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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes: ureia sobe a US$ 473 e MAP chega a US$ 840 por tonelada, aponta Nobel Trading

Oferta internacional restrita pressiona nitrogenados e fosfatados; potássio permanece próximo da estabilidade, apesar da redução nas chegadas ao Brasil


Publicado em: 20/10/2026 às 10:40hs

Fertilizantes: ureia sobe a US$ 473 e MAP chega a US$ 840 por tonelada, aponta Nobel Trading

Os preços dos fertilizantes apresentam movimentos distintos no mercado brasileiro, com alta da ureia e dos fosfatados e estabilidade do cloreto de potássio. A restrição da oferta internacional, os custos de energia e os riscos logísticos sustentam os reajustes, enquanto crédito limitado, juros elevados e volatilidade cambial contêm as compras no país.

Segundo a terceira edição de outubro do Nobel Report Agro, da Nobel Trading, a referência da ureia granulada CFR Brasil passou de US$ 470 para US$ 473 por tonelada. O fosfato monoamônico (MAP) avançou de US$ 836 para US$ 840, enquanto o cloreto de potássio granulado (MOP) recuou de US$ 367 para US$ 366 por tonelada.

As referências CFR incluem o custo do produto e o frete até o porto de destino. Elas não equivalem ao preço final entregue na propriedade rural.

Ureia sobe com retomada das compras e pressão dos custos de energia

O relatório identifica recuperação da procura brasileira por ureia após o feriado. Os negócios ocorreram entre US$ 470 e US$ 485 por tonelada, enquanto algumas ofertas de origens fora da China chegaram a US$ 500.

Entre os fatores de sustentação, a Nobel Trading destaca a valorização do gás natural europeu e as dificuldades de transporte no Oriente Médio. Conforme as avaliações reunidas no documento, aproximadamente 259 mil toneladas de ureia permaneciam retidas no Golfo.

O gás, insumo importante na produção de nitrogenados, também elevou os custos das fábricas europeias. Uma das avaliações citadas estimou o custo de produção da ureia na região em US$ 736 por tonelada.

No Brasil, porém, a disponibilidade já existente ajuda a limitar os reajustes. O relatório menciona estimativa de 1,3 milhão de toneladas nos portos, além de programação de chegada de 746 mil toneladas em outubro e 172 mil toneladas em novembro. Os números do cronograma de embarques são parciais e sujeitos a revisão.

Leilão da Índia pode influenciar próximos movimentos dos nitrogenados

A demanda indiana permanece entre os principais pontos de atenção. Segundo o documento, o leilão da IPL contratou 410 mil toneladas de ureia, diante de uma procura inicial de 1,7 milhão de toneladas.

Produtores chineses recusaram as contrapropostas, e um novo leilão indiano era esperado nas duas a três semanas seguintes à avaliação.

Para a Nobel Trading, essa negociação poderá indicar os preços que os fornecedores chineses estão dispostos a aceitar e influenciar as referências internacionais.

O sulfato de amônio granulado e compactado também ficou mais caro: a referência passou de US$ 251 para US$ 259 por tonelada. Foram relatados negócios a US$ 255 CFR Rio Grande e US$ 260 CFR Paranaguá, com ofertas de até US$ 265.

MAP alcança US$ 840 com oferta global limitada

Nos fosfatados, o relatório registra negócios de MAP russo a US$ 840 por tonelada, para novembro, nos portos de Paranaguá, Santos e Vila do Conde.

O produto disponível no mercado interno foi indicado a US$ 820 por tonelada em equivalente CFR, abaixo da referência das novas importações.

A restrição de oferta está associada, segundo a publicação, à suspensão das exportações chinesas de MAP e DAP, à redução do ritmo da OCP e à paralisação da mina de South Fort Meade, da Mosaic.

O documento aponta expectativa de definição sobre as exportações chinesas somente após abril ou maio de 2027. Esse cenário amplia a atenção ao planejamento de compras para a safra 2027/28.

Apesar da oferta internacional curta, a demanda brasileira continua lenta. A Nobel Trading relata melhora pontual da atividade, mas destaca que as condições de financiamento e o câmbio dificultam o fechamento de negócios.

Superfosfato simples também registra valorização

A referência do superfosfato simples (SSP), com concentração de 18% a 20%, subiu de US$ 250 para US$ 258 por tonelada.

As ofertas chinesas alcançaram US$ 270 CFR Itaqui e US$ 295 CFR Santarém, evidenciando diferenças conforme o destino e as condições comerciais.

Já as avaliações do superfosfato triplo (TSP) ficaram entre US$ 640 e US$ 670 por tonelada, com estabilidade ou recuo pontual. Nos formulados NPK, o relatório descreve uma temporada de compras praticamente encerrada, com novas aquisições concentradas em dezembro.

Potássio permanece estável mesmo com menos produto chegando

O cloreto de potássio apresentou comportamento diferente dos nitrogenados e fosfatados. A referência Nobel do MOP granulado ficou em US$ 366 por tonelada, enquanto negócios com produto russo e bielorrusso ocorreram próximos de US$ 360.

As ofertas variaram de US$ 370 a US$ 375, com propostas de compra entre US$ 350 e US$ 360 por tonelada.

Essa estabilidade ocorre apesar da redução do abastecimento. As chegadas de MOP indicadas para outubro somavam 586,2 mil toneladas, 32% abaixo do volume de 2025.

O relatório também cita avaliações sobre possíveis reduções dos embarques russos no quarto trimestre, associadas a dificuldades logísticas no Báltico. Uma delas estima impacto potencial de até 500 mil toneladas mensais, caso os problemas se confirmem.

Estoques chineses podem conter pressão sobre o potássio

O principal contraponto à menor oferta é a disponibilidade de 4,38 milhões de toneladas de MOP nos portos chineses, segundo a publicação.

Esse estoque pode reduzir o ritmo das importações da China e compensar parte da pressão provocada pelas restrições de fornecimento.

As negociações do contrato chinês de potássio para 2027 também estão no radar. O contrato vigente, indicado em US$ 348 por tonelada CFR, funciona como referência acompanhada pelo mercado internacional.

Crédito, câmbio e logística orientam planejamento de compras

Na avaliação da Nobel Trading, as condições financeiras brasileiras seguem determinantes para o ritmo de aquisição de fertilizantes. A combinação de juros altos, crédito escasso e câmbio volátil mantém compradores cautelosos, mesmo diante dos riscos externos.

Para necessidades imediatas, o relatório recomenda comparar os preços disponíveis no mercado interno com os custos de novas importações. A publicação também defende atenção à cobertura de nitrogenados e ao abastecimento de potássio no quarto trimestre.

O cenário exige acompanhamento da disponibilidade efetiva, dos prazos de entrega e das condições comerciais. A menor oferta internacional representa risco de reajustes, mas os estoques existentes e o comportamento da demanda ainda podem limitar esse movimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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