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Percevejos ameaçam qualidade das sementes de soja e podem comprometer o potencial da safra 2026/27

Ataque da praga durante a formação dos grãos reduz vigor, germinação e valor comercial das sementes; especialistas alertam que o manejo começa muito antes do plantio


Publicado em: 22/07/2026 às 15:30hs

Percevejos ameaçam qualidade das sementes de soja e podem comprometer o potencial da safra 2026/27

A próxima safra de soja começa muito antes da semeadura. Nas áreas destinadas à produção de sementes, o sucesso das futuras lavouras depende diretamente da qualidade do material produzido no campo, e um dos principais desafios está no controle dos percevejos durante a formação dos grãos.

Considerados entre as pragas mais prejudiciais da cultura, os percevejos podem comprometer o vigor, a viabilidade, a germinação e a integridade física das sementes, reduzindo seu valor comercial e afetando o desempenho das lavouras na safra seguinte. Em um cenário de negociações antecipadas para a temporada 2026/27, o manejo eficiente dessas pragas torna-se um diferencial estratégico para sementeiras e produtores multiplicadores.

Produção de sementes exige manejo mais rigoroso

Enquanto as lavouras destinadas à produção de grãos têm como foco produtividade e rentabilidade por hectare, as áreas voltadas à produção de sementes precisam atender padrões muito mais rigorosos de qualidade.

Segundo Kennedy Gonzaga, engenheiro-agrônomo de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, além da produtividade, entram em cena critérios como vigor, germinação, pureza genética e certificação.

"Nas áreas destinadas à produção de sementes, normalmente são escolhidas as melhores áreas da propriedade e adotado um manejo mais preciso para preservar o potencial fisiológico do material. Como o investimento é maior, qualquer dano causado pelo percevejo representa perda direta de valor agregado", explica.

Percevejos atacam sementes ainda em formação

Entre as principais espécies que preocupam os produtores estão o percevejo-marrom e o percevejo barriga-verde, que atacam a soja durante o enchimento dos grãos.

Ao perfurarem as vagens e sugarem os nutrientes das sementes em formação, esses insetos provocam uma série de danos, como:

redução da germinação;

  • perda de vigor;
  • deformações nas sementes;
  • falhas no enchimento dos grãos;
  • diminuição da uniformidade e do peso;
  • abertura de portas para infecção por fungos.

Dependendo da intensidade do ataque, o lote pode deixar de atender aos padrões exigidos para comercialização como semente certificada, gerando prejuízos econômicos ao produtor.

Teste de tetrazólio revela danos invisíveis

Nem sempre os prejuízos provocados pelos percevejos podem ser identificados visualmente. Por isso, laboratórios e empresas do setor utilizam o teste de tetrazólio, uma das principais ferramentas para avaliação da qualidade fisiológica das sementes.

O método permite identificar rapidamente:

  • viabilidade das sementes;
  • nível de vigor;
  • danos físicos;
  • deterioração dos tecidos;
  • comprometimento do embrião.

Segundo Antonio Carlos Alves, doutor em Fitotecnia, pesquisador e coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Multcrop, os resultados obtidos nas avaliações demonstram que os impactos do ataque vão muito além da aparência externa.

"Nas amostras analisadas foi possível identificar lesões nos tecidos embrionários, alterações fisiológicas, redução da viabilidade e comprometimento de estruturas fundamentais para a germinação das sementes", afirma.

Controle deve ocorrer nas fases reprodutivas da soja

Os especialistas destacam que o manejo eficiente dos percevejos depende de monitoramento constante da lavoura e de intervenções realizadas no momento adequado.

As fases reprodutivas da soja são consideradas críticas, pois é nesse período que ocorre a formação e o enchimento das sementes.

Quando o controle é realizado tardiamente, parte dos danos já pode estar consolidada, comprometendo o potencial fisiológico do lote mesmo antes da colheita.

Rapidez no controle reduz perdas nas áreas de sementes

Além da escolha correta do inseticida, a velocidade de ação dos produtos passou a ser um fator decisivo nas áreas de maior valor agregado.

Quanto menor o tempo entre o contato do inseto com o produto e sua mortalidade, menor será o período em que ele continuará se alimentando das sementes em formação.

Segundo Gonzaga, novas tecnologias de formulação vêm contribuindo para acelerar esse processo. Entre elas está a nanotecnologia utilizada no inseticida Galil® nano, desenvolvida para ampliar a dispersão das partículas sobre a superfície das folhas, aumentar a biodisponibilidade dos ingredientes ativos e proporcionar maior rapidez no efeito de choque sobre os percevejos.

De acordo com o especialista, além da ação inicial mais rápida, a tecnologia também contribui para ampliar o efeito residual do produto, mantendo a proteção das plantas por mais tempo.

Qualidade da próxima safra é definida ainda no campo

À medida que cresce a demanda por sementes de alto desempenho, o controle de percevejos passa a desempenhar papel estratégico na produção agrícola brasileira.

A adoção de monitoramento frequente, manejo integrado e tecnologias capazes de reduzir rapidamente a população da praga é considerada fundamental para preservar o potencial fisiológico das sementes, garantir elevados índices de germinação e assegurar maior produtividade nas futuras lavouras de soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

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