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ITR 2026: Receita Federal muda regras da declaração e produtores rurais precisam atenção para evitar cancelamento e multas

Nova norma torna obrigatório o uso do serviço digital "Minhas Declarações do ITR" para grande parte dos contribuintes. Especialista alerta que utilizar o sistema incorreto pode resultar no cancelamento automático da declaração e em penalidades fiscais


Publicado em: 06/08/2026 às 12:30hs

ITR 2026: Receita Federal muda regras da declaração e produtores rurais precisam atenção para evitar cancelamento e multas

Os produtores rurais devem ficar atentos às novas exigências para a entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) 2026. O período de envio começa em 10 de agosto e segue até 30 de setembro, mas, neste ano, a principal mudança não está apenas nas informações declaradas, e sim na forma de transmissão do documento à Receita Federal.

As alterações foram estabelecidas pela Instrução Normativa RFB nº 2.330/2026, que modifica significativamente o processo de entrega da declaração e cria novas exigências tecnológicas para produtores rurais e empresas do setor.

Novo serviço digital passa a ser obrigatório no ITR 2026

A principal novidade é a adoção do ambiente digital "Minhas Declarações do ITR", disponível no Portal de Serviços da Receita Federal.

Pelas novas regras, o acesso ao sistema somente poderá ser realizado por meio de uma conta Gov.br com nível de autenticação Prata ou Ouro.

Segundo o advogado tributarista Fernando Melo de Carvalho, a mudança representa uma divisão clara entre os contribuintes.

"A partir de 2026, todas as pessoas jurídicas, independentemente do tamanho da propriedade rural, e todas as pessoas físicas proprietárias de imóveis com área superior a 100 hectares deverão obrigatoriamente utilizar o novo serviço digital 'Minhas Declarações do ITR'", explica.

Programa tradicional do ITR fica restrito

O conhecido programa instalado no computador, transmitido pelo Receitanet, continua disponível, porém sua utilização tornou-se limitada.

Agora, ele poderá ser utilizado exclusivamente por pessoas físicas proprietárias de imóveis rurais de até 100 hectares que optarem por esse formato de envio.

Para os demais contribuintes, a declaração deverá ser realizada obrigatoriamente pela plataforma online da Receita Federal.

Erro no sistema pode cancelar automaticamente a declaração

Uma das mudanças mais relevantes da nova regulamentação é a possibilidade de cancelamento automático da DITR quando ela for transmitida por meio inadequado.

De acordo com Fernando Melo de Carvalho, trata-se de uma penalidade inédita que exige atenção redobrada dos produtores.

"Caso uma empresa rural ou um produtor com imóvel superior a 100 hectares utilize, por engano, o programa tradicional, a declaração poderá ser cancelada de ofício pela Receita Federal."

Segundo o especialista, o problema é ainda mais grave porque o cancelamento não decorre de erros de preenchimento, mas da utilização da ferramenta incorreta.

Na prática, isso significa que a Receita poderá considerar que a declaração nunca foi entregue, sujeitando o contribuinte às multas por atraso e outras restrições fiscais.

Informações obrigatórias permanecem

Apesar da mudança tecnológica, as exigências relacionadas às informações do imóvel permanecem praticamente inalteradas.

A declaração deverá conter:

  • Dados cadastrais do imóvel rural;
  • Informações para apuração do imposto;
  • Número do Cadastro Ambiental Rural (CAR), quando exigido;
  • Demais informações previstas pela Receita Federal.

O tributarista lembra ainda que o preenchimento do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR (Diac) não substitui a obrigação de manter atualizado o cadastro do imóvel junto ao Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir).

Multa por atraso pode chegar a 1% ao mês

Os contribuintes que perderem o prazo final de entrega estarão sujeitos à multa de 1% ao mês-calendário ou fração, calculada sobre o imposto devido, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00.

Caso sejam identificados erros ou omissões após o envio da declaração, será possível apresentar uma retificação, desde que ainda não tenha sido iniciado procedimento de fiscalização pela Receita Federal.

Como será o pagamento do ITR 2026

As regras para pagamento permanecem as mesmas.

  • Imposto inferior a R$ 100 deverá ser pago em parcela única;
  • Valores superiores poderão ser parcelados em até quatro parcelas mensais;
  • Nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50;
  • O vencimento da cota única ou da primeira parcela ocorre em 30 de setembro de 2026, mesma data-limite para envio da declaração.
Especialista recomenda planejamento antecipado

Para evitar problemas com o novo modelo de entrega, Fernando Melo de Carvalho recomenda que produtores rurais e contadores iniciem os preparativos antes da abertura do prazo.

Segundo ele, é fundamental verificar previamente qual sistema deve ser utilizado e garantir que a conta Gov.br esteja habilitada no nível adequado.

"A principal orientação é não deixar para a última semana. Verificar o enquadramento da propriedade e providenciar o acesso Prata ou Ouro no Gov.br com antecedência reduz o risco de atrasos e evita o cancelamento da declaração", conclui.

ITR 2026: pontos de atenção para o produtor rural

Com as novas regras da Receita Federal, o ITR 2026 passa por uma das maiores mudanças dos últimos anos. A obrigatoriedade do ambiente digital para grande parte dos contribuintes exige adaptação dos produtores rurais e das empresas do agronegócio.

O uso do sistema correto, o cumprimento dos prazos e a atualização cadastral tornam-se fatores essenciais para evitar multas, cancelamentos da declaração e problemas fiscais, reforçando a importância do planejamento tributário no setor rural.

Fonte: Portal do Agronegócio

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