Publicidade
Milho e Sorgo

Milho segue em queda no Brasil; Chicago tenta estabilidade com colheita e exportações no radar

Oferta elevada mantém negócios lentos no mercado brasileiro, enquanto chuvas afetam lavouras no Sul; nos Estados Unidos, colheita chega a 44% e inspeções de exportação recuam 48,8%.


Publicado em: 20/10/2026 às 11:40hs

Milho segue em queda no Brasil; Chicago tenta estabilidade com colheita e exportações no radar

Os preços do milho permanecem pressionados no Brasil, com oferta superior à demanda, compradores cautelosos e maior flexibilidade de parte dos vendedores. No cenário internacional, os contratos iniciaram esta terça-feira (20) próximos da estabilidade em Chicago, após as perdas da segunda-feira, diante da entrada da safra americana e do enfraquecimento das inspeções de exportação.

Segundo a TF Agroeconômica, as negociações domésticas continuam lentas. A necessidade de liberar espaço nos armazéns para a próxima colheita influencia as decisões de venda, enquanto os consumidores priorizam aquisições pontuais.

Ao mesmo tempo, chuvas excessivas e temporais dificultam operações em áreas do Sul. O mercado acompanha tanto os efeitos sobre o milho de verão quanto os possíveis reflexos do calendário da soja na implantação da segunda safra.

Preço do milho no Sul apresenta diferenças entre compra e venda

No Rio Grande do Sul, as indicações variam de R$ 60 a R$ 70 por saca. A média estadual apurada pela Emater recuou 0,37%, para R$ 62,44, enquanto a Bolsa de Cereais de Cruz Alta apresentou referência de R$ 75.

Em Santa Catarina, vendedores pedem aproximadamente R$ 60 por saca, diante de propostas de compra próximas de R$ 55. A diferença entre as posições limita a concretização de negócios.

No Paraná, as cotações caíram na maioria das praças acompanhadas. Em Cascavel, o recuo foi de 1,74%, para R$ 56,03 por saca. Umuarama registrou baixa de 1,45%, para R$ 55,47. Londrina apresentou comportamento distinto, com avanço de 0,33%, para R$ 63,61.

Já em Mato Grosso do Sul, os preços ficam entre R$ 52 e R$ 54 por saca. A indústria de bioenergia absorve parte da disponibilidade, mas os demais compradores mantêm o foco na reposição, enquanto produtores restringem a oferta de novos lotes.

Plantio avança, mas excesso de chuva exige atenção no Sul

O plantio do milho no Rio Grande do Sul alcançou 80% da área, conforme os dados da Conab citados pela TF Agroeconômica. A produção estadual está projetada em 6,63 milhões de toneladas, crescimento de 10,2%.

Apesar do avanço, o excesso de umidade e a baixa luminosidade reduzem o ritmo das atividades e favorecem doenças. No Noroeste gaúcho, granizo e ventos fortes provocaram falhas em lavouras, com possibilidade de ressemeadura.

Em Santa Catarina, a semeadura atingiu 86%, acima da média histórica de 79%. As chuvas favorecem áreas com boa drenagem, mas dificultam o manejo em terrenos mais úmidos.

No Paraná, o plantio chegou a 90%, embora temporais tenham causado desfolhamento em algumas áreas.

Chicago busca estabilidade após queda na segunda-feira

Na abertura desta terça-feira, o mercado internacional apresentou oscilações moderadas.

Às 7h17, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,6700 por bushel, sem variação. Março de 2027 subia 0,75 centavo de dólar, para US$ 4,8125, enquanto maio avançava 1 centavo, cotado a US$ 4,8950 por bushel.

Na segunda-feira (19), dezembro havia encerrado a US$ 4,67 por bushel, com perda de 7,25 centavos. Março terminou a US$ 4,8050, recuo de 6 centavos.

A perspectiva de tempo predominantemente seco no Meio-Oeste americano, favorável à colheita, e os números mais fracos de embarques contribuíram para a pressão sobre os contratos.

