios financeiros do setor.

Queda dos pedidos ainda não confirma recuperação financeira

Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a redução pode estar associada à entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades e ao avanço de renegociações com credores.

Esses fatores, porém, não permitem concluir que as dificuldades foram superadas. Segundo o executivo, será necessário acompanhar os próximos trimestres para verificar se a queda terá continuidade.

Pimenta destaca a preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a negociação de dívidas como medidas importantes nesse ambiente. Em sua avaliação, a recuperação judicial deve permanecer como último recurso.

Mato Grosso concentra 23,9% das solicitações

Mato Grosso liderou os pedidos de recuperação judicial no agronegócio entre abril e junho, com 107 registros, equivalentes a 23,9% do total nacional.

Na sequência aparecem Goiás, com 84 solicitações e participação de 18,8%; São Paulo, com 72 e 16,1%; Minas Gerais, com 54 e 12,1%; e Paraná, com 42 e 9,4%.

Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins também integram os dez estados com maior número de ocorrências no período.

Produtores pessoa física respondem pelo maior número de pedidos

Os produtores rurais que atuam como pessoa física contabilizaram 197 pedidos, maior volume entre os três perfis analisados. O resultado representa queda de 10,5% frente às 220 solicitações do segundo trimestre de 2025.

Nesse grupo, Mato Grosso registrou 49 ocorrências, seguido por Goiás, com 46; Minas Gerais, com 23; São Paulo, com 22; e Paraná, com 16. Mato Grosso do Sul e Pará tiveram dez pedidos cada.

Na classificação por porte, o grupo identificado como “sem propriedades” concentrou 70 solicitações. Segundo o levantamento, essa categoria pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos vinculados à atividade rural.

Entre os demais perfis, grandes proprietários registraram 51 pedidos, pequenos proprietários somaram 39 e médios proprietários, 37.

Recuperações judiciais de produtores pessoa jurídica recuam 34,2%

Entre os produtores rurais pessoas jurídicas, foram registrados 160 pedidos de recuperação judicial, ante 243 no segundo trimestre de 2025. A queda foi de 34,2%, a mais intensa entre os três grupos pesquisados.

O cultivo de soja concentrou 70 solicitações, seguido pela criação de bovinos, com 28. Também se destacaram o cultivo de cana-de-açúcar, com 15 registros; café, com 13; e cereais, com 12.

No recorte estadual desse perfil, Mato Grosso respondeu por 54 pedidos. São Paulo teve 28, Goiás registrou 22, Minas Gerais somou 21 e Paraná contabilizou 15.

Empresas da cadeia agro registram 91 ocorrências

As empresas relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 91 pedidos no segundo trimestre, redução de 10,8% em relação às 102 solicitações de um ano antes.

Os serviços de apoio à agropecuária lideraram as ocorrências, com 26 registros. A agroindústria de transformação primária teve 20 pedidos, enquanto o comércio atacadista de produtos agropecuários primários somou 18.

Os revendedores de insumos agropecuários, exceto máquinas, contabilizaram outras dez solicitações.

Modelos preditivos buscam antecipar sinais de dificuldade financeira

A Serasa Experian também utiliza inteligência artificial em ferramentas de avaliação de risco, como o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural.

Segundo a empresa, o acompanhamento de dados permite identificar mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas antes do agravamento das dificuldades.

Em uma das análises realizadas, o Agro Score médio dos produtores pessoas físicas que posteriormente solicitaram recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do pedido.

Para Pimenta, incorporar as particularidades do agronegócio à avaliação ajuda a distinguir níveis de risco que poderiam passar despercebidos em modelos genéricos. A proposta é apoiar decisões de crédito mais adequadas a cada perfil, evitando restrições indiscriminadas ao financiamento do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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