Faesp defende negociação comercial com EUA e alerta para impactos do novo tarifaço sobre produtores brasileiros
Entidade paulista afirma que diplomacia técnica deve prevalecer sobre retaliações e destaca risco de aumento da insegurança para o agronegócio exportador
Publicado em: 17/07/2026 às 11:55hs
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) manifestou preocupação com a confirmação de uma nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e defendeu que o Brasil priorize a negociação comercial, com diálogo técnico e permanente, em vez de medidas de confronto.
A entidade avalia que o cenário exige uma atuação diplomática estratégica para preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e evitar impactos sobre cadeias produtivas dependentes das exportações.
Agronegócio brasileiro busca previsibilidade nas relações comerciais
Segundo a Faesp, o setor produtivo nacional tem mantido esforços para atender aos padrões internacionais de qualidade, sanidade, sustentabilidade e rastreabilidade exigidos pelos principais mercados consumidores.
A federação destacou que produtores rurais brasileiros seguem investindo em competitividade e adequação regulatória, mas acabam sofrendo os efeitos de decisões comerciais tomadas fora do país.
“Não é o produtor rural quem decide em Washington e, ainda assim, é ele quem paga a conta de decisões tomadas fora de seu alcance”, afirmou a entidade.
Para a Faesp, relações comerciais entre países dependem de estabilidade, previsibilidade e canais permanentes de negociação, evitando movimentos que possam ampliar tensões e prejudicar empresas, produtores e trabalhadores envolvidos nas cadeias exportadoras.
Faesp alerta para risco de escalada tarifária
A entidade defende que eventuais divergências entre Brasil e Estados Unidos sejam tratadas por meio de negociações bilaterais, envolvendo aspectos regulatórios, comerciais e tarifários.
Na avaliação da federação, respostas baseadas em retaliações podem gerar uma nova escalada de tarifas, elevar custos e aumentar a insegurança jurídica para setores que dependem do comércio internacional.
A Faesp também ressaltou que o Representante Comercial dos Estados Unidos indicou abertura para manutenção do diálogo e condicionou possíveis revisões das medidas à ausência de retaliações brasileiras.
Brasil possui força comercial para negociar com os Estados Unidos
A entidade destacou que o Brasil possui relevância estratégica como fornecedor global de alimentos, fibras e outros produtos agropecuários, fator que representa um importante instrumento de negociação.
Para a federação, esse posicionamento deve ser utilizado com base em critérios técnicos e visão de longo prazo, evitando disputas políticas que possam comprometer relações comerciais construídas ao longo de décadas.
“O Brasil tem capital de negociação: é fornecedor relevante e confiável para os Estados Unidos em diversas cadeias. Esse capital precisa ser usado com competência técnica e visão de longo prazo”, afirmou a Faesp.
Café e carne ficam fora da nova lista tarifária
A Faesp informou que seguirá acompanhando a divulgação detalhada da lista de produtos atingidos pelas novas tarifas e das possíveis exceções estabelecidas pelo governo norte-americano.
A entidade destacou como positivo o fato de algumas cadeias estratégicas, como café e carne, permanecerem fora da nova lista tarifária anunciada.
A federação afirmou ainda que está à disposição do governo federal para contribuir tecnicamente na defesa dos interesses do setor produtivo brasileiro.
Diplomacia é caminho para preservar mercados do agro
Para a Faesp, a manutenção da confiança internacional é um dos principais ativos do agronegócio brasileiro e deve ser preservada por meio de diálogo e cooperação.
A entidade reforçou que credibilidade e segurança comercial são fundamentais para garantir investimentos, empregos e renda no campo.
“A credibilidade e a confiança, valores que sustentam qualquer relação comercial duradoura, se constroem com diplomacia e não com confronto”, concluiu a federação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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