Colheita americana chega a 44%, abaixo da média histórica

O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na segunda-feira, mostrou que a colheita atingiu 44% da área cultivada na semana encerrada em 18 de outubro.

O avanço foi de 11 pontos percentuais sobre os 33% da semana anterior. Mesmo assim, os trabalhos ficaram abaixo da média dos últimos cinco anos, de 52%. A diferença em relação ao ritmo histórico aumentou de seis para oito pontos percentuais.

O USDA também informou que 95% das lavouras estavam maduras, ante média de 96%. A parcela classificada como boa ou excelente permaneceu em 56%.

Embora atrasada, a colheita amplia gradualmente a disponibilidade do cereal. O mercado acompanha a capacidade da demanda de absorver uma produção americana estimada em 407,28 milhões de toneladas na temporada 2026/27.

Inspeções de exportação dos EUA caem quase pela metade

As inspeções de exportação de milho dos Estados Unidos somaram 672.475 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, contra 1.313.733 toneladas na semana anterior. A queda foi de aproximadamente 48,8%.

Em igual período do ano passado, o volume havia alcançado 1.324.992 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1º de setembro, as inspeções totalizam 9,13 milhões de toneladas, abaixo das 9,35 milhões de toneladas do ciclo anterior.

O resultado contrasta com o crescimento das vendas líquidas divulgado na sexta-feira (16), quando os negócios somaram 1,122 milhão de toneladas, alta semanal de 46%.

Os indicadores medem etapas diferentes: as vendas sinalizam compromissos comerciais, enquanto as inspeções ajudam a acompanhar o fluxo de embarques. A evolução de ambos será importante para avaliar a demanda pelo milho americano.

Concorrência argentina influencia exportações brasileiras

Além da oferta dos Estados Unidos, o milho brasileiro enfrenta a concorrência da Argentina nos mercados internacionais.

Segundo a análise Direto do Campo, produzida pela Grainsights e divulgada pela Grão Direto, preços de exportação, frete marítimo, disponibilidade de navios e prêmios portuários influenciam a escolha dos compradores.

Caso o produto argentino mantenha condições mais competitivas, poderá conquistar negócios e exigir ajustes nas ofertas brasileiras. Esse movimento tende a limitar a paridade de exportação, especialmente nas regiões mais dependentes das vendas externas.

No Brasil, a expectativa de oferta abundante também ganhou destaque com a projeção da Hedgepoint Global Markets de uma safra recorde de 146,5 milhões de toneladas em 2026/27.

Calendário da soja pode alterar risco para o milho safrinha

As condições para o plantio da segunda safra permanecem entre os pontos de atenção. Se atrasos na semeadura da soja persistirem, a colheita da oleaginosa poderá ocorrer mais tarde, reduzindo a janela disponível para o milho.

Conforme a análise divulgada pela Grão Direto, esse deslocamento pode aumentar a exposição à falta de água no fim do ciclo e, em determinadas regiões, ao risco de geadas.

O cenário não significa perda inevitável de produção. Seus efeitos dependerão da distribuição das chuvas, da velocidade das operações e do desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas.

Demanda interna e câmbio podem limitar pressão sobre os preços

O consumo das indústrias de aves, suínos e etanol pode oferecer sustentação regional às cotações. Preços mais baixos do milho também podem favorecer compras para recomposição de estoques, desde que as margens e a demanda pelos produtos finais permitam.

O câmbio segue como outra variável relevante. Uma valorização do dólar pode amortecer parte das perdas internacionais na formação dos preços brasileiros, enquanto um real mais forte pode reduzir a paridade exportadora.

Para a comercialização, a análise conjunta de Chicago, câmbio, prêmios, frete e custos de produção permite avaliar melhor as condições de cada praça. No curto prazo, a oferta elevada mantém a pressão, enquanto clima, embarques e consumo industrial poderão modificar o equilíbrio do mercado.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias