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Análise de Mercado

Brasil leva 156 empresas à SIAL Paris 2026 e busca ampliar exportações de alimentos para a Europa

Pavilhão Brasil reúne grandes exportadores, pequenas empresas e cooperativas da agricultura familiar em uma das principais feiras mundiais de alimentos; diversificação de mercados ganha força diante de barreiras comerciais e da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia.


Publicado em: 20/10/2026 às 11:35hs

Brasil leva 156 empresas à SIAL Paris 2026 e busca ampliar exportações de alimentos para a Europa

O Brasil busca ampliar sua participação no comércio internacional de alimentos e diversificar os destinos de suas exportações com a presença de 156 empresas na SIAL Paris 2026, uma das principais feiras mundiais do setor de alimentos e bebidas. Realizado na França, o evento reúne compradores, importadores, distribuidores e representantes da indústria alimentícia de diferentes países.

A participação brasileira é coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e reúne empresas de diferentes portes, grandes cadeias exportadoras e cooperativas da agricultura familiar. O objetivo é ampliar oportunidades comerciais, conquistar novos compradores e fortalecer a presença dos produtos nacionais no mercado europeu e em outros destinos internacionais.

Durante a abertura do Pavilhão Brasil, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou a importância da diversificação dos mercados diante das mudanças no cenário comercial global. Segundo ele, 74 das empresas brasileiras participantes foram afetadas, de alguma forma, pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.

A agência tem apoiado essas companhias na busca por novos destinos comerciais, com condições diferenciadas de apoio, para reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar as possibilidades de negócios.

Agronegócio sustenta avanço das exportações brasileiras

O desempenho recente do comércio exterior reforça a relevância do agronegócio para a economia brasileira. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 169,2 bilhões, crescimento de 3% em relação ao ano anterior e equivalente a 48,5% de todas as vendas externas do Brasil, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para Laudemir Müller, o avanço das exportações está diretamente relacionado à força do agronegócio e à capacidade brasileira de atender à demanda internacional por alimentos.

A estratégia de promoção comercial busca ampliar a presença do país em mercados de maior valor agregado, diversificar os destinos e fortalecer a competitividade das empresas nacionais.

SIAL Paris ocorre após início do acordo Mercosul-União Europeia

A edição de 2026 da SIAL Paris é a primeira realizada após o início da aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio de 2026.

O novo contexto amplia a importância das negociações entre empresas brasileiras e compradores europeus, em um mercado que reúne redes de supermercados, distribuidores, importadores e indústrias de alimentos.

O Brasil ocupa mais de 2 mil metros quadrados na feira, com espaços distribuídos pelos pavilhões 4, 5, 6 e 8 do centro de exposições Paris Nord Villepinte. Até 21 de outubro, compradores internacionais podem conhecer produtos das 156 empresas participantes, incluindo representantes de 14 cooperativas da agricultura familiar.

Segundo a organização, a feira reúne cerca de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e mais de 400 mil produtos. A expectativa é receber aproximadamente 295 mil profissionais de cerca de 194 países, em uma área de exposição de 280 mil metros quadrados.

Entre os destaques estão cerca de 5 mil grandes compradores, com poder de compra estimado em € 60 bilhões. A organização informa que, em média, 83% dos compradores realizam transações durante o evento ou nos meses seguintes.

Brasil amplia mercados para produtos agropecuários

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, ressaltou que a participação brasileira ocorre após o país alcançar a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários, distribuídos por 99 destinos.

A abertura de mercados é resultado da atuação conjunta do governo e da iniciativa privada para ampliar as oportunidades de exportação, superar barreiras comerciais e diversificar os destinos dos produtos brasileiros.

A estratégia envolve desde grandes cadeias de produção até empresas de menor porte, que buscam na feira oportunidades para estabelecer contatos comerciais e iniciar negociações com parceiros internacionais.

Setores de carnes buscam novos negócios e superação de barreiras

A proteína animal está entre os segmentos brasileiros que buscam ampliar oportunidades no mercado internacional durante a SIAL Paris 2026.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou a importância da parceria entre a entidade e a ApexBrasil, mantida há mais de 20 anos, para promover a carne bovina brasileira em diferentes países.

Segundo Perosa, representantes do setor aproveitam a feira para dialogar com compradores, buscar alternativas comerciais e discutir caminhos para superar restrições que afetam a entrada da proteína brasileira no mercado europeu.

Na avicultura, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, ressaltou a contribuição da parceria com a ApexBrasil para fortalecer a presença internacional dos produtos brasileiros.

Projetos como Brazilian Chicken, Brazilian Egg e Brazilian Breeds ajudam a divulgar a qualidade sanitária, a capacidade produtiva e a competitividade do setor. O trabalho também apoia iniciativas voltadas à retomada de fluxos comerciais afetados por restrições sanitárias.

Cooperativas da agricultura familiar ganham espaço na Europa

A participação de 14 cooperativas da agricultura familiar com estandes próprios é um dos destaques brasileiros na SIAL Paris 2026.

A iniciativa integra o programa Cooperar para Exportar, da ApexBrasil, e busca aproximar pequenos produtores de compradores internacionais, criando oportunidades para produtos ligados à biodiversidade e à economia de base comunitária.

Entre os itens apresentados estão castanhas-do-Brasil, castanhas de caju, baru, derivados do Cerrado, mel e outros alimentos associados à sociobiodiversidade brasileira.

A presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), Fátima Torres, destacou que o acesso ao mercado europeu pode gerar novas fontes de renda para as famílias produtoras e contribuir para a segurança alimentar no campo.

A presença das cooperativas também amplia a diversidade da oferta brasileira, levando ao comércio internacional produtos regionais que nem sempre contam com a mesma estrutura de promoção dos grandes exportadores.

Bebidas inspiradas na Amazônia conquistam prêmio internacional

A inovação brasileira também ganhou reconhecimento na feira. A empresa AMZ Tropical, fundada na Amazônia, conquistou o Beverages Award, na categoria Bebidas, do SIAL Innovation Awards.

A companhia foi a única brasileira entre as 28 vencedoras da premiação, que avaliou mais de 2,7 mil produtos.

O reconhecimento foi concedido a quatro bebidas prontas inspiradas na biodiversidade amazônica: Amazônico Negroni, Limoncello Amazônico, Fitzgerald Amazônico e gin de jambu associado à COP30.

O CEO da empresa, Leandro Daher, comemorou a conquista e destacou a importância de levar produtos que representam a Amazônia e suas raízes culturais ao mercado internacional. Ele também reconheceu o apoio da ApexBrasil à promoção da empresa e de seus projetos.

Promoção comercial fortalece a presença brasileira no exterior

A participação na SIAL Paris 2026 reforça a estratégia brasileira de combinar promoção comercial, abertura de mercados e valorização da diversidade produtiva nacional.

Com empresas de diferentes portes, cooperativas da agricultura familiar e representantes de setores exportadores, o país busca ampliar sua base de compradores, reduzir a dependência de mercados específicos e aumentar a competitividade dos alimentos brasileiros.

O desafio agora é transformar a visibilidade conquistada na feira em contratos comerciais duradouros, com oportunidades para grandes exportadores e pequenos produtores.

Para o agronegócio brasileiro, a ampliação dos destinos de exportação representa uma frente estratégica para sustentar o crescimento das vendas externas, fortalecer cadeias produtivas e agregar valor aos produtos nacionais no comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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